A realidade depois do voto

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A realidade depois do voto



Perspectiva de agravamento da dívida pública demandará ajuste fiscal do governo federal, num cenário do qual o futuro presidente não poderá fugir

Por

JC


Publicado em 16/08/2026 às 0:00

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Os juros mantidos no alto, as despesas públicas fora de controle, o crescimento contido da economia e uma dívida pública recorde, fazem com que a realidade em 2027 se prenuncie difícil para o próximo governo a se instalar – ou reinstalar – no Planalto. Num contexto de necessidade inadiável de ajuste fiscal, ou seja, de redução de gastos e dos juros, sem abrir mão da segurança contra a inflação, os principais candidatos à presidência da República pouco se manifestam a respeito do problema.
A abertura oficial da campanha, neste domingo, é uma oportunidade para que a temporada de convencimento de eleitores não dispense a alusão à verdade: a realidade financeira do país, a partir do ano que vem, não pode mais ser empurrada para o futuro indefinido. Ou o governo encara a situação, ou os brasileiros terão uma conta muito maior a pagar, sob o risco de crise econômica que não raro é acompanhada de crise política, lançando a nação no abismo da instabilidade.
Permanecer onde está, no que toca à economia, é ruim para o Brasil, e até o governo federal atual sabe disso. Tanto que vem cabendo à equipe econômica sinalizar melhores caminhos para o mercado, inclusive alertando que pautas-bomba no Congresso, que podem elevar ainda mais os gastos, deixariam o país ingovernável em pouco tempo. Em recente entrevista, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que programas sociais e benefícios fiscais devem ser revistos, para abrir espaço aos investimentos. O corte de gastos obrigatórios, que já foi tabu nas gestões petistas, entra em discussão diante da gravidade do quadro fiscal pela frente. O ideal é que a campanha eleitoral inclua o tema, que não deve faltar nas entrevistas, sabatinas e debates com os candidatos a liderar o país nos próximos anos.
O ministro da Fazenda identificou dois níveis de realidade na discussão sobre a economia. “Nós estamos vivendo um momento eleitoral. Precisa ver o que vai ser a eleição e, depois da eleição, abrir quais são as propostas”, afirmou. Ou seja, a realidade eleitoral parece diferente daquela descortinada pelo governo que será iniciado em janeiro. Traduzindo a diferença: o eleitorado pode não gostar da necessidade de um aperto nas contas, de cortes de benefícios e do enxugamento do Estado – que é o que ocorre se as despesas obrigatórias são reduzidas. Sendo assim, a tendência é que a dureza do real fique para depois que as urnas vaticinarem o resultado do pleito, quem sabe até depois da posse de quem ocupar a cadeira presidencial.
Em abril deste ano, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que a dívida pública brasileira pode roçar em 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027. Em 2025, a relação era de 96% do PIB. Na trajetória atual, a projeção é que a dívida pública chegue a 106% do PIB em 2031. A continuidade da ilusão fiscal não altera a realidade posta no caminho. Ou se enxerga o problema logo, ou o futuro pode ser pior do que se prevê.



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