Novo episódio do videocast Metro Quadrado debateu o futuro imobiliário do Recife e as ações que movem a Ademi em relação ao desenvolvimento do mercado
JC
Publicado em 03/07/2026 às 0:05
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O mercado imobiliário de Pernambuco vive um momento de reconfiguração urbana e técnica, mas o avanço rumo ao futuro esbarra em uma antiga amarra jurídica: a questão dos terrenos de marinha. Em debate no videocast Metro Quadrado, comandado pelo jornalista Lucas Moraes e o advogado especialista em mercado imobiliário da Tizei Mendonça Advogados Associados Amadeu Mendonça, o presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), Leonardo Pessoa de Queiroz, discutiu como essa restrição afeta o plano de habitação popular e o que se projeta para o desenvolvimento da capital nos próximos dez anos.
A recente aprovação unânime da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (LPUOS) colocou luz sobre bairros e áreas centrais que estavam esquecidos pelo mercado, abrindo espaço para projetos de retrofit e adensamento inteligente. No entanto, por ser uma cidade construída sobre sucessivos aterros e cercada por água, o Recife se deparou com um obstáculo invisível ao tentar expandir a oferta imobiliária estruturada para a população de menor renda.
“A gente tem uma cidade extremamente aterrada. A gente tem bairros como Afogados, por exemplo, que é um bairro praticamente 100% aterrado, onde todos os terrenos ali, todos os imóveis, são de marinha. E a gente tem uma dificuldade: o Minha Casa Minha Vida não financia de marinha”, alertou o presidente da Ademi-PE, Leonardo Pessoa de Queiroz.
Segundo o dirigente, a restrição bancária cria um nó cego no planejamento urbano, pois impede que áreas mapeadas pelo poder público como ideais para o desenvolvimento recebam os investimentos necessários. “A gente tem aí um entrave no financiamento que certamente dificultará se não for resolvido. A LPUOS colocou luz porque estava adormecido. Na hora que a Luos disse ‘pode vir construir aqui’, o mercado disse ‘opa, pera aí, não dá porque a gente tá esbarrando aqui no terreno de marinha'”, explicou Queiroz, destacando a urgência de uma articulação para que esses imóveis possam ser usados como garantia de crédito.
A preocupação faz sentido diante do diagnóstico do advogado Amadeu Mendonça sobre os limites geográficos da capital, que tornam o adensamento vertical e a reocupação do centro as únicas saídas viáveis. “A fronteira territorial de Recife com os outros municípios já está praticamente no limite, então é difícil ter uma expansão nesse sentido. A solução é adensar”, ponderou Mendonça.
Olhando para o futuro, o presidente da Ademi-PE projeta que os próximos dez anos serão marcados por uma forte transformação visual e funcional nas áreas centrais e nos principais eixos de mobilidade do Recife. “Acredito que as áreas centrais vão passar por uma transformação. Acredito que nos grandes corredores de ônibus a gente também vai ver [desenvolvimento imobiliário], em bairros como Imbiribeira e Caxangá”, previu Queiroz.
Contudo, os participantes do debate concordaram que o sucesso desse novo modelo de cidade dependerá de investimentos que vão além dos canteiros de obras das construtoras, exigindo uma evolução drástica na infraestrutura pública urbana. “Eu acho que esse desenvolvimento imobiliário virá e vai resultar de um investimento também em transporte coletivo. Esse assunto vai surgir, a gente já vê alguns debates sobre VLT e sobre o próprio metrô aqui do Recife. Esse vai ser o nosso próximo grande desenvolvimento urbano”, aponta o presidente da Ademi-PE.












