Insegurança foi menor no país em 2025, e Pernambuco saiu de quarto para quinto lugar no ranking de violência nos estados, aponta anuário
JC
Publicado em 24/07/2026 às 0:00
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O vigésimo Anuário Brasileiro de Segurança Pública foi divulgado, relativo aos números do ano passado. O documento produzido há duas décadas anualmente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública constitui fonte essencial para avaliação da gestão pública. Este ano, o relatório traz notícia animadora para Pernambuco: o estado deixou o quarto lugar no ranking dos mais violentos do país, e passou ao quinto lugar. O desafio segue imenso, as condições estruturais para redução da violência continuam problemáticas, mas pelo menos parece ter sido dado um passo na direção da diminuição dos efeitos da alta criminalidade que mata e aflige os pernambucanos.
De acordo com o relatório, apenas sete estados brasileiros tiveram aumento na taxa de mortes violentas intencionais em 2025: Rio Grande do Norte, com piora de quase 20%, Rondônia (7,5%), Acre (6,3%), Roraima (5,8%), Distrito Federal (5,8%), Mato Grosso do Sul (4,9%) e Rio de Janeiro (2,1%). Em Rondônia e no Rio de Janeiro, o acréscimo também foi consequência do crescimento de óbitos decorrentes de intervenções policiais. De 2024 para 2025, Rondônia foi o palco de 8 mortes devido a intervenções da polícia, e no ano passado, as vítimas fatais saltaram para 47. No Rio de Janeiro, onde as operações são recorrentes, mais de um quinto das mortes violentas resultaram dessa causa em 2025, incluindo os 122 mortos em outubro, nos complexos do Alemão e da Penha.
No país inteiro, foram 40.775 mortes violentas intencionais, menos 8,2% em relação a 2024, quando 44.220 vidas foram perdidas. A taxa foi de 19,1 óbitos por 100 mil habitantes. Em Pernambuco, a taxa continua muito acima da nacional, de 33 óbitos por 100 mil habitantes, recuando de 36 óbitos por 100 mil no ano anterior. Com 9,3% a menos, foram 3.159 assassinatos aqui, no ano passado, em comparação com 3.474 em 2024. O número tão alto de vidas perdidas, tanto no estado quanto no país, representa mais do que em guerras. Na Ucrânia, no ano passado, menos de 700 pessoas civis foram mortas pelo conflito contra a Rússia.
Apesar da estatística geral em declínio, além dos estados em que a violência continuou subindo, os feminicídios registraram recorde no ano passado, com 1.571 mulheres assassinadas, e mais de 4 mil sobreviventes de tentativas de feminicídio. Os dados são contundentes: para cada feminicídio consumado, houve 502 casos de ameaça, 182 agressões físicas e 79 crimes de perseguição, de acordo com o Fórum. Todos os dias, em média, o Brasil anotou em 2025 quatro feminicídios e mais de 2 mil ameaças contra mulheres. O percentual de feminicídios em relação ao assassinato de mulheres jamais foi tão alto no país, chegando no ano passado a 44% do total.
A violência em todo o território brasileiro prossegue merecendo da gestão da segurança pública o status de questão prioritária. Em Pernambuco, o avanço reconhecido não suscita celebração, diante de uma taxa de mortes violentas ainda tão alta. E o aumento dos registros de feminicídio e de tudo que o antecede – assédios, agressões e perseguições – mostra uma face vergonhosa da realidade nacional, que não pode mais ser encoberta e naturalizada.













