Na reta final das eleições no país, os artistas visuais não deixam dúvida de que apoiam Lula. Basta entrar em qualquer rede social para ver uma onda fazendo o “L”, entre eles os nomes mais importantes do cenário nacional, de Cildo Meireles a Vik Muniz até uma Adriana Varejão, que representa o país na atual Bienal de Veneza, na Itália, com um vestido de paetês vermelhos dando seu apoio à reeleição do atual presidente.
O artista Jonathas de Andrade, que também já representou o Brasil na mostra italiana, a mais importante do mundo, deu de presente uma camiseta com o rosto de Lula ao papa Leão 14. Deyson Gilbert, um dos maiores nomes de sua geração na arte conceitual, liderou um movimento para ouvir eleitores e virar votos em vários bairros paulistanos. Os adesivos da campanha de Lula se tornaram acessório indispensável na lapela dos artistas em qualquer vernissage.
O mesmo não acontece entre os líderes de museus, feiras e grandes instituições de arte do país. A presidente recém-eleita do Museu de Arte de São Paulo, o Masp, Flávia Buarque de Almeida, não respondeu em quem votaria nesta eleição, da mesma forma que o diretor artístico do espaço, Adriano Pedrosa, que ignorou as tentativas de contato do colunista. Jochen Volz, alemão à frente da Pinacoteca do Estado de São Paulo, também não quis se manifestar. Lideranças do Museu de Arte Moderna de São Paulo tampouco se pronunciaram, mas o diretor artístico da casa, Cauê Alves, declarou apoio ao petista em suas redes sociais. Procurados, diretores do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro não responderam. As responsáveis pelo Instituto Inhotim, em Minas Gerais, disseram, por meio da assessoria de imprensa da casa, que são impedidas de se manifestar pelas regras da instituição.
Exceções são o português João Fernandes, à frente do Instituto Moreira Salles, que tem frequentado eventos do circuito com uma camiseta estampada com o rosto de Lula, e Marcy Junqueira, executiva no comando do Instituto Tomie Ohtake, que não dispensa o adesivo do petista em aparições públicas.
Na Fundação Bienal de São Paulo, a presidente Andrea Pinheiro faz silêncio, com assessores dizendo que ela não pode se pronunciar por causa das regras da instituição, mas os curadores à frente da próxima mostra, Amanda Carneiro e Raphael Fonseca, declaram apoio a Lula nas redes sociais.
Empresárias no comando das maiores feiras de arte do país também não declaram seus votos. Fernanda Feitosa, da SP-Arte, não diz em quem vota, assim como Maria Luz Bridger, da ArtRio, e Camilla Barella, da ArPa.
Donos das maiores galerias de arte do país também têm se manifestado. Luisa Strina, uma das marchandes mais influentes do mundo, diz que não vai votar porque estará fora do país, mas frisou que passou pela ditadura e defende a democracia. Minutos depois, publicou nas redes sociais uma foto da mão cheia de joias fazendo um “L”, que ela diz ser de “Luisa”. Nara Roesler, dona da galeria que leva o próprio nome, disse que suas escolhas são orientadas pelos artistas e que acredita na democracia. A Fortes D’Aloia & Gabriel manifestou apoio a Lula nas redes sociais, assim como A Gentil Carioca e a Mendes Wood DM, outras casas importantes do país. Um dos maiores impérios do mercado de arte nacional, a Almeida & Dale não quis se manifestar.
Os colecionadores também se calam. José Olympio Pereira, dono de um dos maiores acervos do país e que já presidiu a Bienal de São Paulo, apoiou Renan Santos no primeiro turno e agora diz não ter candidato. Já o empresário Bruno Baptistella doou R$ 500 mil à campanha de Flávio Bolsonaro na disputa pelo Planalto.
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