Incertezas da disputa eleitoral e insegurança no ambiente externo surgem no horizonte do novo ano, com previsão de crescimento modesto do PIB
JC
Publicado em 27/12/2025 às 0:00
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Na transição do fim de um ano para o começo de outro, além do impulso retrospectivo de avaliação sobre o que passou, são criadas expectativas acerca do que vem pela frente – que se descortina e se põe no caminho em poucos dias, para o trajeto dos próximos doze meses. Em ano eleitoral como 2026, num país atravessado por ciclos de instabilidade como o Brasil, os cenários projetados costumam acompanhar a rota dos ventos da conjuntura, especialmente das incertezas que se sobrepõem até mesmo às tendências da economia. Por medo ou precaução, as previsões estabelecem um compasso de espera que desempenha papel importante no freio do desenvolvimento, enquanto a realidade política para os próximos quatro anos não estiver definida, ou ao menos com a direção sinalizada.
Na última quinta-feira, o Banco Central divulgou a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para o ano que vem, de apenas 1,6%. Se confirmado ao final de 2026, representará o valor mais baixo desde a recessão gerada pela pandemia, em 2020, quando o PIB recuou mais de 3%. Desde 2022, o Brasil vinha apresentando um crescimento anual do PIB acima de 3%, que deve cair para 2,3% este ano, e perder ainda mais velocidade no ano que vem, de acordo com as projeções. Na explicação oficial para a redução da expansão econômica, um dos principais fatores é a manutenção do patamar elevado de juros para controle da inflação.
A taxa Selic de 15% ao ano é a maior em duas décadas. Mesmo que a Selic baixe um pouco, dificilmente o crescimento econômico deixará o viés de queda – pois no ano eleitoral para a presidência da República, governos estaduais, Congresso e assembleias, a tradição nacional é parar tudo para ver o que acontece, sobretudo em Brasília. Além disso, pode levar um ano e meio até que um corte nos juros resulte em repercussões positivas na economia.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil (CNA), a combinação da âncora dos juros com as eleições é suficiente para segurar o crescimento econômico. No caso da indústria de transformação, a estimativa da CNI é de crescimento de 0,5% em 2026, puxando para baixo a performance industrial. O PIB agropecuário, por sua vez, deve crescer acima de 2%, mas trata-se de uma diminuição significativa em comparação com o salto de 8,3% estimado para este ano.
A saída do ministro Fernando Haddad do governo, cogitada para fevereiro, e a possível renovação da polarização na campanha, ou ainda na pré-campanha, fazem os setores produtivos e investidores temerem pela adoção de medidas populistas, com alto teor de impacto fiscal para 2027. Assim, o futuro desenhado para 2026 já entra em suspensão, de partida, pelas dúvidas trazidas por desdobramentos políticos imprevisíveis. Para completar o quadro nebuloso, a conjuntura global é ainda mais incerta, com potencial para afetar tanto a economia, quanto a eleição no Brasil.
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