Jaime Ribeiro, CEO e cofundador da Educa, revela como, na área da educação, poucas palavras são tão mal compreendidas quanto o não
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A escola boa é aquela que sabe dizer não. Na educação, poucas palavras são tão mal compreendidas quanto o não. Para muitas famílias, receber um não da escola pode soar como frieza, rigidez ou até desinteresse pelo bem-estar do aluno.
Mas, na verdade, o não da escola pode ser um dos maiores atos de amor que uma instituição oferece. Não apenas no sentido pedagógico, mas no sentido emocional e humano. Algumas famílias vivem presas em ciclos de dificuldade em dizer não. Entre os próprios adultos, há dificuldade de impor limites.
Entre pais e filhos, muitas vezes reina uma lógica de agradar, de ceder, de não frustrar. O resultado é que, em vez de educar, criam-se dinâmicas de permissividade que enfraquecem a autonomia das crianças e aumentam sua ansiedade.
Nesse cenário, o não da escola se torna um último recurso de cuidado, uma intervenção de saúde mental que pode ajudar toda a comunidade escolar a reencontrar equilíbrio.
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O ‘Não’ como ato de autoamor e clareza pedagógica
O psicólogo Rossandro Klinjey, meu amigo e cofundador da Educa, costuma dizer que apenas as pessoas que não se amam dizem sim para tudo. Essa frase, que ecoa tanto na vida pessoal quanto no contexto educacional, nos lembra de que o não não é um ato de rejeição.
É um ato de autoamor. A escola que sabe dizer não demonstra que tem clareza em suas escolhas pedagógicas e coragem para sustentar o que acredita ser o melhor para a formação de crianças que precisarão viver em um mundo confuso e imprevisível.
Quando a escola precisa limitar expectativas irreais
Certo dia visitei uma escola parceira da Educa e encontrei a diretora bastante nervosa. Ela havia acabado de receber uma mãe que foi até a coordenação porque o filho estava muito triste já que não conseguia fazer gol nas aulas de educação física.
A mãe queria que a escola resolvesse aquilo, quase como se fosse possível criar uma fórmula mágica para garantir que a criança se tornasse artilheira. Percebi o quanto essa diretora carregava o peso de uma expectativa impossível. O que estava em jogo ali não era um problema pedagógico, mas a dificuldade de uma família em lidar com os limites e as frustrações naturais da vida.
Em outra ocasião, conversando com uma mantenedora de uma de nossas escolas parceiras, ela me contou de um episódio delicado. Uma mãe havia chegado exigindo que a escola obrigasse a família de uma aluna a convidar sua filha para uma festa de aniversário.
A menina estava muito triste porque não havia sido incluída, e a mãe dizia que se a escola não resolvesse aquilo, retiraria a filha da instituição. Essa gestora, com serenidade, explicou que a escola não poderia interferir em decisões privadas das famílias, mas que poderia sim acolher a criança, ajudá-la a lidar com a frustração e fortalecer sua autoestima.
Acolher sem eliminar é papel da escola
Trago esses relatos porque eles mostram como, muitas vezes, a escola é vista como a responsável por resolver todas as dores das crianças e das famílias. Mas nem sempre é o papel dela eliminar a tristeza. Muitas vezes, seu papel é acolher e, ao mesmo tempo, sustentar o não que educa.
Nessas situações, o não da escola foi um ato de proteção. Dizer não foi ensinar àquelas famílias que nem tudo pode ser resolvido pelo ambiente escolar. Foi lembrar que a vida é feita de vitórias e derrotas, de inclusões e exclusões, de experiências de alegria e decepção.
É justamente atravessando essas situações que as crianças aprendem resiliência, desenvolvem tolerância à frustração e constroem recursos internos para enfrentar um mundo que não garante vitórias nem convites para todos.
Winnicott e a frustração como vacina psicológica
O pediatra e psicanalista Donald Winnicott já havia ensinado que o limite é parte fundamental do cuidado. Para ele, a função parental e educativa envolve não apenas acolher e nutrir, mas também frustrar de forma adequada.
Frustração não é crueldade, é uma necessidade para que a criança desenvolva tolerância, resiliência e senso de realidade. Uma escola que nunca diz não rouba da criança a chance de aprender a lidar com frustrações menores agora para enfrentar frustrações maiores no futuro.
O limite oferecido no ambiente escolar é uma vacina psicológica contra um mundo que, inevitavelmente, dirá muitos nãos ao longo da vida adulta.
Limites claros e a saúde mental coletiva
Falar de saúde mental na escola não pode se restringir apenas a alunos. A comunidade escolar é um ecossistema que envolve professores, gestores, famílias e funcionários.
Todos sofrem os impactos da aceleração do tempo, das redes sociais, da sobrecarga de demandas e da fragilidade dos vínculos. Estudos recentes mostram que a ausência de limites claros aumenta os índices de ansiedade em crianças e adolescentes.
Uma pesquisa publicada no Journal of Child and Adolescent Psychology apontou que ambientes educativos que evitam a frustração contribuem para alunos menos preparados para lidar com adversidades. O mesmo se observa em contextos familiares, quanto menos se diz não, maior a dificuldade emocional diante de contratempos.
Nesse sentido, o não da escola é uma medida de saúde mental coletiva. Ele organiza expectativas, protege professores de pressões insustentáveis, ajuda pais a reverem práticas em casa e ensina crianças a viverem com mais maturidade. Escolas que se posicionam de forma clara em relação às suas práticas pedagógicas transmitem confiança
Elas não mudam de direção a cada reclamação. Não negociam princípios. Sabem que a função maior é formar cidadãos e não apenas agradar clientes. Isso exige coragem.
Em um mercado educacional competitivo, ceder parece mais fácil. Mas é justamente a firmeza amorosa que constrói reputação e cria vínculos duradouros com as famílias. Pais e mães podem até resistir ao não no início, mas com o tempo percebem que ele é sinal de cuidado.
O ‘Não’ que liberta, protege e prepara
O não bem sustentado é libertador. Ele diz à família que existe um projeto pedagógico sólido, que não se curva a pressões momentâneas porque está comprometido com algo maior, o desenvolvimento integral da criança. Quando a escola diz não, ela não está fechando portas.
Pelo contrário, está abrindo caminhos. O não protege, educa e prepara. Ele impede que uma criança ou uma família caia na armadilha de acreditar que o mundo sempre dirá sim. Amor não é ceder a tudo. Amor é cuidar, orientar e proteger.
É sustentar escolhas mesmo quando elas causam desconforto imediato. E é justamente aí que o não da escola se torna mais do que pedagógico, ele se torna um ato de amor ativo.
A responsabilidade da escola em um mundo imprevisível
Vivemos em um mundo imprevisível, acelerado, cheio de riscos e incertezas. A escola tem a responsabilidade de preparar as novas gerações para esse cenário. Isso significa ensinar conteúdos, mas também oferecer limites, construir vínculos e cuidar da saúde emocional da comunidade.
O não, nesse contexto, é um recurso vital. É sinal de que a escola se ama o suficiente para sustentar suas práticas, que o gestor se vê como guardião das escolhas pedagógicas e que a comunidade pode confiar naquele projeto.
Se Winnicott nos ensinou que a frustração educa e Rossandro Klinjey nos lembra que só quem não se ama diz sim para tudo, então cabe à escola fazer do não um ato de amor. E cabe a nós, como sociedade, aprender a valorizá-lo.
Sobre o JC Educação

Jaime Ribeiro, CEO e cofundador do Educa, palestrante e especialista em relações humanas na era digital – Divulgação
No próximo dia 11 de setembro, Jaime Ribeiro estará no evento JC Educação – Saúde Mental da Escola: Um Desafio Coletivo, onde vai tratar desses e de outros temas para a comunidade escolar do Recife.
O encontro vai ocorrer no auditório do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, no bairro de Santo Amaro, área central do Recife.
O evento será apresentado por Mirella Araújo, titular da coluna Enem e Educação do JC. Além de Jaime, também estarão presentes:
- Rossandro Klinjey – Psicólogo, palestrante e consultor em Educação e Desenvolvimento Humano.
- Gilson Monteiro – Secretário de Educação de Pernambuco.
- Cecília Cruz – Secretária de Educação do Recife.
*Jaime Ribeiro, CEO e cofundador da Educa
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