Em artigo publicado no JC, o empresário João Carlos Paes Mendonça faz alerta sobre a IA, e defende a empregabilidade baseada no contato humano
JC
Publicado em 24/04/2026 às 0:00
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As polêmicas envolvendo a disseminação da Inteligência Artificial (IA) nas redes sociais, simulando realidades inexistentes com alta verossimilhança, geram impactos em variados campos da atuação humana, da comunicação ao Direito, da tecnologia às religiões. Também existem avanços que não parecem ameaças, pelos efeitos benéficos apresentados, como nas áreas de pesquisa e saúde, e no processamento de dados visando a aceleração de resultados. Em paralelo às duas faces da IA, uma questão estrutural se coloca, como ressaltou o presidente do Grupo JCPM, do qual faz parte o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, João Carlos Paes Mendonça: “quais serão as consequências para a população de algo tão transformador quanto o que estamos assistindo agora”, destacou, em artigo publicado neste JC.
“Para evitar um problema social com a perda de espaço no mercado de trabalho para funções rotineiras e previsíveis, é preciso agir urgentemente, com um plano de Estado competente, consistente, contínuo e sem contaminações dessa ou daquela corrente política”, defende o empresário, lembrando que o crucial num momento de transição de modelos de vida, como atravessamos agora, é alicerçar o planejamento em pilares sólidos, imunes à disputa política e ideológica, voltados para o comprometimento com objetivos indiscutíveis de proteção social, a fim de minimizar os danos diante da avalanche da IA sobre as profissões e ocupações humanas.
Os impactos já estão acontecendo e devem ser ampliados, alcançando cada vez mais gente. Serão poucos os nichos que estarão à parte da revolução da IA, ou que serão apenas beneficiados por ela. A substituição pela automação ou redução das demandas profissionais demanda atenção pública, de modo a garantir a melhor trajetória de recolocação para os que forem diretamente impactados. “Com tarefas mecânicas assumidas pela IA, e o Brasil sendo um país em que o nível educacional da população ainda é baixo, a questão social se torna ainda mais complexa do que em outros países”, pontua Paes Mendonça, sinalizando para os desafios ainda maiores no Nordeste, onde parcela expressiva da população – 13% – é analfabeta.
Pode-se até usar a IA para ajudar num plano de convivência com os avanços da IA, mas não se pode abandonar os efeitos ao acaso. “É preciso planejamento para iniciar uma jornada de enfrentamento de uma questão que tende a se agravar tão rapidamente quanto a própria evolução tecnológica”, escreve o empresário. Defensor do contato humano como diferenciação essencial, João Carlos Paes Mendonça afirma que “os governantes responsáveis por liderar e estruturar discussões e iniciativas precisam atuar com celeridade e seriedade, fortalecendo setores mais dependentes da presença de pessoas, a fim de promover uma transição de mercado menos traumática”.
A proteção social contra a IA não deve demonizar a tecnologia, mas acrescentar ao debate necessário sobre seus impactos a responsabilidade diante das consequências para a coletividade, desde grupamentos específicos a populações de cidades, estados e países. “Feita a base estrutural, será a vez da iniciativa privada ampliar sua participação”, diz, apontando para o engajamento indispensável ao momento histórico atual.
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