Quem é Abelardo de la Espriella, novo presidente da Colômbia apoiado por Trump

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Quem é Abelardo de la Espriella, novo presidente da Colômbia apoiado por Trump


Advogado que defendeu paramilitares e narcotraficantes venceu eleição apertada e recebeu elogios de líderes da direita, incluindo Flávio Bolsonaro


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O advogado Abelardo de la Espriella, de 47 anos, foi eleito presidente da Colômbia no domingo (21) em uma das disputas mais apertadas da história recente do país, segundo a contagem preliminar da autoridade eleitoral.

Com 49,66% dos votos, ele superou o senador de esquerda Iván Cepeda, que obteve 48,70%, em uma diferença de pouco mais de 240 mil votos. O resultado ainda é acompanhado de contestação parcial da oposição e ocorre em meio a um ambiente político polarizado, com questionamentos sobre o processo de apuração.

De perfil outsider, sem trajetória prévia em cargos eletivos, De la Espriella assume o comando do país em 7 de agosto, após o governo do esquerdista Gustavo Petro.

Apoiado publicamente por Donald Trump, ele já é celebrado por uma onda de líderes de direita na região — entre eles o pré-candidato à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro (PL).

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Advogado de grandes casos e trajetória controversa

Antes de entrar na política, De la Espriella construiu carreira como advogado de clientes de grande visibilidade, incluindo figuras ligadas a escândalos de corrupção, paramilitarismo e narcotráfico, segundo registros de sua atuação profissional divulgados pela imprensa colombiana.

A trajetória jurídica, marcada por casos controversos, ajudou a consolidar sua visibilidade pública e sua imagem de defensor combativo, que mais tarde seria incorporada à sua campanha eleitoral.


IVAN VALENCIA/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O candidato Abelardo de la Espriella, durante a eleição presidencial em Barranquilla, na Colômbia – IVAN VALENCIA/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

“El Tigre” e a construção de uma marca política

Conhecido pelo apelido de “El Tigre”, o novo presidente colombiano transformou sua campanha em uma espécie de extensão de sua marca pessoal.

Comícios marcados por forte apelo visual, linguagem agressiva contra adversários e discursos de confronto com a esquerda ajudaram a consolidar sua ascensão eleitoral.

Ele se apresenta como defensor de uma agenda de segurança dura, com promessas de “mão de ferro” contra o crime organizado e revisão de políticas de paz adotadas após o acordo com as Farc.

Programa de governo: Estado menor e foco em segurança

Entre as principais propostas estão a redução do tamanho do Estado em até 40%, estímulo ao setor de petróleo e gás, corte de impostos e endurecimento das políticas de segurança pública.

De la Espriella também defende o fim de estruturas do acordo de paz, como o tribunal de transição criado após o pacto com as Farc em 2016, além de ampliar o combate direto a grupos armados.

No campo econômico, promete aproximar o país de uma agenda liberal, com foco em desregulação e fortalecimento do setor privado.

Apoio de Trump e eco na direita internacional

A vitória do colombiano foi celebrada por lideranças da direita na América Latina e ganhou projeção internacional após manifestações de apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o processo eleitoral.

O novo presidente também é citado como alinhado a figuras como Javier Milei (Argentina) e Nayib Bukele (El Salvador), com quem compartilha o discurso de endurecimento contra o crime e redução do Estado.

No Brasil, aliados do campo bolsonarista também reagiram positivamente ao resultado, incluindo o pré-candidato ao Senado Flávio Bolsonaro.

Congresso fragmentado e início de governo instável

Apesar da vitória apertada, De la Espriella inicia o mandato sem maioria consolidada no Congresso colombiano.

O cenário político fragmentado deve obrigá-lo a negociar com diferentes forças, incluindo o campo de esquerda, que mantém presença relevante no Legislativo.

Analistas locais também apontam desafios fiscais e alta dívida pública como obstáculos iniciais do novo governo.

Um presidente sem carreira política tradicional

Com 47 anos, dupla cidadania e atuação no setor privado, De la Espriella se apresenta como empresário e outsider político.

Ele afirma ter deixado uma vida confortável no exterior para disputar a Presidência e construiu parte de sua imagem pública associando política, negócios e presença midiática.

Sua eleição marca a continuidade de uma tendência regional de líderes com forte apelo de comunicação direta, discurso antissistema e plataformas de segurança como eixo central.

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