Com 22 mil m², novo espaço coletivo de lazer será aberto na primeira quinzena de julho. Entrega completa do equipamento ficará para o fim do ano
Roberta Soares
Publicado em 22/06/2026 às 13:05
| Atualizado em 22/06/2026 às 13:18
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A primeira etapa do Parque das Águas, agora renomeado Parque da Orla, no Cais José Estelita, área central do Recife, será inaugurada na primeira quinzena de julho, criando um novo e amplo espaço público de lazer e contemplação para a cidade – apesar da polêmica que cercou o espaço antes das obras.
O parque ocupa uma área de 22 mil metros quadrados e representa 64% da intervenção total planejada para a região. A entrega desta fase inicial acontece após seis meses de obras e, segundo o Consórcio Novo Recife – liderado pela Moura Dubeux -, o objetivo do novo espaço é conectar a cidade com sua frente d’água – no caso a Bacia do Pina – e oferecer opções de convivência e saúde ao ar livre.
Entre os equipamentos que serão liberados para uso da população estão um parcão estruturado para pets, academia ao ar livre, horta comunitária e a Praça da Infância, que traz áreas temáticas inspiradas em elementos naturais como água, planta e vento. O projeto paisagístico, assinado por Benedito Abbud, incluiu o plantio de 129 árvores de espécies como pau-ferro e sibipiruna, além de iluminação moderna em LED com fiação embutida.
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Embora o cronograma inicial de implantação do parque – divulgado em 2025 – previsse a conclusão total do parque ainda no primeiro semestre ou início do segundo, a previsão atual agora é fim do ano. “A entrega desta primeira etapa permite que a população comece a vivenciar o Parque da Orla desde já, incorporando o espaço à sua rotina. É um projeto pensado para as pessoas, que promove saúde, convivência e qualidade de vida em uma área central da cidade”, afirma Eduardo Moura, diretor de incorporação da Moura Dubeux.
POR DENTROS DAS MUDANÇAS




Uma das grandes mudanças na área é a transformação da antiga alça do viaduto próximo ao Cabanga Iate Clube de Pernambuco, antes um canteiro rodoviário isolado, em uma área verde com lago, vegetação nativa e paisagismo, incorporada de forma orgânica ao parque.
Outro destaque é a recuperação e requalificação de três casas históricas localizadas na área do parque. Esses imóveis serão restaurados e convertidos para uso público, que podem abrigar cafés, livrarias, centros de visitantes e serviços comerciais, ativando a região com usos culturais e afetivos.
O projeto também contempla a implantação de uma praça cívica no prolongamento com a Avenida Dantas Barreto, criando um eixo simbólico entre o Palácio do Campo das Princesas e o mar. A praça funcionará como uma espécie de marco zero do sul do Recife, com travessia nivelada para pedestres, permitindo que quem caminhar pelas calçadas da Dantas Barreto siga diretamente até a orla.
Com isso, o bairro de São José, historicamente separado da orla por um antigo muro da linha férrea, será reaberto à cidade, promovendo integração e resgate urbano. Na outra extremidade do parque, próximo ao Forte das Cinco Pontas, antigos galpões e casarios históricos serão restaurados e integrados à paisagem, formando um polo de cultura, gastronomia e economia criativa. Esses espaços farão a transição para o Parque da Memória Ferroviária, reforçando o vínculo entre história e inovação urbana.
O PROJETO NOVO CAIS E AS MUDANÇAS NO SISTEMA VIÁRIO



O Parque da Orla é parte integrante do projeto urbanístico Novo Cais, que busca requalificar uma área historicamente subutilizada. Além deste parque, o plano contempla o Parque da Memória Ferroviária, um espaço de 55 mil m² dedicado à preservação do patrimônio ferroviário, incluindo a restauração de antigos galpões e da antiga estação ferroviária. O objetivo é criar um eixo de integração que conecte bairros como São José e Cabanga diretamente à Bacia do Pina.
A transformação também alterou a circulação viária da região, com um novo sistema que entrou em operação em julho do ano passado. O antigo traçado da Avenida Engenheiro José Estelita foi substituído por um sistema de binário com seis faixas de rolamento (três em cada sentido), ciclovias bidirecionais e calçadas amplas. A nova configuração viária, que recebeu investimentos de R$ 50 milhões, melhorou a conexão entre o Centro e a Zona Sul, e liberou a margem da bacia para a construção definitiva dos parques.
DEMOLIÇÃO DO VIADUTO DAS CINCO PONTAS AINDA INDEFINIDA


Uma das ações mitigadoras mais esperadas do projeto do Novo Cais José Estelita, a demolição do Viaduto das Cinco Pontas, que faz a conexão do Cais com a Avenida Sul, na área central do Recife, segue indefinida. Tida como certa desde as primeiras negociações do projeto, a retirada do elevado poderá não acontecer.
A demolição do Viaduto das Cinco Pontas e a possibilidade de ela não se concretizar foi um dos assuntos questionados durante o anúncio do início das obras de construção do parque, ainda em maio de 2025. Agora, mais de um ano depois, o assunto segue em segredo na Prefeitura do Recife, com estudos da viabilidade técnica da demolição do elevado. O Consórcio não quis comentar o tema.
DEMOLIÇÃO DO VIADUTO É AÇÃO MITIGADORA E FOI EXIGIDA PELO IPHAN
A demolição do Viaduto das Cinco Pontas no Recife está prevista desde as primeiras tratativas do projeto do Novo Cais José Estelita, conhecido como Novo Recife e que propõe um novo redesenho da área central da cidade.
Confira imagens do projeto do Novo Cais:







E, o que é mais importante, foi uma exigência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) feita ainda em 2013 para que o Projeto Novo Recife fosse tirado do papel.
A intervenção previa a adequação do viaduto ao mesmo nível do pavimento da Avenida Sul,além da construção de uma nova alça de acesso à Praça Frei Caneca, que foi executada pela prefeitura em 2024.
Primeira construção do tipo na capital pernambucana, o elevado, que foi erguido no ano de 1970, teve sua demolição prevista em 2014, dentro do plano de diretrizes para redesenho do Projeto Novo Recife, que prevê a construção de 13 torres, além da requalificação urbanística do Cais José Estelita.
TÚNEL PODERÁ SER CONSTRUÍDO NO LOCAL
Se o plano de diretrizes para redesenho do Projeto Novo Recife for seguido à risca, a via que liga o Cais José Estelita à Praça das Cinco Pontas deve ser rebaixada, formando uma espécie de túnel sob a Avenida Sul, semelhante a diversas vias construídas em Brasília, por exemplo.
A construção de mais um túnel na cidade, entretanto, também gerou polêmica diante da possibilidade de inundação no empreendimento. Mas, apesar das críticas, o modelo de construção do eixo viário Cais José Estelita-Cinco Pontas teria sido pensado para evitar alagamentos.
Seria algo parecido com o que já existe em Brasília. O rebaixamento da via não aconteceria bruscamente, como no Túnel Josué de Castro, no Pina, mais conhecido como o túnel da Via Mangue, na Zona Sul do Recife, onde o motorista tem um descida e subida íngremes. A ideia é que o rebaixamento seja quase imperceptível, exatamente como no DF.













