Entidades dos setores produtivos avaliam que tarifaço ameaça competitividade brasileira

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Entidades dos setores produtivos avaliam que tarifaço ameaça competitividade brasileira


A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a sobretaxa agrava um cenário e amplia a insegurança para empresas dos dois países


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Com a confirmação da nova rodada de tarifas de 25% sobre as exportações brasileiras, pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nessa quarta-feira (15), entidades representativas dos setores produtivos brasileiros manifestaram preocupação com os impactos da medida.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a sobretaxa agrava um cenário e amplia a insegurança para empresas dos dois países.

“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 Estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

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As exportações brasileiras para o mercado norte-americano diminuíram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões, desde 2025 com o tarifaço.

A retração foi influenciada pela redução de 8,7% nas vendas de bens industriais, especialmente de produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e produtos semimanufaturados de outras ligas de aço. Apesar da queda, os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira no período.

Segundo levantamento da CNI, os Estados com mais participação de exportações para os EUA são Sergipe (52,3%), Ceará (33,4%), Espírito Santo (27,5%) e São Paulo (17,1%). Juntos, eles exportaram US$ 7,8 bilhões para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026.

Fiep critica postura do governo federal

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) emitiu uma nota em que lamenta a aplicação da nova sobretaxa. Segundo a entidade, a decisão é especialmente prejudicial por ter sido adotada de forma unilateral, o que reduz significativamente a competitividade do Brasil diante de seus concorrentes globais.

“Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”, diz a nota.

Ainda de acordo com a entidade, “a retaliação comercial poderia ter sido evitada com uma condução técnica e pragmática, como buscou a Fiesp durante as audiências públicas nos EUA em outras oportunidades no último ano”.

“O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios”, disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Na nota, a entidade reafirma o compromisso com a diplomacia empresarial e seguirá trabalhando de forma construtiva junto a parceiros nos EUA para que as tarifas sejam revertidas ou parcialmente mitigadas na ampliação da lista de isenções.

Resultado Negativo

Na avaliação da Amcham Brasil, a decisão americana de sobretaxar em 25% produtos brasileiros, no âmbito da investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais do País, indica um resultado “muito negativo” para a relação bilateral. 

A Câmara avalia que a medida, que entra em vigor a partir de 22 de julho, coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado americano, com tendência a afetar duramente mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio.

“Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos EUA com o Brasil – de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 – e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos americanos”, observa, em nota.

A Amcham também considera que as novas taxas tendem a elevar custos para as empresas e consumidores americanos, reduzir a competitividade das indústrias que utilizam insumos brasileiros e ampliar a dependência de fornecedores asiáticos, com potencial para deteriorar o déficit comercial dos EUA com países daquela região.

Além disso, segundo a Câmara, limita as oportunidades de cooperação entre Brasil e EUA em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual.

A expectativa também é de aprofundamento da queda do comércio bilateral, que já registra recuo de 13% no ano e levou a participação dos EUA no comércio exterior brasileiro ao menor nível histórico, além de uma possível piora dos investimentos bilaterais, que mantêm relação estreita com o dinamismo das trocas entre os dois países.

“Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla”, afirma o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.

Ele reforça que as negociações tornam-se ainda mais urgentes diante da probabilidade de novas tarifas no seio da investigação sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas para até 37,5%.

A Amcham ainda avalia que a definição de itens isentos das sobretaxas – como carne bovina, café, laranja, partes para fabricação de aviões, petróleo e celulose – é positiva e deve contribuir para mitigar parte dos impactos. No entanto, também solicita a criação de um mecanismo para considerar novas exclusões para produtos cujas sobretaxas possam gerar “impactos econômicos desproporcionais para empresas e consumidores ou que não contribuam de forma efetiva para resolver as preocupações comerciais apontadas pelos EUA”.






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