Desinteresse recorde pelo voto

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Desinteresse recorde pelo voto


Com quase um terço dos eleitores sem ir às urnas, grandes cidades brasileiras ilustram um problema que pode comprometer a democracia no País


Publicado em 29/10/2024 às 0:00


Pouco mais de um quinto dos brasileiros, em média, não foram exercer o direito à escolha de prefeitos e vereadores no primeiro turno das eleições municipais deste ano. Em Porto Alegre, a ausência dos gaúchos foi a maior do Brasil na primeira votação – 31,5%. O percentual foi similar ao não comparecimento dos paulistanos: na maior cidade da América Latina, São Paulo, a abstenção venceu até o segundo colocado, com mais votos não computados do que os conferidos a Guilherme Boulos. Na capital gaúcha, o segundo turno foi ainda mais contundente, com cerca de 35% das pessoas habilitadas para irem às urnas preferindo não ir votar, abrindo mão da prerrogativa democrática básica. Em Goiânia, o número foi de 34%, em Belo Horizonte quase 32%, em Porto Velho e Curitiba, 30%.
O desinteresse recorde pelo voto em alguns municípios levanta a questão do desinteresse maior pela política. É preocupante quando a cidadania, a duras penas conquistada e distribuída, é abandonada pela população no ato mais necessário de engajamento político. É claro que isso deve ser atribuído, em primeiro lugar, à qualidade da política em voga na atualidade brasileira – há muitos anos, não apenas no presente. Com o passar dos anos e a sucessão de gerações, a população vai nivelando por baixo os representantes e lideranças, confundindo os maus políticos com a política, ao ponto de apresentar frustração com os princípios democráticos. Como se a vida fosse melhorar sem as virtudes – e os problemas que precisam ser enfrentados – encontrados numa democracia.
No Rio Grande do Sul, além da capital, outras quatro cidades onde houve o segundo turno registraram grandes taxas de abstenção: Caxias, Pelotas, Canoas e Santa Maria. Um debate foi aberto no estado, com o objetivo de aprofundar a compreensão pela desilusão – ou revolta – coletiva, negando-se à ir às urnas em tão larga escala. Em São Paulo, o volume do desinteresse é assustador: quase 3 milhões de paulistanos não foram votar, enquanto o segundo colocado na eleição, Boulos, teve 2,3 milhões de votos, e o vitorioso, reeleito, Ricardo Nunes, contabilizou quase 3,4 milhões de votos. Na zona eleitoral em que havia recebido mais votos no primeiro turno, Boulos viu, no segundo, uma abstenção de quase 40%, a mais alta da cidade.
O fenômeno do aumento das abstenções merece análises detidas, com desdobramentos que ultrapassem, no entanto, o âmbito de campanhas publicitárias de conscientização. A participação do cidadão é crucial para a democracia, não somente na digitação do voto, mas durante a campanha e o exercício dos mandatos. Mas para que haja maior participação, as cobranças devem ser escutadas, as promessas, cumpridas, e a realidade, transformada de fato pela política, elevando a credibilidade do processo democrático que inclui a representatividade coletiva fiada em indivíduos identificados como lideranças – municipais, estaduais ou nacionais.
Para a presidente do TSE, Carmen Lúcia, a causa do desinteresse é local. Trata-se de uma boa hipótese para começar a reflexão. Mas o problema é nacional, podendo ser visto em outros países.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *