História do Museu Afro e de Emanoel Araujo, seu fundador, se misturam em exposição

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História do Museu Afro e de Emanoel Araujo, seu fundador, se misturam em exposição



São Paulo


Em cartaz no Museu Afro Brasil, a exposição “Afríquia: o Artista Como Colecionador” faz uma leitura menos habitual do acervo da instituição. Em vez de organizar as obras a partir de critérios cronológicos ou etnográficos, a curadora Gabrielle Nascimento parte do olhar do fundador Emanoel Araujo (1940-2022) para exibir mais de 200 itens até 13 de setembro.

A exposição passa por momentos importantes para Araujo. Um deles é o 2º Festival Mundial de Arte e Cultura Negra e Africana, que ocorreu na Nigéria em 1977. A viagem marca seu primeiro contato direto com aquele continente e, segundo relatos do próprio artista e do crítico Roberto Pontual, significa um novo começo da produção artística de Araujo.



Exposição “Afríquia: o artista como colecionador”, no Museu Afro Brasil Emanoel Araujo


Michel Silva/Divulgação

É desse período a série de xilogravuras “Afríquia”, feita pelo artista e que dá título à exposição.

A mostra também expõe documentos desse período, como a primeira nota fiscal de compra de obras africanas feita por Araujo.

A partir daí, o acervo expande e passa a incorporar peças tradicionais e contemporâneas, com forte presença de produções da Nigéria e do Benim. Há centralidade da matriz iorubá, um traço que atravessa tanto o projeto museológico quanto a obra do próprio artista.

Distribuídas em núcleos que combinam esculturas, máscaras, fotografias, tecidos, discos e livros, as salas evidenciam a diversidade de povos representados no acervo. Dos 65 mapeados pelo museu, cerca de 39 estão na exposição. Um mapa logo na entrada situa geograficamente essas origens.

Algumas obras funcionam como chaves do percurso. A primeira é “Relevo”, de Araujo, que incorpora elementos associados aos orixás e mostra como ele reelaborou a África artisticamente.

Outro conjunto é o das fotografias de viagens, que revelam seus interesses e orientam o modo como a coleção foi construída.

Já em um espaço dedicado aos Ibejis, há quatro esculturas relacionadas ao culto iorubá dos gêmeos (vistos como uma bênção).

Completam o grupo máscaras que cobrem o rosto e corpo. Aparecem a Gueledé, associada às celebrações femininas iorubás, a Egungun, ligada ao culto dos ancestrais masculinos e a Mapiko, parte de rituais sagrados do povo maconde, em Moçambique. Essa última é catalogada como a primeira peça do acervo do museu e foi exibida publicamente antes mesmo da fundação da instituição, em uma mostra na Pinacoteca de São Paulo.

Para a curadora, a coleção é diferente de acervos exibidos em outros museus, muitas vezes filtrados por perspectivas coloniais. E também reflete sobre a necessidade de ampliar contextos e compreender outros modos da arte africana, afirma.

Afríquia: o Artista Como Colecionador

Pq. Ibirapuera (portão 10)- av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Vila Mariana, região sul. Até 13/9. Ter. a dom.,das 10h às 17h. Ingr.: R$ 15 (inteira)





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