TRANSPORTE PÚBLICO
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Nova gestão da NTU, eleita em abril, alertou que as cidades brasileiras poderão entrar em colapso com o avanço do transporte individual no País
Roberta Soares
Publicado em 28/05/2025 às 11:38
| Atualizado em 28/05/2025 às 11:42
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O Brasil é coletivo. Com essa frase, dita, escrita em todos os lugares e repetida diversas vezes, o setor de transporte público urbano do País anunciou uma nova estratégia nacional para enfrentar a depreciação estrutural, mas principalmente moral, que os sistemas brasileiros de ônibus urbano têm vivido nas últimas décadas. E que tem sido ainda mais potencializada pela explosão do transporte individual, especialmente com a expansão, desde o fim de 2021, do serviço de aplicativos com motos, como o Uber e o 99 Moto, já presentes em quase 4 mil cidades sem qualquer tipo de regulamentação e com poucas reações contrárias.
A promessa, agora, é que o setor irá se articular politicamente e lutar ainda mais publicamente, saindo da passividade que sempre o caracterizou, contra a já histórica ausência de políticas públicas nacionais que incentivem a melhoria da operação dos ônibus urbanos e da infraestrutura de transporte – leia-se aqui principalmente corredores e faixas exclusivas – nas médias e grandes cidades brasileiras.
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Pelo menos esse foi o recado repassado nesta terça-feira (27/5), durante evento realizado em Brasília para apresentação da nova direção da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). O encontro, que reuniu empresários do setor em todo o País, autoridades do Executivo, Legislativo, parlamentares e especialistas em mobilidade urbana, foi apresentado como o início de um novo ciclo voltado ao fortalecimento do transporte público como política de Estado e instrumento essencial para a sustentabilidade e qualidade de vida das cidades.
E na linha de frente desse novo momento – responsável pela articulação política para reerguer e moralizar política e socialmente os sistemas de ônibus do País – está Edmundo Pinheiro, eleito presidente do Conselho Diretor da NTU. Pinheiro é empresário do setor com atuação no transporte público de Goiânia (GO) e muito respeitado no setor, já sendo integrante do conselho da entidade, que reúne os operadores de ônibus urbano coletivo do Brasil.
CIDADES VÃO ENTRAR EM COLAPSO COM O AVANÇO DO TRANSPORTE INDIVIDUAL

A apresentação das prioridades do setor de transporte para a gestão 2025–2027, com foco em recuperação da demanda, frota, infraestrutura e sustentabilidade, aconteceu em Brasília – BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
No evento, a nova gestão da NTU alertou que as cidades brasileiras estão à beira do colapso devido à explosão e prioridade que o transporte individual tem ganhado no País, principalmente pós pandemia de covid-19. E para embasar esse risco de colapso caso o modelo baseado no transporte individual continue avançando, relembrou dados da Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana 2024, que aponta que os deslocamentos por carros e motos ultrapassaram, pela primeira vez na história do País, os realizados por ônibus, em algumas capitais.
“Sem o resgate do transporte público coletivo o Brasil vai parar. Nossas cidades vão colapsar. Nosso objetivo é servir à mobilidade urbana das cidades e reforçar que, só com o transporte coletivo, é possível avançar de forma sustentável e justa socialmente. Precisamos de cidades feitas para as pessoas e, não, para os carros, como temos visto o Brasil caminhar. Não há cidades sustentáveis sem transporte coletivo eficiente. Por isso estamos nessa busca para ressignificar o setor. Porque o Brasil é e precisa ser coletivo”, destacou Edmundo Pinheiro.
Uma das principais metas prometidas pela NTU é buscar a recuperação integral da demanda de passageiros registrada antes da pandemia – quando os sistemas chegaram a ter uma queda superior a 80% no País -, investindo na ampliação da oferta de serviços, conforto, segurança e eficiência. Outro objetivo é a separação das tarifas pública (cobrada do passageiro) e técnica (que de fato cobre o custo da operação) como forma de fortalecer as empresas e garantir o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de operação. E, ainda, a implementação de políticas públicas que desonerem o impacto das gratuidades, hoje responsáveis por 22% do custo médio das tarifas do setor.
A adoção de subsídios públicos aos passageiros pagantes como uma política permanente para assegurar tarifas públicas mais acessíveis é um dos pontos defendidos pelo setor há anos e que agora, com a nova gestão, ganhará um fôlego maior. Atualmente, existem 395 cidades que têm subsídio para o transporte coletivo, mas apenas 148 adotam a separação tarifária, prevista na Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU). Segundo o IBGE, o Brasil possui 2.703 municípios atendidos por serviços organizados de transporte público por ônibus.
CRÍTICAS AO MODISMO DA ELETRIFICAÇÃO ANTES DE OUTRAS PRIORIDADES

A apresentação das prioridades do setor de transporte para a gestão 2025–2027, com foco em recuperação da demanda, frota, infraestrutura e sustentabilidade, aconteceu em Brasília – BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
A entidade também fez críticas à onda da eletrificação do transporte urbano coletivo vivenciada no Brasil, principalmente em São Paulo, afirmando que coisas básicas, como infraestrutura de corredores e faixas exclusivas, linhas de financiamento para renovação da frota de ônibus e políticas públicas que sustentem a operação eficiente, deveriam estar em primeiro lugar, antes da eletrificação.
“É preciso frear esse avanço e promover uma transição que vá além da questão energética. Trata-se de uma transição modal, que reposicione o transporte coletivo como eixo central do planejamento urbano”, defendeu.
Outro eixo de atuação da nova gestão da NTU será o estímulo à aquisição de novos veículos, com metas que retomem os volumes históricos das frotas de ônibus e promovam a modernização do serviço. “A meta é superar 13 mil ônibus adquiridos por ano no transporte coletivo das cidades brasileiras, aproveitando a capacidade instalada da indústria nacional”, explicou Edmundo Pinheiro. Vale ressaltar que a mesma Pesquisa CNT de Mobilidade da População Urbana 2024 revelou, também, que a frota de ônibus do Brasil nunca foi tão velha.




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