O tabuleiro eleitoral ficou bem mais estreito para João Campos

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O tabuleiro eleitoral ficou bem mais estreito para João Campos


Prefeitos não migraram, a aprovação de Raquel Lyra cresceu sob o ataque do PSB e Lula segue resistindo à pressão por um apoio exclusivo a ele.


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A missão de João Campos (PSB) na disputa pelo Governo de Pernambuco começa a ficar mais difícil. Não porque tenha deixado de ser competitivo ou porque a eleição esteja definida. Faltam meses para a votação e a política costuma produzir reviravoltas. O problema é que as principais apostas estratégicas construídas pelo grupo socialista para tentar derrotar a governadora Raquel Lyra (PSD) vão encontrando obstáculos cada vez maiores. As opções que pareciam capazes de alterar o equilíbrio da disputa estão se afunilando uma a uma.

Prefeitos

A primeira delas era a expectativa de uma migração em massa de prefeitos para o palanque socialista. Desde o ano passado, aliados de João Campos repetem que muitos gestores municipais permaneceriam ao lado de Raquel Lyra apenas por conveniência administrativa e desembarcariam no momento politicamente adequado. Diversas datas foram apontadas como marcos dessa mudança. A mais recente era justamente a saída de João da Prefeitura do Recife para disputar o governo.

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O movimento nunca aconteceu. Pelo contrário. A governadora segue ampliando sua influência entre os prefeitos e, nos bastidores, a estimativa é de que possa chegar à campanha com algo próximo de 150 dos 185 gestores municipais em seu campo político. Quanto mais as pesquisas indicam força eleitoral da atual governadora, maior tende a ser a resistência dos prefeitos a trocar de lado.

Desgaste

A segunda frente era o desgaste administrativo do governo estadual. A estratégia foi colocada em prática ao longo dos últimos meses. Parlamentares alinhados ao PSB intensificaram críticas na Assembleia Legislativa. João Campos também passou a abordar temas ligados à saúde, infraestrutura e prestação de serviços públicos.

Os resultados, porém, não acompanharam a ofensiva política. A mais recente pesquisa mostrou exatamente o contrário do que esperavam os adversários da governadora. A aprovação da gestão estadual avançou de 60% para 67%. Em vez de enfraquecimento, os números indicam fortalecimento da imagem administrativa de Raquel Lyra junto ao eleitorado.

Isso não significa ausência de problemas na máquina pública. Todo governo acumula dificuldades. O dado politicamente relevante é outro. As críticas feitas até aqui não conseguiram produzir impacto perceptível na avaliação popular da gestão.

Lula

Resta então a terceira variável. O apoio exclusivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Formalmente, essa discussão continua aberta. Na prática, entretanto, cresce a percepção de que ela dificilmente será resolvida a favor dos socialistas, por mais que Campos insista. Lula tem demonstrado interesse em preservar os dois palanques. Pernambuco é um estado relevante para a disputa presidencial e Raquel Lyra administra um governo bem avaliado, além de apresentar desempenho eleitoral consistente.

Dentro do PSB existe quem enxergue no apoio exclusivo do presidente a única carta capaz de alterar significativamente o rumo da disputa. Foi justamente por isso que ganhou importância a viagem de João Campos a Brasília na última quinta-feira (28). Nos bastidores, a leitura predominante era de que o encontro serviria para pressionar Lula a definir posição.

O que circulou depois da reunião foi que nada teria mudado. O presidente permaneceria disposto a apoiar simultaneamente João Campos e Raquel Lyra.

Afunilamento

Nenhuma eleição é decidida em maio. O próprio histórico político de Pernambuco mostra que campanhas podem mudar de direção rapidamente. Ainda assim, o quadro atual apresenta um desafio evidente para o ex-prefeito do Recife.

Os prefeitos não migraram. O desgaste da gestão estadual não apareceu nas pesquisas. O apoio exclusivo de Lula continua uma dúvida. Não está fácil.






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