‘Medo vai decidir a eleição’, diz cientista político sobre disputa entre Lula e Flávio

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‘Medo vai decidir a eleição’, diz cientista político sobre disputa entre Lula e Flávio


Para Adriano Oliveira, Flávio Bolsonaro chega à reta final com leve vantagem, mas o medo e o debate da Globo ainda podem favorecer Lula


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A três dias do segundo turno, o cientista político Adriano Oliveira avalia que Flávio Bolsonaro (PL) chega à reta final com um “leve favoritismo” sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas que a eleição está longe de decidida.

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, nesta quinta-feira (22), ele afirmou que o fator que deve definir o voto dos indecisos é o medo.

“Eu não tenho nenhuma evidência científica que me faça afirmar, categoricamente, que Flávio ganha a eleição no próximo domingo. Eu tenho evidências científicas de que Flávio chega na reta final com leve favoritismo, repito, leve, mas, de modo algum, nós podemos desconsiderar a possibilidade de vitória do presidente Lula”, disse.

A análise foi feita um dia depois da divulgação da pesquisa Quaest, contratada pela TV Globo. O levantamento mostra Flávio com 45% das intenções de voto e Lula com 44%, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

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Brancos, nulos e quem não pretende votar somam 9%, e os indecisos, 2%. Considerando apenas os votos válidos, o senador teria cerca de 50,6%, contra 49,4% do petista. A Quaest ouviu 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro.

O dado que mais chamou a atenção foi a rejeição. A parcela que diz não votar em Lula de jeito nenhum caiu de 53% para 47% em uma semana, recuo fora da margem de erro.

A rejeição a Flávio passou de 54% para 52%. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos, e Lula, com 45,16%.

Boa para Lula, não ruim para Flávio

Diante das críticas da campanha bolsonarista ao instituto, Adriano defendeu a Quaest e o Datafolha, que, segundo ele, têm bom histórico de acerto. “A Quaest divulgada ontem foi uma boa pesquisa para o presidente Lula. Mas ela não foi ruim para o candidato Flávio Bolsonaro”, resumiu.

O cientista político sustenta sua leitura em um agregador de pesquisas que reúne levantamentos de diferentes metodologias — telefone, internet, fluxo e domiciliar —, mantendo sempre apenas o resultado mais recente de cada instituto.

Pelo modelo, Flávio está com 50,8% dos votos válidos. “Ele se sustenta acima dos 50% dos votos válidos. O presidente Lula vem se movimentando, mas ainda não alcançou esses 50%”, explicou.

Adriano aponta mais dois sinais a favor do senador: no agregador, a rejeição está tecnicamente empatada, mas ainda é numericamente maior para Lula, e suas pesquisas qualitativas indicam, desde o ano passado, um “sentimento de mudança” no eleitorado.

Por outro lado, ele elenca três razões para não descartar o petista: o medo em relação a Flávio aparece, na Quaest, ligeiramente acima do medo em relação a Lula; a estratégia de comunicação do PT, de alertar para a perda de conquistas sociais, estaria correta, apesar das críticas; e Lula vem variando positivamente desde o início do segundo turno, ainda que de forma lenta.

A eleição do desamparo

Questionado sobre como o medo se manifesta, Adriano recorreu ao conceito freudiano de desamparo. “Desamparo significa que, se dado candidato ganhar, eu posso perder meus direitos. Ou significa também que a situação vai permanecer a mesma, como, por exemplo, a ameaça de violência”, explicou.

Segundo ele, o eleitor que teme Lula fala em violência, corrupção e impostos altos; o que teme Flávio receia perder direitos sociais. Como a diferença no medo medido pela Quaest é de apenas dois pontos, ele considera os dois sentimentos equivalentes.

“Na hora de sair de casa, o eleitor pode dizer: ‘Deus me livre o Lula de novo, vou ter mais assaltos’. Ou: ‘Deus me livre Flávio Bolsonaro, se ele ganhar, eu perco o meu remédio de graça na Farmácia Popular'”, ilustrou.

Para Adriano, é o medo que explica o crescimento dos indecisos entre eleitores que não se identificam nem com a direita nem com a esquerda, dado apontado pela Quaest.

“Eles não sabem de quem têm mais medo”, afirmou. Como mais de 90% dos eleitores de cada candidato dizem que não mudam o voto, a disputa real envolve, segundo ele, de 8% a 10% do eleitorado.

Debate e WhatsApp

O cientista político cita o debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23), e principalmente os recortes que circularão nas redes sociais e no WhatsApp como peças decisivas.

A próxima rodada do Datafolha, prevista para esta quinta à noite, também deve indicar a tendência. “Se ficar tudo estável, você terá uma incerteza que permanecerá até sábado à noite, ou só quando as urnas forem abertas”, disse.

Sobre a gratuidade no transporte público no domingo, Adriano defendeu a medida como garantia do direito ao voto. Ele lembrou que a abstenção atinge sobretudo eleitores de baixa renda, jovens e idosos, o que, se crescer, pode prejudicar Lula. “Aquele que fizer mais medo tende a perder a eleição”, concluiu.

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