Dez anos depois de deixar o bloco, a Inglaterra contabiliza menor crescimento econômico do que se tivesse permanecido na União Europeia
JC
Publicado em 27/06/2026 às 0:00
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Por mais que um país se isole, ou restrinja relações comerciais, justificando o fechamento por supostos benefícios econômicos internos, a economia se consolida e fortalece por conexões. Quanto menos laços estabelecidos, trocas de produtos e serviços, circulação de pessoas e mercadorias, e até movimentações nas bolsas de valores – outra forma de rede – menor a potência de crescimento econômico. Os blocos de países ganham peso exatamente por ampliarem a teia de possibilidades para cada um dos integrantes, fazendo com que as condições do conjunto sejam mais atraentes do que seriam separadamente. E as grandes potências do mundo têm se destacado, nas últimas décadas, pela expansão das relações, participando de novos mercados, como aponta o exemplo evidente da China.
Quando os britânicos resolveram, por consulta popular, abandonar a União Europeia (UE), uma expectativa talvez fosse turbinar a economia, que poderia estar sendo retida por amarras da comunidade de nações. Dez anos depois do Brexit, como se tornou conhecido o movimento de saída da UE, um estudo comprova que ocorreu o inverso: 300 bilhões de dólares a menos foram produzidos pelo Reino Unido em 2025, e o Produto Interno Bruto deixou de crescer em até 8% devido ao afastamento institucional da Europa.
Elaborado por um grupo de economistas, o estudo sobre “O impacto econômico do Brexit” indica, além da perda de crescimento do PIB, níveis de emprego, investimentos e produtividade menores do que se o resultado do referendo tivesse sido pela permanência no bloco. Segundo a análise, tema de reportagem do jornal Folha de S. Paulo, os efeitos negativos foram sentidos nas empresas, que precisaram se adaptar à nova realidade, e no conjunto da economia, uma vez que as empresas mais produtivas eram aquelas mais ativas nas relações internacionais, e sofreram as consequências pelo que, na prática, despontou como um estreitamento de horizontes.
O estudo é utilizado pelos autores para lançar um alerta aos Estados Unidos, tendo o desempenho da economia britânica pós-Brexit como caso ilustrativo do que pode se repetir no país de Donald Trump, se o protecionismo seguir prosperando. A mensagem vale, no entanto, para qualquer país – e mesmo, dentro dos países, para as vantagens da articulação e da estratégia de formação de redes para o incremento da economia e os benefícios sociais dela decorrentes. A globalização pode gerar um ambiente propício a integrações que atravessam as escalas nacionais, impactando regiões, estados e municípios, como no Vale do São Francisco, no Nordeste brasileiro, e outras partes do país.
A debandada do Reino Unido da EU traz à tona a lição de que desagregar pode significar perder, numa economia globalizada. Olhando para o Brasil e a nossa região, e também Pernambuco, precisamos buscar mais e melhores integrações, na América do Sul e Latina, e até entre as regiões brasileiras. O crescimento econômico pernambucano, que dá sinais de recuperação, demanda maior envolvimento com os estados vizinhos, bem como maior participação em redes de dimensão nacional e global. O mesmo vale para a região nordestina, que ainda carece de planos consistentes para crescer mais que a média brasileira.










