Análise: Emmy de ineditismos acerta com nomes femininos e recorde de ‘Widow’s Bay’

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Análise: Emmy de ineditismos acerta com nomes femininos e recorde de ‘Widow’s Bay’


Foi um belo Emmy, e foi uma lavada de “O Segredo de Widow’s Bay”. Em noite cheia de feitos inéditos, a principal premiação da TV americana consagrou na segunda (14) a série escrita por Kate Dippold, um misto de terror e comédia sobre uma ilhota assombrada cujo prefeito sonha em transformá-la em paraíso turístico, como a comédia mais premiada de todos os tempos.

A produção do Apple TV acumulou 14 estatuetas, uma a mais que a de “O Estúdio“, título da mesma plataforma que conquistara esse recorde no ano passado.

Entre os prêmios estão os de série cômica, ator em comédia (Matthew Rhys), atores coadjuvantes em comédia (Kate O’Flynn e Stephen Root), atriz convidada (Betty Gilpin), roteiro (Dippold), direção (Hiro Murai) e elenco.

O resultado catapultou o Apple TV para o topo do pódio das plataformas, com 28 estatuetas (29 se contado um comercial), seguida pelas 21 da HBO Max e as 19 da Netflix, antes hegemônicas.

É uma boa notícia para os acionistas da empresa californiana, que ante o retorno modesto vinham questionando o alto investimento da fabricante de eletrônicos em produções caras.

A metade dos troféus do Apple TV que não ficou com “Widow’s Bay” foi principalmente para o drama “Pluribus“, que arrematou seis com a história sobre uma escritora navegando um mundo onde todas as demais pessoas compartilham de uma mesma consciência, sem vontade nem ideias próprias, e para “DTF St Louis”, que levou sete ao contar a amizade profunda entre dois homens solitários e a infeliz mulher entre eles —incluindo melhor minissérie ou série de antologia.

Apesar de ter enfileirado prêmios, entre eles os de roteiro e atriz (Rhea Seehorn), “Pluribus”, assinada pelo mesmo Vince Gilligan da magistral “Breaking Bad”, não ganhou o de melhor drama.

Este foi mais uma vez para “The Pitt”, a série hospitalar da HBO Max que emula hora a hora o dia em um hospital caótico em Pittsburgh. Noah Wyle, o protagonista, também foi contemplado.

Os demais prêmios principais de atuação somaram ineditismos.

O galês Matthew Rhys se tornou a primeira pessoa a receber no mesmo dia dois Emmy principais de atuação, em drama e em minissérie (este, pelo antagonista de “O Monstro em Mim”), e o primeiro a ter na prateleira troféus das três categorias titulares de atuação, minissérie, comédia e drama (o último foi conquistado em 2018 por “The Americans”).

Jean Smart emendou seu quinto Emmy pelo papel de Deborah Vance —ela nunca perdeu como a atriz veterana que dá uma reviravolta na carreira ao se unir a uma jovem roteirista em “Hacks”— e seu oitavo ao todo, mesma marca alcançada nesta segunda (14) por Allison Janney com seu papel de coadjuvante e “A Diplomata”.

As duas agora detêm a maior quantidade de Emmys de interpretação já alcançada, empatadas com Cloris Leachman (1926-2021) e Julia Louis-Dreyfus.

A consagração de tantas atrizes veteranas é, infelizmente, pouco comum. Além dos trunfos de Smart, que abocanhou um dos únicos dois prêmios de “Hacks” em sua temporada derradeira, e de Janney, Sally Field venceu como melhor atriz em filme ou minissérie por “Criaturas Extraordinariamente Brilhantes”.

Apesar dos muitos ineditismos, a premiação da noite de segunda não surpreendeu. A superioridade do trabalho de Dippold, uma costura precisa e harmônica entre o medo e o humor, estava dada pelas respostas tanto da crítica quanto do público.

“The Pitt” também era favorita, ainda que “Pluribus” pudesse, com sua proposta mais original, ter chegado em primeiro. E “DTF” é uma porrada dramatúrgica, uma série que caminha com delicadeza entre a melancolia e o sarcasmo ao tratar de solidão e da mediocridade da vida.

Linda Cardellini e David Harbour, que encabeçam o elenco da minissérie com Jason Bateman, poderiam ter levado prêmios principais, mas a produção preferiu inscrevê-los como coadjuvantes para não ter de hierarquizar os três atores. Foram contemplados.

Foi prazeroso constatar que as duas melhores séries do ano —”Widow’s Bay” e “Fúria”, que, pela data de lançamento, só podem concorrer em 2027— são assinadas por mulheres (Liz Meriwether responde por “Fúria”) diante de uma ainda reticente dominância masculina.

Outras duas campeãs “Pluribus” e “Hacks”, foram criadas em torno de suas protagonistas femininas, algo ainda mais raro.

Este Emmy recompensou também a originalidade, deixando em segundo plano as tramas e linguagens batidas e as repetições de fórmulas que costumavam dominar as listas de vencedores.

E deu sua alfinetada no governo Donald Trump, com elogios ao Canadá nos discursos (o país refutou as ameaças de Washington e revidou com as próprias sanções) e a distribuição de múltiplas estatuetas para o show do porto-riquenho Bad Bunny no intervalo do Superbowl e para o finado “Late Show com Stephen Colbert”, dois alvos do atual ocupante da Casa Branca, avesso a críticas.

Foi um cutucão discreto, mas certeiro.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *