A pior seca do Nordeste

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A pior seca do Nordeste



Com 91% do território estadual sob estiagem, os pernambucanos amargam o maior percentual de área atingida na região – e com mais intensidade

Por

JC


Publicado em 20/08/2026 às 0:00

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No final de junho, o governo estadual decretou situação de emergência em 75 municípios pernambucanos. No final do ano passado, a condição foi posta para 107 municípios. Nos dois casos, o motivo era o mesmo: falta de chuvas provocando estiagem. De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a seca em Pernambuco piorou em julho, ampliando em 10% o alcance territorial e chegando a 91% da área do estado. É o maior percentual entre os estados nordestinos, e também apresenta a seca mais grave na região, segundo a agência, mesmo em relação à Bahia, Paraíba e Alagoas, que também mostraram avanço na seca nos últimos meses.
A Barragem de Jucazinho ilustra o quadro de alerta. O principal reservatório de água no Agreste setentrional, abastecendo 13 cidades, está com menos de 4% da capacidade, já se enquadrando em nível de colapso. E há outros 22 reservatórios em colapso no estado, a maioria no Sertão, especialmente na Bacia do Pajeú. O litoral está fora de risco, tendo registrado fortes chuvas recentemente – mas na maior parte de Pernambuco, a seca e as mudanças climáticas assustam, e causma prejuízos naturais, ambientais e econômicos. Não é de hoje: estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostrou que se perdeu 20% da área de cultivo em Pernambuco, entre 2013 e 2022, devido a eventos climáticos. Dos mais de R$ 100 bilhões em prejuízos estimados na seca de 2012 a 2015 na região Nordeste, apenas a pecuária pernambucana perdeu R$ 1,5 bilhão.
A seca não poupa os nordestinos. A Bahia tem 90% do território afetado, na maior intensidade desde fevereiro. No Piauí, o comprometimento é de 88%. Na Paraíba, a área atingida é de 85%, em dados de julho, depois de ter batido em 100% em março. No Rio Grande do Norte, o percentual é de 79%, e Alagoas, de 66%. Até Sergipe, que tinha 12% do território com estiagem em junho, pulou para 49% em julho, no maior salto na região. O Ceará exibe 30% de área tomada pela estiagem, e o Maranhão, 45%. Nessa situação geral preocupante, os pernambucanos sofrem mais, pela extensão e pelas consequências acumuladas.
A chegada do El Niño e seu desenvolvimento nos próximos meses apontam para um período de alerta, no Brasil e em outros países. O fenômeno climático mais forte projeta o agravamento das secas no planeta. O que já vem sendo observado em alguns locais. Em Honduras, na América Central, foi declarado alerta em 80% do território, inclusive a capital, em virtude da seca. A maior parte do país enfrenta privações e prejuízos decorrentes do baixo nível dos reservatórios de água, da perda total ou parcial de safras e da morte de muitos animais. A vida sufoca na crise hídrica. Em Tegucigalpa, a capital com 1,7 milhão de habitantes, o alerta é máximo, assim como em outros 75 municípios hondurenhos.
Os distúrbios globais no clima pedem cada vez mais medidas de resiliência e planejamento voltado para a escassez do recurso hídrico. A iniciativa para cuidar da questão cabe aos governos, em todos os níveis, que precisam se articular pelo bem comum ameaçado pelas mudanças climáticas.



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