Arqueólogos recuperam dezenas de tamancos de madeira com 1.800 anos que os romanos de Vindolanda usavam nos banhos

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Arqueólogos recuperam dezenas de tamancos de madeira com 1.800 anos que os romanos de Vindolanda usavam nos banhos


A descoberta de dezenas de tamancos de madeira em Vindolanda mostra um lado surpreendentemente cotidiano da vida romana. Mais do que objetos curiosos, esses calçados revelam como higiene, conforto e adaptação ao ambiente faziam parte da rotina militar.

As fontes antigas chamavam esse tipo de calçado de sculponae, termo ligado às visitas às termas. – Imagem gerada por IA

Por que os tamancos romanos de Vindolanda chamam tanta atenção?

O forte romano de Vindolanda, em Northumberland, perto da Muralha de Adriano, preservou materiais orgânicos em condições raras. Madeira, couro e tecidos sobreviveram graças ao solo úmido e sem oxigênio, criando um registro arqueológico excepcional.

No estudo sobre a coleção de tamancos romanos de Vindolanda, aparecem 44 peças de madeira, completas ou fragmentadas. A quantidade torna o conjunto um dos mais importantes já associados ao calçado cotidiano do Império Romano.

Os detalhes principais ajudam a entender a importância do achado:

  • 🪵
    Madeira: material preservado por condições úmidas e sem oxigênio.
  • 🏛️
    Vindolanda: forte romano próximo à Muralha de Adriano.
  • ♨️
    Termas: espaços de higiene, sociabilidade e identidade cultural romana.
  • 👣
    Proteção: o calçado isolava pés de pisos quentes e molhados.
  • 🔎
    Variedade: formas, correias e decorações indicam usos diferentes.

Para que serviam esses tamancos nas termas romanas?

As fontes antigas chamavam esse tipo de calçado de sculponae, termo ligado às visitas às termas. Nos banhos romanos, pisos aquecidos e superfícies úmidas exigiam proteção específica para evitar queimaduras, escorregões e desconforto nos pés.

Vindolanda tinha complexos termais bem preservados, um ligado ao fim do século I e outro ao século III. Nesses ambientes, o tamanco de madeira funcionava como barreira simples, mas eficiente, contra calor e umidade.

Alguns dos tamancos recuperados
Alguns dos tamancos recuperados – Fonte: Vindolanda Charitable Trust

O que os modelos revelam sobre a vida cotidiana?

Os exemplares recuperados não seguem um único padrão. Alguns preservam madeira e parte superior de couro, enquanto outros mantêm apenas componentes de fixação, permitindo estudar como o pé era preso ao calçado durante o uso diário.

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Calçado simples, informação rica

Cada detalhe muda a interpretação

Solas, tacos e correias mostram que os tamancos não eram todos iguais, nem necessariamente usados da mesma forma.

Alguns lembravam sandálias simples, enquanto outros tinham mais tiras e possíveis apoios no calcanhar.

A variedade inclui tacos, plataformas, correias diferentes e detalhes decorativos. Há peças com incisões imitando dedos, padrões em V e formas geométricas, sugerindo escolhas funcionais, diferenças de acabamento e possível diversidade de preço e usuários.

Entre os elementos observados estão:

Eles eram usados apenas nos banhos?

Embora as termas sejam a explicação mais direta, a pesquisa também considera usos mais amplos. O paralelo com tamancos medievais, usados para proteger os pés da lama e da umidade, abre outra possibilidade para circulação e trânsito.

Por isso, o estudo analisa contextos diferentes dentro do forte, como áreas aquecidas, vias e espaços de passagem. A pergunta central é se alguns tamancos eram exclusivos dos banhos ou se acompanhavam tarefas comuns em ambientes externos.

As hipóteses principais podem ser resumidas assim:

  • Uso nas termas para proteger contra calor e piso molhado.
  • Uso em áreas de passagem dentro do forte.
  • Proteção contra lama e umidade em espaços externos.
  • Diferenças de modelo indicando funções e usuários distintos.

Por que esse achado muda a imagem do mundo romano?

Achados como esse aproximam o Império Romano da vida comum, longe apenas de batalhas, imperadores e monumentos. Um par de tamancos mostra preocupação com conforto, higiene e adaptação prática ao frio da Britânia e às termas.

A coleção de Vindolanda revela que objetos simples podem contar histórias complexas. Ao estudar madeira, couro, desgaste e decoração, os arqueólogos conseguem reconstruir gestos cotidianos de pessoas que caminhavam, descansavam e se banhavam há séculos naquele forte.





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