Luedji Luna lança disco acústico com músicas inéditas e releituras

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Luedji Luna lança disco acústico com músicas inéditas e releituras


Aos 39 anos, a cantora e compositora Luedji Luna diz viver seu “melhor momento”. Não por acaso, o novo projeto da artista baiana nasce menos como uma reinvenção estética e mais como um gesto de maturidade.

Nesta segunda (25), Luna lançou “Acústico Luedji Luna”, trabalho que reúne releituras de músicas já conhecidas do público e seis faixas inéditas em versões centradas na voz, nos violões e na força narrativa das letras.

Além disso, lança nesta quarta-feira (27) um projeto audiovisual que acompanha a cantoria do novo disco.

“Era para ser algo despretensioso, como os vídeos que gravei na sala da minha casa para colocar no Instagram”, afirma a cantora. “Mas foi ganhando corpo, chegaram novas ideias, estrutura, investimento, e acabou virando um audiovisual potente.”

A ideia do acústico nasceu, antes de tudo, de uma necessidade prática. Conhecida por apresentações com banda numerosa e arranjos sofisticados, Luna percebeu que o formato de seus shows limitava sua circulação pelo país.

“Os contratantes não querem levar 20 pessoas para certos lugares. Existem teatros em que minha banda simplesmente não cabe”, diz. “Eu não achava coerente fazer um show completo em São Paulo e depois adaptar drasticamente para outras cidades. O acústico surge também para que eu consiga circular mais pelo Brasil.”

O repertório reúne 12 músicas, entre elas “Apocalipse”, “Pavão”, “Harém”, “Rota” e “Gamboa”, além de inéditas como “Rotação”, “Encruzilhada”, “Detalhe”, “Gris”, “Poesia Pouca” e “Ela é o que há”, esta última com letra de Jadsa. A faixa “Ioiô” conta com participação do rapper gaúcho Zudizilla.

Ao revitar sua obra em versões mais enxutas, a artista acredita que as canções ganham outro tipo de escuta. “Com menos estímulos e menos elementos, as pessoas conseguem prestar mais atenção no texto da canção”, afirma. “Isso vale tanto para o disco quanto para o show.”

Embora o amor continue atravessando sua música, o novo trabalho aponta para outra direção temática. Luna retorna diversas vezes à ideia do tempo, assunto que, segundo ela, vem aparecendo quase inconscientemente em suas composições recentes. “Essas canções novas falam muito sobre o tempo, sobre envelhecimento, sobre escolhas”, diz. “Talvez esse seja meu tema de interesse agora.”

É o caso de “Encruzilhada”, escrita ainda quando vivia em Salvador e não trabalhava profissionalmente com música. A faixa, que chegou a integrar o processo final de “Antes Que a Terra Acabe”, acabou ficando de fora do álbum por questões estéticas. “Encruzilhada é esse lugar das múltiplas escolhas. Dos caminhos que a gente pode seguir na vida”, explica.

Já “Rotação” aborda a aceleração da vida contemporânea. “Sou millennial. É um tempo cheio de estímulo, cheio de pressa”, afirma. “Estou começando a pensar mais sobre a passagem do tempo, sobre envelhecer, sobre nossa permanência na Terra.”

Agora, a artista parece interessada em expandir sua investigação para temas existenciais mais amplos. “Talvez minhas letras estejam indo para um lugar mais filosófico”, diz.

O lançamento chega em um momento de forte reconhecimento público. Nos últimos anos, Luna consolidou seu nome como um dos principais da música brasileira contemporânea, acumulando indicações ao Grammy Latino, premiações como APCA, Multishow e WME.

Ainda assim, ela evita tratar o novo trabalho como um grande acontecimento de carreira. “Eu não fiz esse disco para ser um clássico da música brasileira”, afirma. “Fiz quase com a mesma intenção daqueles vídeos simples de voz e violão.”

A simplicidade, porém, não impediu a ambição visual do projeto. Gravado no Cine Copan, em São Paulo, o projeto audiovisual aposta em movimentos de câmera, cenografia e direção audiovisual pouco comuns ao formato tradicional. “O audiovisual é a cereja do bolo”, resume.

O acústico chega ao mesmo tempo que o aniversário da cantora, dia 25 de maio, e talvez por isso a mudança de assunto tenha assolado a produção. “Estou pensando sobre isso agora”, diz. “O tempo passa para todo mundo.”



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