A publicidade negativa, longe de enfraquecer o Met Gala deste ano, acabou reforçando sua relevância. Marcado por uma campanha de boicote e por questionamentos ao patrocínio de Jeff Bezos, o baile manteve seu papel como principal plataforma de visibilidade da moda global. Para o evento, a máxima “fale bem ou fale mal, mas falem de mim” nunca foi tão adequada.
As ações do grupo Everyone Hates Elon —ou todo mundo odeia Elon [Musk]—, ao tentar associar o evento a temas como desigualdade econômica e exploração do trabalho, especialmente em relação às condições na Amazon de Bezos, acabaram evidenciando que é justamente desse abismo —entre nós, mortais, e as supercelebridades que desfilam seus looks excêntricos— que o evento se alimenta.
Nesse contexto, o retorno de Beyoncé como uma das anfitriãs do evento, após uma década de ausência, ampliou ainda mais a expectativa em torno da noite. Sua trajetória no Met Gala é marcada por escolhas que frequentemente dividem opiniões, mas que invariavelmente geram repercussão.
Grande parte desses momentos esteve associada à Givenchy, grife com a qual construiu algumas de suas aparições mais memoráveis. De vestidos transparentes a peças em látex, Beyoncé consolidou-se como um dos principais vetores de impacto visual do evento.
Seu retorno, portanto, concentrou grande parte da atenção e ela foi ovacionada quando apareceu. Para a ocasião, apresentou um vestido com estrutura de esqueleto adornado por joias, em sintonia com a proposta do evento de tratar o corpo como objeto artístico. A aparição ficou ainda mais emotiva com presença da sua filha, Blue Ivy, de 14 anos, que estreou no evento.
No centro dessa engrenagem está Anna Wintour, que mais uma vez se vê nos holofotes —agora também impulsionada pela estreia de “O Diabo Veste Prada 2“, cuja personagem Miranda Priestly é amplamente associada à ex-editora da Vogue.
Wintour, que comanda o evento desde 1999, desempenha um papel crucial na manutenção do equilíbrio entre espetáculo e propósito institucional. Sob sua liderança, o baile não apenas arrecada cifras milionárias —fundamentais para o Costume Institute— como também redefine o status da moda dentro do museu. A inauguração das novas galerias Condé Nast —antes relagadas ao subsolo— na entrada principal simboliza essa virada.
O tema deste ano, “Costume Art”, reforça essa ambição ao propor a moda como fio condutor entre todas as formas de arte. Ao explorar diferentes corpos —do corpo gestante ao corpo com deficiência—, a exposição amplia o debate sobre representação e identidade.
Já o dress code do Met Gala, “Moda É Arte”, abriu espaço para interpretações que vão do literal ao performático, sugerindo um tapete vermelho potencialmente dominado por referências pictóricas e históricas. Nesse jogo simbólico, o peso dos patrocinadores é grande. Além de Bezos, a Yves Saint Laurent figurou como uma das apoiadoras, o que fez da grife a principal escolha das celebridades.
De Saint Laurent, Madonna apresentou um dos visuais mais teatrais: um vestido preto rendado, combinado a luvas longas, um chapéu em formato de navio e uma capa extensa, dividida em quatro partes e conduzida por assistentes.
Doja Cat, por sua vez, apostou em uma proposta monocromática em látex, com leitura próxima à ideia de escultura corporal, mas de impacto mais contido. Já Charli XCX também surgiu com Yves Saint Laurent, em um vestido preto de linhas mais discretas, que seria ideal para uma after party do Oscar, mas destoante do caráter mais performático esperado para o Met Gala.
As outras duas anfitriãs seguiram caminhos distintos. Nicole Kidman vestiu Chanel em um modelo vermelho com lantejoulas e acabamento em penas, de execução correta, mas sem muia inspiração. Já Venus Williams optou por um vestido de Swarovski que dialogava diretamente com a obra “Venus Williams, Double Portrait”, de Robert Pruitt.
Com um dos looks mais interessantes, Janelle Monáe vestia Christian Siriano que combinava materiais tecnológicos e orgânicos, explorando a relação entre natureza e tecnologia. A artista reforçou sua posição como uma das presenças mais consistentes do Met Gala. Frequentadora assídua há mais de uma década, a artista construiu um histórico de aparições que dialogam diretamente com os temas propostos. Ano passado, vestida de Thom Browne, ela deu uma aula de dandismo negro com um conjunto de duas peças que remetia à alfaiataria dos anos 1930 com precisão surrealista.
Outros nomes reforçaram a diversidade de interpretações do tema. Lisa e Naomi Osaka vestiram criações de Robert Wun, com construções que enfatizavam forma e textura. Jisoo apareceu com Dior inspirado em referências impressionistas, enquanto Sabrina Carpenter apresentou um vestido que incorporava elementos do cinema clássico, em uma homenagem ao filme “Sabrina”, com Audrey Hepburn.
Um outro grande destaque foi Emma Chamberlain. A influenciadora vestiu um modelo sob medida da Mugler, desenvolvido pelo diretor criativo Miguel Castro Freitas e pintado à mão pela artista Anna Deller-Yee. O vestido transformava o corpo em uma espécie de tela, com referências a pintores como Van Gogh e Munch, além de incorporar elementos do arquivo da marca, como o icônico vestido borboleta de 1997. Com cauda dramática e aplicação de penas, o resultado foi uma leitura literal da moda como espaço artístico.
Também houve espaço para abordagens mais performáticas e simbólicas. Sam Smith utilizou elementos teatrais em seu figurino, Kylie Jenner explorou ilusões de ótica com Schiaparelli, e Anne Hathaway apresentou um look com referência explícita à temática da paz.
Outros nomes recorrentes do Met Gala, como a supermodelo Gigi Hadid e a atriz Blake Lively, optaram por produções centradas no apelo de suas belezas, com menor aderência ao tema proposto.
A espera, como de costume, integrou o espetáculo. Rihanna surgiu no tapete vermelho do Met Gala já no fim da noite, mantendo o padrão de entradas tardias. Vestia um vestido longo de efeito metálico em tons de dourado e marrom, ricamente bordado e coberto por pedrarias, acompanhado de uma capa circular que emoldurava o corpo. Adereços dourados no cabelo completavam o visual, alinhado ao tema “Moda É Arte”.
No balanço final, o Met Gala mostra que críticas, boicotes e controvérsias não reduzem seu alcance. Ao concentrar atenção midiática, capital simbólico e financiamento institucional, o evento se mantém como referência central da indústria da moda. Consolidado no calendário e acompanhado tanto por fãs como por “haters”, o Met Gala prova que, na prática, é incancelável.

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