Manifestantes liderados pelo coletivo punk Pussy Riot armaram um protesto em frente ao pavilhão da Rússia na abertura da Bienal de Veneza, na Itália, nesta quarta-feira.
O grupo russo alvo de prisões e processos em Moscou, hoje em grande parte no exílio, tocou canções de protesto, usou sinalizadores cor-de-rosa e vestiu a estátua em frente ao pavilhão com a bandeira da Ucrânia e uma balaclava rosa-choque, a assinatura do grupo.
O ato reuniu dezenas de ativistas diante da plateia de jornalistas e convidados VIP da estreia do evento, que só abre ao público neste sábado. Representantes do pavilhão da Letônia também protestaram em frente ao espaço, vestindo lenços com os dizeres “morte em Veneza, Rússia vá para casa”.
O país que faz fronteira com a Rússia foi um dos maiores opositores da presença de Moscou na mostra e sua ministra da Cultura anunciou que pessoas ligadas ao espaço foram declaradas persona non grata em seu país.
Desde que foi anunciado o retorno da delegação russa à maior e mais importante mostra de arte do mundo, a pressão vem aumentando para que o pavilhão do país de Vladimir Putin continuasse lacrado —o espaço estava fechado e representantes de Moscou estavam banidos da mostra desde 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia e iniciou a guerra em curso até o momento.
Organizadores da Bienal de Veneza resistiram e mantiveram a autorização da presença russa, apesar das sanções em vigor contra o país, o que detonou uma crise interna na mostra, com uma carta aberta de artistas e curadores participantes contra a decisão e a renúncia do corpo de jurados —pela primeira vez na história de mais de cem anos da exposição, o Leão de Ouro, seu prêmio máximo, será dado a um artista escolhido pelo público e não por um painel de críticos. A União Europeia ainda cortou € 2 milhões, quase R$ 12 milhões, para financiar a próxima edição.
Além da controversa presença russa, outro ponto crítico são os organizadores da exposição. A diretora artística, Anastasia Karneeva, é a filha de um dos principais executivos ligados à Rostec, fabricante estatal de armas da Rússia. Ekaterina Vinokurova, também ligada à organização do pavilhão, é filha do chanceler russo Serguei Lavrov.
O protesto do Pussy Riot diante da fachada do pavilhão não abalou o clima do lado de dentro. O dia começou com as portas vigiadas por guardas e dentro da galeria uma dupla de DJs tocando música eletrônica, fazendo do pavilhão uma espécie de boate. O bar estava aberto, servindo drinques, vodca e prosecco logo pela manhã, embora a tensão no ar, e a estupefação do público, fosse palpável. A performance seguinte foi um coral lírico.
Batizada “The Tree Is Rooted in the Sky”, ou a árvore está enraizada no céu, a mostra russa reúne uma série de artistas e coletivos, entre eles também músicos e poetas. O espaço quase todo vazio tem arranjos de flores, uma obra do artista Timofey Dudarenko, além de um trabalho em vídeo de Tatiana Khalbaeva, em que ela discute a ligação de uma pessoa com sua terra de origem, o que nas entrelinhas já diz muito sobre a presença russa na cidade dos canais.
Outra delegação que vem detonando protestos, central na decisão dos jurados de se demitirem, é a isralense. O grupo, liderado pela brasileira Solange Farkas, anunciou em carta aberta que não consideraria para os prêmios principais países com líderes acusados de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional —ou seja, Israel e Rússia.
Na entrevista coletiva à imprensa, nesta quarta, o presidente da Bienal de Veneza, Pietrangelo Buttafuoco, comentou a crise dizendo que mostra “não é um tribunal” e condenou o que chamou de censura prévia de opositores.
“Não somos cegos, não ignoramos o que acontece fora daqui”, disse. “Fechar as portas para qualquer um torna mais difícil abrir as portas para outros. Aqui é o lugar onde o mundo se encontra. Veneza nunca teve medo dos encontros, acolhe as diferenças e contradições.”
Ele lembrou ainda a oposição à presença russa por parte da própria primeira-ministra, Giorgia Meloni, mas lembrou que a fundação é autônoma e age dentro da lei.
“Não alimentamos polêmicas, mas criamos discussões. Isso faz parte da mostra e somos todos conscientes da fragilidade do presente”, disse, lembrando que na exposição estão presentes tanto a Rússia quanto a Ucrânia. “Aqui o único veto é à exclusão preventiva, à censura a algo que nem foi mostrado.”

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