Ideb 2025: MEC quer foco na aprendizagem; Pernambuco melhora no ensino fundamental, mas proficiência é menor nos Anos Finais

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Ideb 2025: MEC quer foco na aprendizagem; Pernambuco melhora no ensino fundamental, mas proficiência é menor nos Anos Finais


Custódia se destaca nos Anos Iniciais e Finais; Pernambuco registra crescimento no Ideb, mas segue abaixo da média nacional nas duas etapas

Por

Mirella Araújo


Publicado em 06/08/2026 às 15:44
| Atualizado em 06/08/2026 às 18:13


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Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) nesta quarta-feira (5), apontam avanço nos indicadores do ensino fundamental — Anos Iniciais e Anos Finais — e do ensino médio em todo o país.

Com base no desempenho, o ministro da Educação, Leonardo Bachicini, anunciou que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apresentará, em outubro, uma proposta de novas metas para a educação básica, com foco maior na aprendizagem dos estudantes.

“Este ciclo do Ideb marca o fechamento de um período de 20 anos em que começamos a avaliar a educação básica brasileira com base em dois elementos principais: a proficiência e o fluxo. Mostramos que, após duas décadas, a escola brasileira conseguiu ampliar o acesso, melhorar a trajetória dos estudantes e elevar a proficiência”, afirmou Bachicini, durante coletiva de imprensa realizada em Brasília.

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Segundo o ministro, a nova estratégia será construída em regime de colaboração entre União, estados e municípios, com participação da sociedade civil, para induzir políticas públicas voltadas à melhoria da aprendizagem dos estudantes brasileiros.

O presidente do Inep, Manuel Palacios, destacou que os novos padrões de aprendizagem já vêm sendo discutidos pelo instituto nos últimos anos. “Agora estamos promovendo um debate público, especialmente com as secretarias de Educação, sobre essas propostas. A ideia é que, até o final do ano, como disse o ministro, tenhamos condições de apresentar à sociedade brasileira um plano de metas”, declarou.

No Brasil, em uma escala de 0 a 10, o Ideb do ensino fundamental passou de 6 para 6,3 nos Anos Iniciais (1º a 5º ano) entre 2023 e 2025, e de 5 para 5,3 nos Anos Finais (6º ao 9º). No ensino médio, o índice subiu de 4,3 para 4,5.

Na rede pública, as notas evoluíram de 5,7 para 6,1 nos Anos Iniciais, de 4,7 para 5,0 nos Anos Finais e de 4,1 para 4,3 no ensino médio.

Desempenho de Pernambuco

Em Pernambuco, o cenário foi bem semelhante ao nacional. O Ideb dos Anos Iniciais passou de 5,3, em 2023, para 5,8, em 2025, aproximando-se da meta de 6,0 estabelecida para o período. Apesar da melhora, o Estado permaneceu abaixo da média nacional, que foi de 6,1.

O principal destaque foi o município de Custódia, no Sertão do Moxotó, que alcançou nota 8,68 e figurou entre os melhores desempenhos do país nessa etapa de ensino. Já o município de Floresta, no Sertão de Itaparica, está entre as cidades brasileiras que apresentaram a maior evolução do indicador, passando de 4,2 para 6,8 no período, um acréscimo de 2,6 pontos.

Nos Anos Finais, a rede pública pernambucana também avançou, passando de 4,7 para 4,9. Ainda assim, o resultado ficou abaixo da meta de 5,3 e da média nacional, de 5,0.

Mais uma vez, Custódia aparece entre os municípios de destaque, com nota 7,5 em 2025, ante 6,3 em 2023. A cidade de Inajá, localizada na mesma região, registrou um dos maiores avanços, elevando o índice de 3,2 para 5,6.

 


 @MangueAction

Nos Anos Iniciais da rede pública de Pernambuco, a proficiência média em Matemática passou de 206,47 para 217,35 pontos, um crescimento de 10,88 pontos – @MangueAction

Aprendizagem avança, mas perde ritmo nas etapas seguintes

Além do avanço na taxa de aprovação, que chegou a 98,3%, a aprendizagem dos estudantes dos Anos Iniciais também apresentou melhora. Entre 2023 e 2025, a proficiência média em Matemática passou de 206,47 para 217,35 pontos, um crescimento de 10,88 pontos. Em Língua Portuguesa, a média avançou de 196,49 para 206,18 pontos, alta de 9,69 pontos.

Os resultados mostram que, após a queda registrada em 2021, ainda sob os efeitos da pandemia de covid-19 sobre a aprendizagem, os Anos Iniciais consolidaram a recuperação observada em 2023 e alcançaram, em 2025, o melhor desempenho da série histórica. Na comparação com 2021, a proficiência aumentou 17,37 pontos em Matemática e 15,89 pontos em Língua Portuguesa.

Apesar da evolução, os estudantes permanecem, em média, no nível 4 de proficiência do Saeb, o que é considerado um patamar de aprendizado básico ou intermediário/suficiente.

Nessa faixa, conseguem localizar e interpretar informações em diferentes tipos de texto, realizar inferências e identificar relações entre trechos. Eles também são capazes de resolver problemas envolvendo as quatro operações, interpretar tabelas e gráficos e trabalhar com medidas e frações em situações do cotidiano.

Nos Anos Finais, cuja taxa de aprovação chegou a 96,2%, o domínio das habilidades esperadas apresentou evolução mais lenta.

Entre 2023 e 2025, a proficiência média em Matemática passou de 247,87 para 251,43 pontos, ganho de 3,56 pontos. Em Língua Portuguesa, o desempenho permaneceu praticamente estável, passando de 251,34 para 251,27 pontos.

Na comparação com 2019, último ano antes da pandemia, a proficiência aumentou 0,90 ponto em Matemática e 2,42 pontos em Língua Portuguesa.Mesmo com a melhora, os estudantes permanecem classificados no nível 3 de proficiência do Saeb, que seria insuficiente em termos do que é esperado para esta etapa. 

Nesse contexto, os alunos conseguem resolver problemas envolvendo números inteiros, frações e proporcionalidade, interpretar tabelas, gráficos e plantas simples, além de reconhecer figuras geométricas e seus elementos. No entanto, ainda apresentam dificuldades em competências mais complexas, como localizar pontos no plano cartesiano, converter unidades de medida em situações-problema e trabalhar com números racionais e expressões algébricas.

Em Língua Portuguesa, os estudantes conseguem localizar informações explícitas em diferentes gêneros textuais, identificar elementos da narrativa, reconhecer relações de causa e consequência e interpretar o sentido de palavras, expressões e recursos verbais e não verbais.

Por outro lado, ainda encontram dificuldades para identificar teses e opiniões em textos argumentativos, realizar inferências mais elaboradas e compreender efeitos de sentido produzidos pela linguagem, pela pontuação e por recursos como humor e ironia.

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