Opinião – Luciana Coelho: ‘O Urso’ corta excessos e se despede com final delicado e memorável

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Opinião – Luciana Coelho: ‘O Urso’ corta excessos e se despede com final delicado e memorável


Eis que ao fim “O Urso” fez perfeito uso de sua máxima, “todo segundo conta”. Sem os excessos e digressões que irritaram parte dos fãs nos últimos dois anos, a quinta e última temporada retornou à essência da série para concluir com doçura e inesperado otimismo sua história sobre um restaurante, gente neurótica e propósito comum. Deixa saudade.

Foi preciso mudar um pouco o formato para resgatar a suculência do enredo. Diferentemente das temporadas anteriores, esta, no ar na Disney/Hulu desde o dia 25, tem 7 dos 8 episódios editados praticamente em tempo real. O recurso, ainda que nada original, imprime uma tensão natural às cenas sem recorrer aos gritos que marcaram tantos episódios.

E que tensão. É o dia seguinte à notícia de que o chef Carmen Berzatto (Jeremy Allen White) disse a seus colegas, a chef Sydney (Ayo Edebiri) e o maître Richie (Ebon Moss-Bachrach), que vai pendurar o avental — notícia-bomba que conclui a quarta temporada. É, também, o dia em que o Urso —o restaurante em Chicago criado pela trupe a partir da lanchonete familiar dos Berzattos— pode servir seu último jantar, falido.

Sem tempo nem insumos a esbanjar ante a tempestade medonha que castiga Chicago e prejudica as entregas de ingredientes, a equipe se desdobra para servir o máximo com o mínimo que tem em mãos. E não faltam intempéries: o encanamento estoura; os clientes atrasam e as reservas se sobrepõem; a expectativa de receber um avaliador do Guia Michelin enerva os chefs.

É um espelho da série que apresentou tantos personagens densos e conflitos em tempo e espaço tão exíguos.

Para construir esse retorno ao básico, o showrunner Christopher Storer também eliminou ingredientes. O alt-rock dos anos 1990/2000 que foi quase um personagem em cena dá lugar a uma elegante trilha incidental de Christian Lundberg e Hans Zimmer (oscarizado por “Duna” e “Rei Leão”). A edição é mais limpa, concentrada na corrida dos cozinheiros pela sobrevida e naquilo que fazem melhor. Há flashbacks, mas são mais rápidos, e muitas das cenas memoráveis de agora remetem a momentos-chave anteriores.

Aos poucos, os arcos narrativos de cada um vão se completando: a hesitante Sydney se faz capaz de conduzir a equipe e a operação; o perdido Carmy traça um rumo para sua vida; Richie acha lugar, em meio à sua tendência a depressão, para um quê de mágica no trabalho e, quem sabe, no amor; Marcus (Lionel Boyce) supera seu trauma paterno; e a sofrida Tina (Lisa Colón-Zayas) aceita uma promoção. Até os irritantes irmãos Fak se tornam mais contidos.

Depois das escapadas narrativas que marcaram as demais temporadas, desta vez o episódio centrado em um personagem veio antes da leva final, no média-metragem “Gary”, sobre a amizade de Richie e Mickey (Jon Bernthal), o irmão de Carmy cuja morte o levou de volta a Chicago no início da série.

Foi uma boa escolha; enxertá-lo no meio dos episódios derradeiros quebraria o ritmo bem orquestrado, de cenas servidas a timing perfeito, como se cada elemento tivesse, enfim, encontrado seu lugar.

“O Urso”, afinal, é sobre um restaurante, mas é também uma jornada de amadurecimento calcada na amizade, no propósito e na alegria dos momentos pequenos que forjam as memórias boas, tão em falta.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *