Ao expor que os episódios ocorreram dentro da estrutura do governo, a primeira-dama provocou uma reflexão sobre a eficácia dos mecanismos de controle
JC
Publicado em 03/03/2026 às 23:52
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A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, trouxe a público um relato contundente sobre a persistência da violência de gênero em espaços de poder. Durante sua participação no programa Sem Censura, nesta terça-feira (3), ela afirmou ter sido vítima de assédio em duas ocasiões distintas desde o início do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A declaração foi feita em um contexto de debate sobre a vulnerabilidade feminina, no qual Janja ressaltou que a posição que ocupa não a protege de comportamentos abusivos. Segundo a primeira-dama, a sensação de insegurança é uma constante na vida das mulheres brasileiras, afirmando categoricamente que não se sente segura em lugar nenhum. O depoimento pessoal foi utilizado como uma ferramenta política para ilustrar que o assédio é um problema estrutural que permeia todas as esferas da sociedade, incluindo o núcleo do Poder Executivo.
“Eu, como primeira-dama, não tenho segurança no lugar onde estou e em nenhum lugar”, disse Janja. “Eu posso dizer que já fui assediada nesse período duas vezes. Eu sendo primeira-dama, estando em lugares que eu acho que são seguros e, mesmo assim, fui assediada”.
Ao expor que os episódios ocorreram dentro da estrutura do governo, a primeira-dama provocou uma reflexão sobre a eficácia dos mecanismos de controle e a cultura institucional nos órgãos públicos. Embora não tenha detalhado os nomes dos envolvidos ou as circunstâncias específicas das agressões, seu discurso sinalizou uma cobrança por mudanças de postura e pela implementação de políticas de proteção mais rigorosas.
FEMINICÍDIO
Janja vai promover, com o governo brasileiro, o combate ao feminicídio nas Nações Unidas durante a 70.ª Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW70).
A principal reunião feminina da ONU ocorre em Nova York, nos Estados Unidos, entre 9 e 19 de março, e contará também com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, à frente da comitiva e dos preparativos.
O presidente Lula reuniu, no início deste mês, algumas das principais autoridades da República para uma cerimônia de assinatura de um pacto de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher. Na prática, poucas medidas novas foram anunciadas. O evento teve caráter simbólico, funcionando como uma espécie de compromisso dos chefes dos Três Poderes com ações de enfrentamento aos crimes de gênero. O governo tem pautado a violência contra as mulheres como agenda prioritária.

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