Eleitor busca presidente e vê Lula e Flávio em campeonato de lacração

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Eleitor busca presidente e vê Lula e Flávio em campeonato de lacração


Debate teve propostas mas foi marcado por deboche e interrupções que prejudicaram a discussão sobre o que os candidatos pretendem para o Brasil.


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O brasileiro foi procurar um presidente da República e encontrou dois candidatos disputando quem constrangia melhor o adversário. No primeiro confronto entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) neste segundo turno houve propostas, especialmente a partir do segundo bloco. Mas foi preciso atravessar um campeonato de lacração para chegar a elas. Perguntas viravam outras perguntas, respostas eram substituídas por provocações e o tempo disponível para discutir o Brasil era consumido na tentativa de produzir uma piada que agradasse à torcida.

Lacração

O primeiro bloco foi especialmente frustrante. Depois das perguntas dos mediadores, os candidatos tiveram tempo para administrar o confronto. A liberdade poderia ter permitido aprofundar assuntos, cobrar explicações e comparar caminhos. Serviu principalmente para uma disputa de frases de efeito. Lula insistia em perguntas que Flávio não respondia. Quando era cobrado, também recorria a respostas evasivas e devolvia o ataque. O eleitor precisava descobrir sozinho o que havia de concreto naquela conversa.

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É possível que muita gente tenha se divertido. O eleitor também torce, ri quando seu candidato provoca e compartilha o trecho em que acredita que o adversário foi humilhado. As campanhas conhecem esse comportamento e trabalham para abastecê-lo. Só que a Presidência da República exige mais do que habilidade para produzir um vídeo de poucos segundos. Quem assistiu ao encontro procurando entender prioridades de governo teve razões para se incomodar.

Independentes

Para Flávio, o deboche excessivo trouxe um risco particular. Quem já vota nele pode ter gostado das piadas e das provocações. Quem ainda está avaliando se deseja entregar o país a outro Bolsonaro pode ter visto dificuldade para assumir a postura que o cargo exige. Fazer gestos enquanto o adversário fala, circular atrás dele e precisar de advertências dos mediadores ajuda pouco um candidato que precisa transmitir estabilidade e moderação.

Há um eleitor insatisfeito com Lula que não deseja comprar um novo período de confusão. Esse eleitor precisa encontrar em Flávio razões para confiar. O deboche pode até produzir solidariedade com o adversário atacado, inclusive entre pessoas inclinadas a votar no candidato do PL. Lula também tinha uma obrigação com esse público. Precisava responder às críticas ao seu governo e explicar o que faria de diferente. A dificuldade do adversário em se comportar não resolve a dificuldade do presidente em convencer.

Limites

O segundo bloco mostrou que era possível fazer melhor. Com uma dinâmica mais delimitada, apareceram discussões sobre saúde, Bolsa Família e microempreendedores individuais. Flávio falou de suas propostas e do Ministério da Prosperidade. Lula apresentou medidas voltadas aos MEIs e defendeu políticas de seu governo. Finalmente, havia mais elementos para o eleitor avaliar o que os dois pretendem fazer.

A contradição é incômoda. Quando tiveram mais liberdade para conduzir a conversa, os candidatos desperdiçaram boa parte dela. As regras ajudaram a organizar uma discussão que deveria interessar aos próprios postulantes à Presidência. Houve ainda intervenções para conter comportamentos inadequados e manifestações da plateia, que atrapalharam até as considerações finais de Flávio. Faltou respeito entre os candidatos, da plateia com quem falava e com o trabalho da emissora.

Desempenho

Lula foi um pouco melhor no primeiro bloco, sobretudo porque Flávio errou mais. O presidente conseguiu expor a ausência de respostas do adversário, embora também tenha escapado de cobranças. Sua vantagem naquele momento nasceu muito mais do excesso de deboche do candidato do PL do que de um desempenho especialmente convincente.

Flávio melhorou no segundo bloco quando ficou mais comedido e dedicou mais tempo às propostas. Foi seu melhor momento. No terceiro, houve equilíbrio e espaço para discutir o futuro do país, apesar de novas dificuldades. Lula mostrou problemas para administrar o tempo. Flávio voltou a exigir intervenções por seu comportamento durante a fala do adversário. Os dois tiveram falhas, mas elas precisam ser identificadas pelo que foram. Ambos poderiam ter oferecido mais.

Respeito

Depois de um primeiro turno sem debate entre os dois, havia uma expectativa legítima por esse encontro. O eleitor precisava vê-los submetidos a perguntas, cobranças e contestações diretas. A oportunidade existiu. Foi aproveitada apenas em parte, com propostas disputando espaço com provocações e interrupções.

No próximo confronto, Lula precisa explicar por que merece outro mandato e o que pretende mudar no governo que já comanda. Flávio precisa detalhar como executaria suas promessas e demonstrar que consegue oferecer estabilidade e moderação. Novas pesquisas estão a caminho. A Quaest divulga resultados na quarta-feira (21) e no sábado (24). O Datafolha terá números divulgados na quinta (22) e no sábado (24).






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