A Festa Literária das Periferias, que acontece de 23 a 27 de setembro no Rio de Janeiro, vai trazer ao Brasil nomes importantes do pensamento negro internacional, como já tem se tornado hábito.
O festival confirmou a presença da pesquisadora Kimberlé Crenshaw, ativista pelos direitos civis e professora especializada em direitos humanos na Universidade Columbia e na Universidade da Califórnia.
A americana de 67 anos é considerada nome de proa da teoria crítica racial e principal articuladora do conceito de interseccionalidade nos Estados Unidos —a ideia de que aspectos como gênero, raça e classe devem ser analisados em diálogo, que teve Lélia Gonzalez como figura pioneira no Brasil.
A obra de Crenshaw ainda não é editada por aqui, mas a Flup terá na programação escritores bastante celebrados como Jeferson Tenório, Cida Bento e Ana Maria Gonçalves, a homenageada desta edição.
Tudo a Ler
Receba no seu email uma seleção com lançamentos, clássicos e curiosidades literárias
O evento vai trazer ainda Kehinde Andrews, britânico que desbravou o campo dos estudos da negritude em seu país. No Brasil, ele publicou pela Companhia das Letras o livro “A Nova Era do Império: Como o Racismo e o Colonialismo Ainda Dominam o Mundo”.
Os pesquisadores americanos Fred Moten e Christina Sharpe também estão confirmados, bem como o congolês-brasileiro Kabengele Munanga.
Haverá ainda convidadas que ganharam holofotes em outras áreas que não a literatura. São exemplos a cineasta Adélia Sampaio, pioneira no cinema negro e feminino, a rapper Linn da Quebrada e a artista plástica Rosana Paulino.
Neste ano, a Flup acontecerá no Teatro Carlos Gomes e em outros espaços da praça Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro.
DE CORPO INTEIRO O próximo livro de Adelaide Ivánova, uma das mais inventivas escritoras brasileiras, vai sair pela Boitempo. Descrito como uma autobiografia não cronológica que mistura a infância e a juventude da autora à história do Brasil, “Anti/Corpo: Urubuservações sobre o Brasil” deve sair em 2027. O livro anterior da pernambucana, “Asma”, saiu pela editora Nós e se tornou um destaque da poesia contemporânea do país.
AGORA É SÉRIO A Todavia já comprou os direitos para lançar o próximo livro de Percival Everett, premiado autor de “James” e “As Árvores”. O romance “Serious Music”, com previsão de sair em março nos Estados Unidos, também deve chegar ao Brasil no ano que vem. A casa, aliás, mudou os planos para seu projeto com a Ashé, produtora da atriz Viola Davis. O primeiro livro da parceria, já em outubro, será “No Corre”, trabalho de Ferréz sobre empreendedorismo nas periferias. “Velha Guarda”, romance de Lilia Guerra, sai logo em seguida, em novembro.
PARA LER O novo suplemento O Mantiqueira saiu há pouco do forno —é uma revista cultural de qualidade com três números anuais ligada ao museu Carde, em parceria com a Fundação Lia Maria Aguiar, a editora Autêntica e o Projeto República, da Universidade Federal de Minas Gerais. A historiadora Heloisa Murgel Starling atua como diretora de conteúdo, enquanto Schneider Carpeggiani, ex-Suplemento Pernambuco, ocupa o cargo de editor. A edição número um traz uma entrevista com o jornalista Janio de Freitas, um ensaio da argentina Beatriz Sarlo e colunas de Lilia Schwarcz e Jeffis Carvalho.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.














