População na inadimplência

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População na inadimplência



Brasil tem recorde de inadimplentes, com mais de 75 milhões de pessoas com as contas em atraso – quase metade da população adulta no país

Por

JC


Publicado em 15/08/2026 às 0:00

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A angústia de não conseguir pagar as dívidas contraídas, em muitos casos, talvez a maioria, jogando para frente despesas regulares parceladas para os meses seguintes, ou assumindo o endividamento em momento de necessidade, já preocupa quase a metade dos adultos brasileiros. De acordo com pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e do SPC Brasil, 44,75% da população adulta está inadimplente no país, com significativo aumento do percentual daqueles nessa situação há mais de quatro anos de atraso. Um cenário que acende alerta nas instituições financeiras, apreensivas com o potencial de calote, e no próprio comércio, diante de conjuntura desfavorável à ampliação do consumo. Os investimentos tendem a ser freados, enquanto a curva do endividamento não recuar.
O recorde histórico de inadimplentes alcançado em julho aponta para um quadro nacional de instabilidade que lança incertezas para a economia nos próximos anos. E se junta à perspectiva de agravamento da dívida pública, na qual os governos em todos os níveis, mas especialmente o governo federal, deve enfrentar sérios problemas de gestão, a partir de 2027, devido à insuficiência de caixa para pagar salários, programas e fornecedores. Sem dinheiro para as contas pessoais e familiares, e a falta de recursos públicos, o país pode passar por um período complicado de estagnação.
Os detalhes da pesquisa elevam a atenção no mercado. O valor médio das dívidas encontra-se acima dos R$ 5 mil, o que representa muito para a maioria dos 75 milhões de endividados. E cada brasileiro negativado deve, em média, para mais de duas empresas. Mas quase a metade dos cidadãos tomados por essa angústia possui dívidas de até R$ 1 mil. A maioria está na faixa de 30 a 39 anos de idade, quando deveriam desfrutar de alguma estabilidade financeira e profissional. No entanto, segundo os dados, mais da metade da população brasileira nessa faixa etária amarga a negativação.
A permanência da condição por vários meses ou anos é sinal de que os programas voltados para a questão, criados pelo governo federal, não surtiram efeito como esperado. Para o presidente da CNDL, José César da Costa, “as medidas adotadas até o momento, como programas de renegociação de dívidas nos moldes do Desenrola, não têm sido suficientes para conter a expansão desse cenário”. Como o segundo semestre da economia já este em compasso de eleições, no aguardo das escolhas das urnas, alternativas de solução que tragam alívio aos inadimplentes deve ficar para 2027 e além.
Qualquer opção de amparo a quem deve acima do que dispõe para honrar as dívidas, terá que envolver as instituições financeiras, que abrigam dois terços do valor total pendurado pelos endividados. Não por acaso, os bancos podem impor restrições ao crédito, por causa do nível de não pagamento em crescimento no país. Uma das formas de atenuar as dívidas é a renegociação dos juros, cujo alto patamar é um dos fatores determinantes para a realidade inédita vista no Brasil, com tanta gente devendo tanto ao mesmo tempo.



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