O rombo das estatais

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O rombo das estatais



Os gastos maiores do que a capacidade financeira, quando se tornam rotina no poder público, viram conta para a população pagar mais tarde

Por

JC


Publicado em 01/02/2026 às 0:00

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Embora não seja novidade a insistência do atual governo no Planalto em menosprezar a necessidade do equilíbrio nas contas públicas, reduzindo despesas e impedindo gastos além da capacidade de pagamento, o desequilíbrio na balança das estatais é um peso que os brasileiros irão arcar nos próximos anos. A conta chega para a população, mais cedo ou mais tarde – e para o próximo presidente da República, pois já é certo que o Lula, ou seu sucessor ou sucessora, terá dificuldades de gestão, devido ao acúmulo na dívida pública que será um dos legados deste governo.
Em 2025, o resultado primário de 19 empresas estatais passou de R$ 5,1 bilhões no vermelho. Ainda que esteja no limite da previsão orçamentária, o déficit alto segue pressionando o desequilíbrio nas contas, aumentando a dívida e jogando para os próximos anos o retorno do pendura bilionário. O destaque continua sendo os Correios, com prejuízo e déficit contínuos desde a gestão Bolsonaro. Apesar dos ajustes anunciados, a situação dos Correios é de crise aguda, que depende de injeção de bilhões, pelo governo federal, para cobrir os buracos e permanecer operacional.
O déficit primário de todo o setor público, incluindo governos estaduais e municipais, ultrapassou a cifra de R$ 55 bilhões em 2025, de acordo com o Banco Central. Em 2024, este valor havia sido de R$ 47,5 bilhões, e em 2023, quase R$ 250 bilhões, o equivalente a 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Como estados e municípios apresentaram saldos positivos no ano passado, mais uma vez o peso da administração federal impactou as contas públicas de maneira importante – comprometendo todo o setor público, ampliando a dívida que será passada para o próximo ocupante do Planalto, ou reassumida por Lula, em caso de reeleição.
O comportamento pouco afeito à responsabilidade fiscal, em qualquer governo, gera descrédito no mercado e desestimula investimentos na economia. Quanto mais frouxos forem os gastos, pior a perspectiva de crescimento e melhoria social para a população – por mais que o discurso populista repita o mantra de que governo bom é aquele que gasta. Na verdade, governo bom gasta bem, avaliando as consequências para a coletividade, e não, para proveito político de curto alcance.
Os juros prosseguem altos para barrar a inflação, entre outros fatores, por causa da teimosia do governo federal em não enxugar os gastos dos ministérios. Com juros altos, a dívida pública dispara. Com a colaboração do Congresso, que também insiste em elevar o quinhão bilionário das emendas parlamentares. A estimativa de que a dívida bruta pode chegar a perto de 80% do PIB em 2027 é desestabilizadora para a economia e para o setor público, que pode sofrer um apagão comprometedor, até, das despesas obrigatórias.



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