Desorganizado, primeiro debate entre Lula e Flávio tem bate-boca e troca de acusações

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Desorganizado, primeiro debate entre Lula e Flávio tem bate-boca e troca de acusações


Confronto teve ataques pessoais, discussões sobre corrupção e intervenções dos mediadores diante de provocações e manifestações da plateia

Por

Pedro Beija


Publicado em 18/10/2026 às 22:54
| Atualizado em 18/10/2026 às 22:55


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O primeiro debate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, foi marcado por bate-boca, ataques pessoais, troca de acusações e momentos de desorganização na condução do confronto. Realizado neste domingo (18), pela Band, o encontro exigiu intervenções dos mediadores diante de provocações entre os adversários e manifestações da plateia.

Um dos episódios de maior tensão ocorreu quando Flávio passou a circular atrás de Lula enquanto o presidente respondia às perguntas, fazendo gestos de reprovação diante das câmeras. A movimentação provocou reclamações da equipe petista e levou a apresentadora Adriana Araújo a advertir o senador. A situação se repetiu durante as considerações finais, quando a mediação precisou pedir que Flávio se afastasse do adversário.

A tensão também se estendeu à plateia, com manifestações de apoiadores dos dois candidatos. No encerramento, os gritos de “Lula” e “mito” chegaram a se sobrepor às falas dos apresentadores, dificultando os agradecimentos finais da transmissão.

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A uma semana do segundo turno, marcado para 25 de outubro, os presidenciáveis protagonizaram discussões que frequentemente se afastaram dos assuntos propostos. O Banco Master, as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e investigações envolvendo familiares dominaram parte do confronto, embora também tenham sido apresentadas propostas para segurança pública, saúde e economia.

Acusações de corrupção e ataques pessoais

Um dos embates mais prolongados começou quando Lula questionou Flávio sobre um voto contrário à ampliação da licença-maternidade de servidoras públicas, em 2009, quando o senador era deputado estadual no Rio de Janeiro. O presidente cobrou explicações sobre o posicionamento e provocou: “O que você tem contra as mulheres?”.

Flávio afirmou não ter nada contra as mulheres e mencionou a própria família, mas direcionou a discussão para a lobista Roberta Luchsinger, investigada em apurações relacionadas às fraudes no INSS. O senador também cobrou explicações sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente, e questionou sua permanência na Espanha.

Lula insistiu na pergunta sobre a licença-maternidade e afirmou que eventuais irregularidades envolvendo seus familiares seriam apuradas pela Polícia Federal.

“Se tiver investigação, se tiver problema, será investigado. Seja meu filho, seja meu irmão, seja qualquer um”, declarou.

A discussão se estendeu a outros integrantes das duas famílias. O presidente mencionou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e o acusou de atuar nos Estados Unidos contra os interesses brasileiros.

“O seu irmão está fugido nos Estados Unidos tramando contra o Brasil”, afirmou.

Os dois também trocaram acusações sobre a responsabilidade pelas fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas. Lula afirmou que o esquema teve origem durante o governo de Jair Bolsonaro e foi desarticulado em sua gestão. Flávio, por sua vez, atribuiu os desvios a pessoas ligadas ao atual governo.

O tom de confronto também apareceu em provocações diretas. Lula chamou o adversário de “mentiroso contumaz” e “malandro carioca”. Flávio reagiu dizendo que se solidarizava com os moradores do Rio de Janeiro que, segundo ele, teriam sido ofendidos. A expressão utilizada pelo presidente, porém, havia sido dirigida ao próprio senador.

Em outro momento, Flávio convidou Lula a se aproximar dele no estúdio. O petista recusou e afirmou: “Da família Bolsonaro eu quero distância. De miliciano eu quero distância”. O senador respondeu com uma provocação, dizendo que preferia manter o afastamento para não correr o risco de ter a carteira roubada.

Banco Master e desafio para abertura de sigilos

As investigações envolvendo o Banco Master também provocaram embates. Lula cobrou do adversário explicações sobre recursos que teriam sido solicitados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O petista mencionou R$ 134 milhões e acusou Flávio de apresentar versões contraditórias sobre o caso.

“Vocês fizeram ele um banqueiro e eu fiz ele um prisioneiro”, afirmou Lula, em referência à prisão de Vorcaro durante seu governo.

Flávio negou irregularidades e sustentou que os recursos estavam relacionados à produção cinematográfica, sem esclarecer detalhadamente a destinação dos valores questionados. O senador também acusou o presidente de corrupção e mencionou a presença do ex-juiz Sergio Moro e do ex-procurador Deltan Dallagnol, ligados à Operação Lava Jato, na plateia. As condenações de Lula na operação foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em outro momento, Lula lançou um desafio para que ambos abrissem os sigilos bancário e telefônico, incluindo os de seus familiares, antes do segundo turno.

“Eu abro da minha família inteira e você abre da sua”, propôs o presidente, sugerindo que as informações fossem encaminhadas ao STF e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já nesta segunda-feira (19), para permitir o conhecimento dos dados pelos eleitores.

Flávio respondeu que não tinha “absolutamente nada a esconder”, mas não confirmou se aceitaria a proposta nos termos apresentados. Em vez disso, acusou Lula de movimentar recursos não declarados, sem apresentar provas durante o confronto.

Segurança pública e pandemia

Apesar do predomínio dos ataques pessoais em diferentes momentos, o debate começou com propostas para a segurança pública. Flávio Bolsonaro prometeu classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações narcoterroristas, além de intensificar o combate ao crime organizado.

“A partir de janeiro eu vou declarar guerra ao narcoterrorismo”, afirmou o senador, que também defendeu penas que mantenham líderes de facções presos por até 80 anos e prometeu recuperar territórios controlados por organizações criminosas.

Lula, por sua vez, cobrou apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, apresentada pelo governo federal para ampliar a atuação da União no enfrentamento à criminalidade. O presidente afirmou que os estados fracassaram na área e reiterou a intenção de criar um Ministério da Segurança Pública, caso a proposta seja aprovada.

A discussão também passou pelas saídas temporárias de presos. Flávio criticou o benefício e citou crimes cometidos por detentos que deixaram unidades prisionais. Lula defendeu a função de ressocialização do sistema penitenciário e respondeu mencionando a promessa do adversário de conceder indulto ao pai, Jair Bolsonaro.

Na saúde, Flávio anunciou que pretende indicar o médico Cláudio Lottenberg para comandar o ministério, caso seja eleito. O senador prometeu modernizar o Sistema Único de Saúde (SUS), com prontuário eletrônico unificado, telemedicina, inteligência artificial e atendimento inspirado no padrão do Hospital Albert Einstein.

Lula questionou a proposta e criticou a condução da pandemia de covid-19 pelo governo de Jair Bolsonaro. O petista citou as mais de 700 mil mortes registradas no país durante a crise sanitária e responsabilizou a gestão anterior por falhas na resposta à doença, incluindo a defesa do uso de cloroquina.

Flávio reconheceu problemas na área durante o governo do pai. “A saúde não foi uma área que a gente teve o melhor resultado”, admitiu, embora tenha argumentado que a administração enfrentou uma pandemia provocada por uma doença até então desconhecida. O senador também destacou que o governo Bolsonaro comprou vacinas contra a covid-19.

Economia e propostas para o próximo governo

Na economia, os candidatos apresentaram avaliações divergentes sobre a situação do país. Lula defendeu o desempenho econômico de seu governo, citou a retomada do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e destacou a política de valorização do salário mínimo.

O presidente também defendeu investimentos na indústria, na inovação e na chamada economia verde, além de mencionar oportunidades relacionadas à expansão da economia digital e dos centros de processamento de dados.

Flávio concentrou suas críticas no custo de vida, no endividamento das famílias e na dívida pública, que afirmou estar próxima de R$ 11 trilhões. O senador atribuiu as dificuldades financeiras da população à política econômica do governo federal e prometeu reduzir despesas, ampliar o espaço no orçamento e facilitar a renegociação de dívidas.

“Eu vou tirar do Lula e vou dar para você”, afirmou o candidato do PL, ao defender uma mudança na condução econômica do país.

Entre as propostas apresentadas, Flávio anunciou a intenção de criar um Ministério da Prosperidade e estabelecer um programa de renegociação de dívidas com carência de seis meses para pessoas físicas e de um ano para empresas. Segundo ele, o governo atuaria na aquisição e renegociação de débitos bancários para reduzir o valor das parcelas.

O fim da escala de trabalho 6×1 também apareceu no confronto. Lula cobrou explicações sobre a mudança de posicionamento de Flávio, que havia se manifestado contra a proposta, mas votou favoravelmente à medida no Senado. O senador afirmou que reconsiderou sua posição depois de ouvir trabalhadores durante a campanha eleitoral.

Na área da educação, Lula prometeu criar o programa “Pé-de-Meia Professor”, destinado a incentivar estudantes com bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a ingressarem na carreira docente.

Os dois também divergiram sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos. Lula acusou integrantes da família Bolsonaro de atuarem em favor de interesses americanos e questionou o adversário sobre a exploração de minerais críticos e terras raras. Flávio negou ter defendido medidas prejudiciais ao Brasil e justificou seu apoio à iniciativa denominada “Escudo das Américas” como uma estratégia de combate ao narcotráfico.






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