Focado em música de câmara, Cultura Artística preza pela acústica em detalhes

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Focado em música de câmara, Cultura Artística preza pela acústica em detalhes



São Paulo


Tudo no Cultura Artística foi pensado para música não amplificada, motivo pelo qual o edifício de 1950 projetado pelo arquiteto Rino Levi levou a melhor na categoria acústica.

Conhecido por lançar tendências nas artes cênicas, apresentando peças do Grupo Experimental e do Grupo Universitário, o teatro mudou o foco da programação para a música de câmara —composta para um pequeno grupo de instrumentos ou vozes— após um período fechado.



Sala chamada de grande auditório do Teatro Cultura Artística

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Nelson Kon/Divulgação

Era 2008 quando um incêndio sem causa identificada tomou conta do espaço e destruiu cerca de 90% das instalações internas. Ficaram como testemunhas apenas o mural de Di Cavalcanti na fachada, “Alegoria das Artes” (1950), e o foyer do espaço.

Dezesseis anos depois, tudo se tornou novo. Na restauração, conduzida pelo arquiteto Paulo Bruna, conservou-se a estética preconizada no projeto do espaço, mas novas tecnologias foram incorporadas. O desenho da acústica, feito do zero, ficou a cargo da Acústica & Sônica, de José Augusto Nepomuceno, responsável também pela Sala São Paulo.

A principal mudança foi a de escala: a maior sala de espetáculo, chamada de grande auditório, tinha cerca de 1.500 lugares e foi reduzida para 760 poltronas.

A alteração aconteceu por uma decisão acústica. O foco em música de câmara demanda uma configuração mais compacta, que aproxima artistas e público e melhora a percepção sonora.

A preocupação com o som está até em detalhes nas paredes. Na sala principal, os muros amarelos ganharam esculturas acústicas desenhadas pela artista plástica Sandra Cinto. São relevos em formato semelhante a ondas ou, quem sabe, asas, que refletem a música pelo auditório.

Além disso, todos os acessos à sala são feitos por antecâmaras, a fim de minimizar a transmissão de som dos espaços externos.

Como resultado, chega-se a um som limpo e próximo dos ouvintes, a exemplo do que aconteceu nos shows de fado de Carminho e no recital de András Schiff, apresentados neste ano no espaço.

A especialização em música não impede que a programação inclua peças de teatro ou filmes. O espaço recebeu neste ano o espetáculo “Sete Minutos“, dirigido por Antonio Fagundes, e sessões da 50ª Mostra de Cinema.

Teatro Cultura Artística
R. Nestor Pestana, 196, Consolação, região central. Mais informações em culturaartistica.org





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