Retóricas inflamadas, debates ideológicos e batalhas narrativas perdem força quando confrontados com a dura realidade da carteira do cidadão
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Em 1992, o estrategista político James Carville sintetizou uma das maiores verdades da economia política na célebre frase que marcou a campanha presidencial americana de Bill Clinton: “It’s the economy, stupid” (“É a economia, seu Idiota”). A máxima reflete uma constante histórica em democracias maduras e emergentes: retóricas inflamadas, debates ideológicos e batalhas narrativas perdem força quando confrontados com a dura realidade da carteira do cidadão. O eleitor vota, prioritariamente, com o bolso.
Em um ano eleitoral, a deterioração das condições de vida das famílias e o esgotamento do poder de compra costumam ser o fator determinante para a derrota de governos que falham na gestão macroeconômica.
O cenário econômico brasileiro em 2026 desenha um quadro desafiador para a tentativa de reeleição do atual governo, fruto direto da opção reiterada por uma política de expansão fiscal desenfreada e de estímulo inconsequente ao crédito. Na tentativa de gerar um crescimento populista de curto prazo, a gestão pública expandiu gastos e concedeu benefícios sem a devida contrapartida de receitas ou cortes de despesas estruturais. O resultado desse descalabro foi o descontrole absoluto das contas públicas, levando a Dívida Bruta do Governo Geral a atingir a marca de R$ 10,9 trilhões, o equivalente a alarmantes 82,5% PIB, um patamar crítico que se aproxima dos níveis observados no auge da pandemia, mas sem qualquer emergência sanitária que o justifique.
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Essa escalada trágica do endividamento público minou a credibilidade fiscal do país, elevando o prêmio de risco exigido pelos investidores e forçando o Banco Central a manter a taxa Selic em patamares fortemente restritivos. O efeito colateral dessa manutenção de juros altos incidiu pesadamente sobre quem produz e quem consome. O crescimento que foi inflado artificialmente via gastos do Estado revelou-se um voo de galinha, cobrando agora uma fatura amarga: a inflação acumulada ao longo da gestão rodou significativamente acima da trajetória da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), atuando como um imposto perverso e invisível que corroeu o salário real dos brasileiros.
No balanço do orçamento doméstico, o impacto da má gestão é devastador. Segundo os dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o endividamento das famílias brasileiras alcançou a marca histórica de 82%, com aproximadamente 30% dos lares em estado de inadimplência severa. A população encontra-se asfixiada pelo custo do crédito, pelos juros rotativos e pelas altas acumuladas em itens básicos de sobrevivência, como alimentos consumidos em casa, energia elétrica, combustíveis, aluguéis e planos de saúde. Quando o cidadão compromete a maior parte de sua renda apenas para tentar fechar as contas do mês, a percepção de empobrecimento se sobrepõe a qualquer peça de marketing eleitoral governista.
Paralelamente, o setor produtivo nacional padece com a restrição de crédito e a queda da demanda, o que se traduz num crescimento fraco do PIB ao longo deste ano, principalmente, quando os efeitos do voo de galinha começam a passar, no aumento das recuperações judiciais e na natural desaceleração da geração de empregos de qualidade. A história política nos ensina que governos perdem eleições quando a população sente que o seu padrão de vida retrocedeu e a esperança de progresso sumiu.
Sem um compromisso com a responsabilidade fiscal para promover a queda estrutural dos juros e domar de fato o custo de vida, a atual gestão enfrenta uma barreira de rejeição que poderá custar a reeleição. O eleitor pode até tolerar tropeços institucionais, mas raramente perdoa quem destrói o seu poder de compra. No silêncio da cabine de votação, a voz do bolso falará mais alto.














