Wagner Moura vem causando furor na internet desde sua participação no programa Conversa com Bial, há duas semanas, por usar com certo humor a expressão “fascismo de esquerda”.
Em uma mensagem enviada à Folha na última sexta-feira, o ator se desculpou. “Eu apoio todos os movimentos identitários. Todos. Mas não a cultura do cancelamento. Acho covarde. Venha da direita ou da esquerda”, disse ele.
“O personagem que faço na peça ‘Um Julgamento’ é uma pessoa que foi cancelada. Mas errei ao chamar isso de ‘fascisminho de esquerda’. Não é um termo apropriado e é insensível ao fato de que são historicamente as minorias que sofrem a violência que caracteriza o fascismo.”
No Conversa com Bial, bebendo vinho diante da Acrópole, em Atenas, Moura falou das críticas que recebe por ser bem-sucedido, morar e trabalhar nos Estados Unidos e, ainda assim, se posicionar a favor da justiça social e de minorias. O baiano reproduziu argumentos usados para atacá-lo, do tipo “não é gay e defende gay”, “não é preto e defende preto”, como se uma coisa anulasse a outra.
Figuras e portais de direita, ferrenhamente críticos ao ator, passaram a compartilhar cortes do programa a fim de sequestrar as suas falas. Alguns internautas que se identificam como sendo de esquerda, por outro lado, decretaram a “morte de um ícone” em posts jocosos nas redes sociais.
Moura vem rodando a Europa com a peça “Um Julgamento”, de Cristiane Jatahy, uma montagem que parte de “Um Inimigo do Povo”, do dramaturgo Henrik Ibsen, e é apresentada como uma continuação. Nela, Moura interpreta um médico que denuncia a contaminação das águas das quais depende a economia de uma cidade.
O médico é levado a um tribunal contemporâneo. Parte da plateia vira júri e decide a cada apresentação se ele é ou não um inimigo, num tipo de dramaturgia que permite um paralelo com a cultura do cancelamento das redes sociais.












