Os R$ 61 milhões repassados por Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a cinebiografia “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL), superam o orçamento de duas grandes produções recentes do país —“Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que representaram o Brasil nas duas últimas edições do Oscar.
Como mostrou a Folha, em fevereiro do ano passado, o longa de Salles, vencedor da estatueta de melhor filme internacional, foi orçado em R$ 45 milhões. Já “O Agente Secreto” custou cerca de R$ 28 milhões.
No caso de “Ainda Estou Aqui”, o valor não é público, por se tratar de um investimento privado, em coprodução com a França, e haver cláusulas contratuais de sigilo —não houve uso de verba pública e captação via Lei do Audiovisual. Mas, até então, o valor assumido era de cerca de US$ 1,5 milhão, ou R$ 8 milhões, como consta no site IMDb, especializado na indústria audiovisual.
O longa com Wagner Moura, por sua vez, venceu um edital, dois anos atrás, e usou R$ 7,5 milhões via Fundo Setorial do Audiovisual, além dos aportes privados que conseguiu ao longo da produção, com parcerias com a França, Alemanha e Holanda. A comercialização do filme custou outros R$ 4 milhões, em paralelo, com valores do FSA e da Lei do Audiovisual, com patrocínios que destinaram valores do Imposto de Renda.
No caso de “Dark Horse”, o pré-candidato do PL à Presidência da República Flávio Bolsonaro chegou a pedir mais dinheiro em um áudio enviado ao ex-banqueiro. “No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou. Ele nega ter oferecido ou recebido vantagens no pedido para Vorcaro.
O site The Intercept Brasil afirma que o valor total negociado entre Vorcaro e a família Bolsonaro era de R$ 134 milhões, mas não há evidências de que todo o dinheiro teria sido repassado.
Considerando outras produções internacionais que disputaram a última edição do Oscar, os R$ 61 milhões de Vorcaro superam ainda o orçamento de “Valor Sentimental” —com estimativa de US$ 7,8 milhões de orçamento, ou R$ 41,3 milhões— e “Sonhos de Trem”, que custou US$ 10 milhões, ou R$ 53 milhões, de acordo com uma reportagem da Esquire.
Os R$ 61 milhões, cerca de US$ 24 milhões, se aproximam do orçamento de longas como o polêmico “Emilia Pérez” (US$ 25 milhões), “Amores Materialistas”, “Conclave” e “Priscilla” (os três orçados em US$ 20 milhões cada).
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Além disso, no ano passado, Karina Ferreira da Gama —dona da GoUP Entertainment, que produz “Dark Horse”— recebeu R$ 2 milhões em recursos públicos por meio de três CNPJs na área de tecnologia e esportes, além de ter firmado um contrato no valor de R$ 108 milhões para instalação de pontos de wi-fi com a Prefeitura de São Paulo.
“Dark Horse” vai narrar os momentos do ex-presidente após ser vítima de esfaqueamento em Juiz de Fora, em Minas Gerais, em 2018. A primeira locação de filmagem foi no Hospital Indianópolis, na zona sul da capital paulista. A previsão é que estreie em setembro deste ano.
O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh, cineasta americano de origem iraniana. Ele tem em seu currículo filmes como “Infidel”, “O Jovem Messias” e “O Apedrejamento de Soraya M.”, segundo o Internet Movie Database. Jair Bolsonaro será vivido por Jim Caviezel, que viveu Jesus no filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, e também estrelou “Som da Liberdade”, sucesso entre o público conservador em 2023.



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