Revista Granta encerra parceria com prêmio após suspeita de IA em vencedor

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Revista Granta encerra parceria com prêmio após suspeita de IA em vencedor


A revista literária britânica Granta anunciou o fim de sua parceria com o Commonwealth Short Story Prize após um dos vencedores da edição de 2026 ser acusado de usar inteligência artificial.

“Em nome de nossa integridade editorial, o conselho do Granta Trust decidiu que nós não iremos mais participar de parcerias externas nas quais não tenhamos controle editorial”, afirmou o veículo em comunicado.

Desde 2012, a premiação reconhece contos de autores de países de língua inglesa, e a Granta os publica em seu site. A competição é aberta a inscrições de contos originais, e cinco vencedores regionais foram anunciados em maio: a sul-africana Lisa-Anne Julien, a indiana Sharon Aruparayil, o maltês John Edward DeMicoli, a neozelandesa Holly Ann Miller; e Jamir Nazir, de Trinidad e Tobago.

Nazir, autor do conto “The Serpent in the Grove” (a serpente no arvoredo, em tradução livre), foi quem teve o trabalho posto em questão. Ele e todos os outros premiados negaram ter usado IA, mas, após a publicação de sua história pela Granta, leitores levantaram suspeitas nas redes sociais.

Críticos apontaram no texto de Nazir construções frasais comuns em textos gerados artificialmente, como a estrutura “não é isso, mas aquilo”, listagens de três elementos e comparações metafóricas que faziam pouco sentido.

Em nota publicada em seu site, a Fundação Commonwealth, responsável pela premiação, apontou que cada vencedor é avaliado por pelo menos sete pessoas —entre leitores, tradutores e críticos literários— ao longo de várias etapas. Após a repercussão negativa, a organização abriu mais uma revisão dos textos vencedores.

Segundo Razmi Farook, diretor-geral da entidade, a investigação concluiu que não houve uso de IA em nenhum dos trabalhos premiados. A organização decidiu não recorrer a detectores automáticos de inteligência artificial por considerar que essas ferramentas não oferecem conclusões definitivas e põem em risco a propriedade intelectual de obras inéditas.

De acordo com Farook, a revisão incluiu conversas com os vencedores e análise de rascunhos, anotações e documentos com registros de data. “Após uma consulta minuciosa com nossos jurados e uma análise cuidadosa de todas as informações disponíveis, estamos convencidos de que a IA não foi usada para escrever as histórias vencedoras.”

Em entrevista ao jornal britânico The Observer, Nazir negou ter utilizado inteligência artificial. O escritor disse que escreve desde a infância e que produz seus textos inteiramente em um celular Android devido a problemas de saúde.

“É uma necessidade causada por condições crônicas de saúde que tornam fisicamente impossível me manter por longos períodos digitando sentado à mesa”, afirmou. “Dependo de reconhecimento de voz para escrever, seguido de uma edição mínima pelo teclado.”

Mesmo assim, após a polêmica, a Granta anunciou o fim da parceria com a premiação. “Os editores da Granta não participaram dos júris regionais do prêmio Commonwealth nem da seleção dos autores para as listas de finalistas”, reforçou a revista em nota.

A publicação informou ainda que manterá em seu site os contos já divulgados desta e de outras edições do prêmio.

Já a Fundação Commonwealth afirmou que respeita a decisão da Granta, mas tem confiança na integridade de seu processo de julgamento, informando que buscará novas plataformas para divulgar seus premiados.



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