Com pouco mais de 50 km de ciclofaixas implantados em cinco anos da atual gestão, ciclomobilidade da capital pernambucana estagnou e ficou perigosa
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A mobilidade por bicicletas no Recife, que apresentou avanços significativos na última década, vive um momento de desaceleração frustrante na capital. Apesar das promessas de campanha, a expansão da malha cicloviária sob a atual gestão da prefeitura reduziu drasticamente o ritmo de crescimento, deixando ciclistas vulneráveis à falta de manutenção, às invasões da malha por motoqueiros e, consequentemente, à insegurança nas vias.
Atualmente, a cidade possui aproximadamente 200 km (193 km) de rotas cicloviárias, mas apenas 47,2 km foram entregues entre 2021 e abril de 2024, menos da metade da meta de 100 km prometida pelo prefeito João Campos para os quatro anos de mandato.
O ritmo de expansão caiu significativamente na atual gestão. A estagnação é evidenciada pela queda acentuada na média anual de novos trechos. De acordo com dados da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU), o aumento médio da malha, que era de 16% ao ano até 2020, despencou para apenas 4% anuais a partir de 2021. Barbara Barbosa, coordenadora da Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo), destaca que essa redução representa uma queda de três quartos no ritmo de crescimento.
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– JAILTON JR./JC IMAGEM


Além da pouca expansão, as novas rotas têm sido criticadas por sua localização e qualidade. Segundo a Ameciclo, a malha tem crescido majoritariamente por ruas secundárias e laterais, evitando as vias principais e corredores de transporte, onde a infraestrutura cicloviária é mais necessária.
Além disso, o Plano Diretor Cicloviário (PDC), que está completando 12 anos em 2026, segue sendo uma promessa distante: apenas 28% da rede projetada foi efetivamente implementada até agora. Sobre essa realidade, Barbara Barbosa alerta: “Apenas 28% da rede que estava projetada no PDC foi implementada efetivamente. E estamos falando, basicamente, de ciclofaixas, que são estruturas que não protegem o ciclista como as ciclovias. E a maioria delas, com poucas exceções, colocadas em ruas que têm menos tráfego de veículos. Por isso que agora a nossa luta tem sido pela infraestrutura nas avenidas para facilitar o deslocamento de quem pedala”, defende.
INFRAESTRUTURA PRECÁRIA E FALTA DE MANUTENÇÃO

É importante destacar que a infraestrutura ciclável é o principal requisito para estimular o pedalar, seja como lazer, ou ainda mais como modal de transporte – FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
A qualidade das rotas existentes também é alvo de queixas constantes. Mais de 90% da malha recifense é composta por ciclofaixas, onde a separação do tráfego motorizado é feita apenas por sinalização e obstáculos frágeis, como tachões e, com poucas exceções, mini-blocos. Ciclistas reclamam – e não é de hoje – que a prefeitura tem economizado nesses elementos de proteção, deixando os equipamentos cada vez mais distantes uns dos outros e facilitando a invasão por veículos motorizados, principalmente por motocicletas – que vivem uma explosão com o serviço de moto apps, como Uber e 99 Moto.
“Ciclofaixa não protege quando permite que todo mundo invada. É muito motoqueiro de aplicativo usando como pista e muito motorista de app estacionando em cima da ciclofaixa. Sem falar dos motoristas que usam os equipamentos como terceira ou quarta faixa de trânsito. As ciclofaixas do Recife viraram uma via para motorizados invadirem”, afirma a representante da Ameciclo.
Barbara reforça a necessidade de barreiras físicas mais robustas: “Por isso lutamos tanto pela implantação de ciclovias no lugar de ciclofaixas. E por elementos de proteção, como mais tachões e mini-blocos. Quanto mais, maior a segurança. Os motoqueiros estão invadindo as estruturas exatamente porque esses obstáculos estão cada vez mais distantes um dos outros, expondo quem pedala”.
A história do universitário João Pedro Silva, 28 anos, é um exemplo da insegurança que tem sido pedalar no Recife. Por sorte, o ciclista ficou vivo para contar a história. Em outubro de 2025, ele foi atropelado por um motoqueiro de aplicativo que, mesmo com uma passageira na garupa, invadiu a ciclofaixa da Avenida Oliveira Lima, na Soledade, bairro do Centro do Recife, para fugir da retenção do trânsito.

Aret produzida por IA com dados apurados pela reportagem – Arte
“Foi muita sorte. Eu entrei na ciclofaixa e fui surpreendido pela moto. Não tive tempo de fazer nada, apenas me chocar contra a motocicleta. Por sorte, o motoqueiro não estava em velocidade e eu tive apenas um ferimento leve na mão. Mas o que ele fez foi absurdo. A passageira ficou indignada por ter entrado na ciclofaixa daquele jeito. Desde então, confesso que pedalo com medo e com muita atenção”, conta.
INVASÃO DAS MOTOS E JUDICIALIZAÇÃO DA SEGURANÇA VIÁRIA

– JAILTON JR./JC IMAGEM

– JAILTON JR./JC IMAGEM

– JAILTON JR./JC IMAGEM

– JAILTON JR./JC IMAGEM
Um dos problemas mais graves enfrentados pelos ciclistas desde a explosão do serviço de Uber e 99 Moto na cidade é a invasão sistemática das ciclofaixas por motociclistas. Com o aumento dos serviços de entrega e transporte por aplicativo, tornou-se comum o uso das faixas exclusivas como atalhos para escapar de congestionamentos, muitas vezes na presença de fiscalização. Embora a infração seja considerada gravíssima, com multa de quase R$ 900, a sensação de impunidade prevalece devido à falta de fiscalização efetiva.
Diante do aumento da letalidade no trânsito e da omissão do poder público, a Ameciclo ingressou com uma Ação Civil Pública contra o Município do Recife e a CTTU. A entidade alega que a prefeitura desrespeita o Plano de Mobilidade Urbana e falha em garantir a segurança dos modais ativos.

Imagem que mostra as desculpas dos gestores públicos na hora de implantar sistemas cicloviários nas cidades – Reprodução
Entre setembro de 2024 e maio de 2025, pelo menos dez ciclistas perderam a vida em atropelamentos na capital. A ação judicial busca obrigar a gestão municipal a instalar sinalizações adequadas e cumprir os limites de velocidade estabelecidos por lei para proteger quem pedala.

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