Nova York quer ampliar a presença de brasileiros entre os visitantes da cidade. O mercado brasileiro é atualmente o quinto maior emissor internacional para o destino, atrás de Reino Unido, Canadá, Itália e França. Em 2025, foram cerca de 684 mil brasileiros na cidade, segundo dados da New York City Tourism + Conventions (NYC Tourism). Para este ano, a entidade projeta crescimento de 2,2%, chegando a aproximadamente 687 mil visitantes.
A estratégia para manter esse fluxo inclui uma nova rodada de ações no Brasil. Na primeira semana de agosto, uma delegação da NYC Tourism passou por São Paulo, Goiânia, Brasília e Rio de Janeiro em uma Media Mission e uma Sales Mission, com encontros com jornalistas, criadores de conteúdo, agentes de viagens e empresas do setor. A iniciativa também apresentou novidades da cidade nas áreas de cultura, entretenimento, esportes e hotelaria.
O movimento ocorre em um momento de recuperação do turismo internacional. Nova York recebeu 65 milhões de visitantes em 2025, dos quais 12,5 milhões eram estrangeiros. Para 2026, a previsão é chegar a 65,4 milhões de visitantes, crescimento de 0,7%, com 12,8 milhões de turistas internacionais.
O perfil do brasileiro que viaja a Nova York
A NYC Tourism também passou a segmentar a comunicação de acordo com os diferentes perfis de viajantes. A entidade identifica quatro grupos entre os visitantes internacionais: Freestylers, Navigators, Moment Makers e Neighborhood Explorers.
No Brasil, segundo Julie Coker, presidente e CEO da NYC Tourism, que deixa o cargo no fim de agosto, há predominância dos chamados Freestylers, grupo associado a viajantes mais jovens, muitas vezes em primeira visita à cidade e interessados em descobrir novas experiências. Os brasileiros também aparecem entre os Moment Makers, perfil que busca atrações icônicas e experiências específicas.
A estratégia considera ainda um comportamento particular do visitante brasileiro. De acordo com Coker, esse turista costuma planejar a viagem com antecedência, pesquisar o destino nas redes sociais e permanecer vários dias em Nova York. Durante a estada, combina atrações tradicionais com gastronomia, compras, vida noturna e atividades culturais.
Essa variedade ajuda a explicar por que a cidade tenta ampliar a comunicação para além dos cartões-postais mais conhecidos. A ideia é apresentar novas possibilidades tanto para quem chega pela primeira vez quanto para quem já esteve várias vezes em Nova York.
Mais voos entre Brasil e Nova York
A conectividade aérea é outro fator considerado estratégico para o mercado brasileiro. Atualmente, existem 45 voos diretos semanais entre o Brasil e o Aeroporto Internacional John F. Kennedy (JFK), incluindo uma operação sazonal da Gol entre Rio de Janeiro e Nova York.
A infraestrutura aeroportuária também está passando por mudanças. O JFK recebe um projeto de transformação estimado em US$ 19 bilhões, que inclui um novo terminal internacional. Também estão previstos investimentos no LaGuardia e no Newark Liberty International Airport, que terá uma nova linha do AirTrain prevista para 2030.
Para o destino, a combinação entre conectividade e oferta turística ajuda a sustentar a estratégia de crescimento no mercado brasileiro.
Novos hotéis e atrações
A expansão da hotelaria acompanha o volume de visitantes. Nova York tem aproximadamente 125 mil quartos, segundo dados apresentados pela NYC Tourism, com opções distribuídas por diferentes regiões e faixas de preço. Entre as novidades citadas pela entidade estão o The Moore Hotel, em Chelsea, inaugurado em setembro de 2025, e o Hilton Garden Inn Midtown, que abriu em janeiro de 2026. Para 2027, está prevista a abertura do Nell New York.
Na área de entretenimento, um dos novos espaços destacados é o One Times Square, que passou a oferecer uma experiência voltada à história e à arquitetura do edifício e à vista para a Times Square. Também aparecem entre as novidades atrações como Edge Reimagined Experience, Balloon Museum, Ellis Island Museum, National Urban League’s Urban Civil Rights Museum e The People’s Theatre: Centro Cultural Inmigrante.
A cidade também ampliou sua oferta gastronômica e de experiências nos bairros, enquanto eventos como a NYC Restaurant Week continuam integrando o calendário turístico.
Esportes ganham espaço
O calendário esportivo também entrou na estratégia de promoção do destino. Nova York recebeu oito partidas da Copa do Mundo de 2026 ao longo de 37 dias, incluindo a final. Segundo a NYC Tourism, o torneio gerou impacto econômico estimado em US$ 3,1 bilhões, sendo aproximadamente US$ 1,2 bilhão em gastos de visitantes.
Depois do Mundial, outros eventos continuam no radar. Entre eles estão o US Open, disputado no Arthur Ashe Stadium, que passa por renovação, além da preparação para o SailGP 2027 e o US Open Golf Championship, previsto para 2028.
Novas atrações e passeios em Nova York neste verão
Entre as novidades está a experiência renovada do Edge, em Hudson Yards. O observatório passou a oferecer uma jornada imersiva que combina ambientes espelhados, iluminação, projeções digitais e trilha sonora em um percurso que começa no quarto andar e termina no deque de observação, no 100º andar. Outra estreia é o Balloon Museum, no Pier 17, em Seaport, que abriu em julho com instalações de arte contemporânea que exploram ar, luz, som e movimento.
Na área cultural, o histórico Cherry Lane Theatre, no West Village, reabriu após dois anos de renovação. O teatro Off-Broadway passou a reunir espetáculos, cinema e programação ao vivo, além do Wild Cherry, bar e restaurante comandado pelos restaurateurs Riad Nasr e Lee Hanson. Para quem busca atividades ao ar livre, a City Fit Tours oferece um passeio de bicicleta de cerca de duas horas pelo Central Park, com exercícios e paradas em pontos conhecidos e áreas menos visitadas do parque.
A gastronomia também ganhou novos roteiros. O Lower East Side Pizza Tour, da Like A Local Tours, percorre pizzarias tradicionais e novos endereços do bairro, combinando degustações com histórias sobre imigração e a formação da cultura gastronômica local. Em Chinatown, a Chinatown Tours lançou três experiências guiadas sobre história, gastronomia e cultura, incluindo o Flavors of Asia, com degustações de pratos de diferentes comunidades asiáticas.
Fora de Manhattan, a ExperienceFirst Travel oferece um tour privativo de seis horas por Brooklyn, Bronx e Queens, com paradas como Apollo Theater, Unisphere e Brooklyn Bridge Park, além de almoço. A empresa também promove um jantar com um artista em atividade na Broadway, que compartilha histórias sobre audições, ensaios e apresentações antes de os participantes seguirem para um espetáculo. Já entre as experiências ligadas a bebidas estão o Guinness History Tour, em Lower Manhattan, e a visita à Great Jones Distilling Co., no NoHo, que inclui degustação de uísques.
O Brooklyn também ganhou novas opções para quem quer conhecer a produção de bebidas da cidade. Na Kings County Distillery, no Brooklyn Navy Yard, a experiência noturna inclui acesso à área de produção, degustações e visita ao Boozeum, museu da destilaria. Para quem prefere atividades ao ar livre, a Central Park Fishing lançou experiências de pesca urbana no Rio Hudson, em Battery Park City, e no lago do Prospect Park, no Brooklyn, com orientação para participantes de diferentes níveis.












