Decisiva nas urnas, classe C quer Estado que funcione, diz pesquisador

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Decisiva nas urnas, classe C quer Estado que funcione, diz pesquisador



A classe C, que representa 53% da população brasileira, não tem consenso ideológico sobre o tamanho do setor público, mas exige serviços eficientes e desburocratizados. A conclusão é do pesquisador Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva e autor do livro “Brasil da maioria: 25 anos da classe C”.

“O que ela espera, em primeiro lugar, é que seja um Estado que funcione. Enquanto a esquerda e a direita divergem se o Estado deve ser grande ou pequeno, ela quer um Estado que funcione, que efetivamente entregue uma qualidade de serviço público melhor”, afirma Meirelles.

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Perfil e desaceleração econômica

  • Renda familiar: média de R$ 3,5 mil somando todos os moradores da residência.
  • Protagonismo: representa a maioria dos consumidores, trabalhadores urbanos, pequenos empreendedores e eleitores do país.

Segundo o pesquisador, o Plano Real permitiu o planejamento familiar de longo prazo, mas a desaceleração pós-2011 frustrou expectativas.

“Até o Plano Real, a noção de longo prazo das pessoas era muito limitada. O fim do mês demorava uma eternidade”, explica. Sobre o ritmo de avanço atual, ele compara: “A classe C caminhava para melhor qualidade de vida a 120 km/h. De repente, reduziu para 60 km/h. Se você está andando em alta velocidade e breca o carro, a sua sensação é que você parou de crescer e que está parado.”

Cobrança por resultados

A busca pela gestão do próprio tempo impulsionou a migração para o trabalho autônomo e por aplicativos, movimento intensificado pelas reformas trabalhista e previdenciária.

“Hoje, para a classe C, a dignidade é ser dona do próprio tempo. E é por isso que há ida para os aplicativos. A CLT perdeu a mesma importância”, avalia Meirelles.

Além disso, a vivência no consumo digital moldou uma nova exigência sobre a gestão pública. “Essa pessoa está acostumada a andar de aplicativo e dar uma nota para o serviço dela. Ela espera que o Estado preste conta e exista conexão de governantes e governados”.



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