Estava refletindo sobre como nós somos influenciados pelas mais diferentes coisas. E é muito interessante perceber o tanto de informação que a gente recebe, não das coisas que nós queremos, mas sim das coisas que nós “precisamos”.
Acho muito forte percebermos como as coisas caminham de maneira inteligente para que nós possamos nos esquecer de nós mesmos. Criamos padrões de relacionamentos que são diferentes daquilo que são os relacionamentos que vivenciamos realmente. Nós passamos por dificuldades ao saber sobre o que é que a gente deseja, com o que a gente compra pela propaganda. Nós até mesmo temos dificuldades de saber diferenciar pessoas de objetos nas mais diferentes esferas.
E isso vem se tornando cada vez mais complexo dentro da constituição do ser humano. Quando fui a um desses cafés falar sobre riqueza e etc, achei muito interessante uma das pessoas que disse: “Nós somos como uma tela, que vai adicionando diferentes camadas e cores e afins, e, com o tempo, nós terminamos como uma obra de arte”.
LEIA TAMBÉM: A superestrela que não sabem quem é…
E eu fiquei me perguntando: será que a gente tem como apagar alguma dessas cores? Porque, com o tempo, ao jogarmos cores por cima de cores, nós vamos perdendo as nossas características ao ponto de não sabermos mais qual a cor original ou qual o desenho original que ali estava.
Então, será que a lógica é realmente essa de nós somos algo incólume (sem ferimentos e lesões) que vai se tornando sujo com o tempo? Ou nós somos pessoas que precisamos ter acesso à parte incólume de nós mesmos e lembrar das nossas origens às vezes? E abrir espaço!
Diferentemente de uma tela, talvez sejamos uma pedra bruta que precisa de polimento. É bem interessante pensarmos dessa forma porque com a música “When It Hurts So Bad” (em tradução livre – “Quando a dor é insuportável”) da Lauryn Hill; a gente pode pensar quantas vezes nos esforçamos tanto por aquilo que a propaganda nos ensina que esquecemos daquilo que realmente nós queremos.
Dentro do meu relacionamento com a minha esposa, ela um dia chegou para mim: “Ah, o que mais você se sentiu atraído por mim?“. E eu, respondendo de forma sincera, lhe disse: “A estabilidade”. Chegou num ponto da minha vida que o que eu mais queria dentro do meu relacionamento era uma relação estável. E quantas pessoas conseguem falar sobre estabilidade, mas já passam entre picos e vales, até mesmo antes do relacionamento?
E olham para os relacionamentos que entregam estabilidade, tranquilidade e segurança e sequer valorizam. Às vezes, precisamos nos desapegar da ilusão de que tudo tem que estar em um pacote só e olhar para os pacotes que estão à nossa frente. Valorizá-los, consumí-los e, ao mesmo tempo, nutrí-los. Para que a nossa vida não seja uma eterna busca por uma cenoura que está amarrada na nossa testa.
Muito obrigado.
Foto de capa: Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA) no Gemini.
LEIA TAMBÉM: Recuperando a si mesmo por meio da Ancestralidade
Inscreva-se na newsletter do Negrê aqui!

Psicólogo (CRP: 11/11607) e Palestrante. Um criolo cearense buscando ascensão social em massa para o povo preto. Graduado em Psicologia pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Especialista em Psicologia Positiva pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). É Fundador e CEO do projeto “Por Mais Simples que Seja”. Gosta de pensar sobre a vida e conversar com pessoas sobre perspectivas de ascensão e crescimento pessoal.






/catracalivre.com.br/wp-content/uploads/2026/05/magnific-sobrancelha-reta-bem-dese-2971182751.jpg?w=300&resize=300,300&ssl=1)










