O ônus da força é a desvantagem que um grupo possui por ter vantagem demais. Isso gera preocupação em aliados que temem perder espaço e poder.
Publicado em 21/03/2025 às 20:00
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O “ônus da força” é algo que poderia ser estudado com mais profundidade na ciência política, até para entender se é um dispositivo não formulado para a manutenção da democracia ou se é uma trava para o desenvolvimento regional. O ônus da força é a desvantagem que um grupo político possui por ter vantagem demais. Isso gera preocupação em aliados que não querem dar espaço nenhum a quem já tem vantagem. É o medo de alimentar o que pode lhe engolir. Esse paradoxo está presente em diversas situações do cotidiano político. Um exemplo é a Família Coelho, do Sertão de Pernambuco.
Coelho
O núcleo mais forte do grupo é comandado hoje por Miguel Coelho (UB), ex-prefeito de Petrolina, que deixou o cargo com uma avaliação tão alta ao ponto de se lançar ao Governo do Estado em 2022. Hoje coloca-se como candidato ao Senado em 2026. Aos poucos ele assumiu o posto de liderança que foi do pai, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB). A verdade é que nada acontece no Sertão do São Francisco sem passar pelos Coelho.
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Perfil
Não se trata de coronelismo, uso de força bruta ou coisa que o valha. O povo daquela região tem uma relação de muita cumplicidade com o desenvolvimento gerado por pessoas que carregam o sobrenome, principalmente no que diz respeito à irrigação e à fruticultura. Os Coelho, principalmente os filhos de FBC, são conhecidos no meio político também por serem muito bem preparados intelectualmente e bons articuladores. Esses atributos poderiam dar-lhes uma influência formidável no ambiente partidário. Mas, já faz tempo, eles não conseguem nem um partido para comandar em Pernambuco.
MDB
A primeira tentativa de assumir um protagonismo partidário efetivo aconteceu em 2017, quando o senador Fernando Bezerra se filiou ao MDB e lutou por meses com o então deputado Jarbas Vasconcelos (MDB) para tentar assumir a sigla no estado. Na época, o MDB era o que tinha maior tempo de TV no país. A artilharia foi pesada, FBC se filiou, fez acordos com a executiva nacional. Mas Jarbas e o presidente estadual do partido, Raul Henry, perceberam o problema, resistiram com um empenho de sobrevivência impressionante. A força dos Coelho, tanto pela influência eleitoral como pelos contatos em Brasília, iria fazer com que os emedebistas antigos fossem engolidos. A disputa parou na Justiça e virou uma novela não concluída até hoje.
Espaço
Em Pernambuco, mesmo que tenham assumido cargos importantes em secretarias, principalmente no governo Eduardo Campos, sempre houve receio e um imenso cuidado com o espaço destinado a eles. Os Coelho são essenciais na hora de entregar votos do Sertão, mas suscitam uma preocupação nos aliados: a de que basta entregar meio metro de palco para que eles assumam protagonismo e tomem o controle de todos os holofotes, apagando o restante do elenco inteiro. O ônus da força acaba atuando nessas horas. Para alguns, nem meio metro de palco, ou haverá problemas.
União
Agora, quando finalmente Miguel Coelho assumiu a presidência do União Brasil em Pernambuco, uma nova reviravolta chamou a atenção. É que, nacionalmente, o União e o Progressistas decidiram formar uma federação. Os dois partidos vão atuar como se fossem um só em todos os estados. E o comando, em Pernambuco já ficou decidido, será do PP. Quem decide para onde o partido vai no estado é Eduardo da Fonte, presidente estadual do PP, e não o presidente do União Brasil Miguel Coelho. A decisão atendeu a um critério utilizado em todo o país e não tem nada a ver, diretamente, com Miguel, os Coelho, ou com o cenário local. Mas fez um monte de gente respirar mais aliviado nos bastidores.
O justo
E aí, fica a questão inicial: até que ponto o ônus da força acaba funcionando como instrumento de proteção democrática real, e em que medida deixa de ser isso para se transformar e reserva de mercado e trava às potencialidades que poderiam ajudar no desenvolvimento da economia, da sociedade e da própria atividade partidária? Nesse meio não tem santo e os milagres são todos formulados para campanhas eleitorais. Mas é preciso perceber melhor o ônus da força para evitar injustiças e ajudar a oxigenar a política.
Exemplo
A própria Raquel Lyra, atual governadora de Pernambuco, foi uma vítima, que conseguiu romper essa barreira. Para quem não lembra, Raquel saiu do PSB em 2016 quando os socialistas perceberam a intenção dela, considerada forte, de ganhar protagonismo. Tentaram isolá-la para que não tivesse chance de crescer, mas era tarde. O ônus da força, naquela ocasião, quase a enterrou. Raquel entrou no PSDB e foi candidata à prefeitura de Caruaru pela primeira vez, vencendo a disputa. Depois tirou o próprio PSB do Palácio do Campo das Princesas.
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