Principal causador do câncer de colo do útero, o HPV também é causa de cânceres em homens, como boca, língua e garganta
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Historicamente associada quase de forma exclusiva à prevenção do câncer de colo do útero, a vacinação contra o papilomavírus vumano (HPV) consolida-se hoje como uma ferramenta indispensável para a saúde masculina.
O tema ganha urgência diante de uma mudança estatística: o crescimento de casos de câncer de orofaringe (que atinge a base da língua, amígdalas e palato mole) em homens jovens, na faixa dos 30 a 40 anos.
Especialistas apontam que a imunização precoce de garotos é a barreira mais eficaz contra um tipo de tumor que, se diagnosticado tardiamente, impõe tratamentos agressivos e sequelas severas.
O novo perfil dos tumores de cabeça e pescoço
Até poucas décadas atrás, o câncer de orofaringe era majoritariamente diagnosticado em pacientes idosos com longo histórico de tabagismo e consumo de álcool. No entanto, esse cenário mudou.
Dados apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) indicam que, entre todos os homens que tiveram algum tipo de câncer associado à infecção pelo HPV, 81% tiveram a doença na orofaringe.
“O câncer de orofaringe é hoje, em países de primeiro mundo, como nos Estados Unidos, a causa mais frequente entre esses tumores. E aqui no Brasil vemos a mesma tendência. O vírus hoje é considerado um fator de risco mais importante do que o álcool e o tabagismo para esses casos específicos”, afirma a oncologista Jurema Telles, coordenadora do programa estadual Útero é Vida.
A relação entre o vírus e o hábito de fumar também é um agravante. Segundo a especialista, o tabagismo faz com que o HPV persista por mais tempo no organismo, dificultando a eliminação natural pelo sistema imunológico e favorecendo o desenvolvimento de lesões malignas.
A ciência da dose única e a adesão na adolescência
Uma das maiores vitórias recentes da saúde pública no Brasil foi a simplificação do esquema vacinal. Estudos internacionais comprovaram que a aplicação de uma única dose em jovens de até 19 anos é suficiente para gerar uma memória imunológica robusta.
A estratégia visa facilitar a logística e aumentar as taxas de cobertura, que ainda sofrem com a baixa frequência de adolescentes em unidades básicas de saúde. Jurema reforça a importância da vacinação escolar:
“É mais fácil vacinar o adolescente uma vez do que duas ou três. Eles não frequentam mais o posto de saúde rotineiramente como as crianças menores. A ciência mostrou que uma dose protege contra o surgimento de lesões causadas pelo HPV nesta faixa etária, o que é estratégico para a saúde pública”.
Para adultos que não se vacinaram na idade recomendada, o esquema geralmente exige três doses, o que aumenta o custo e a dificuldade de adesão. Por isso, a janela de oportunidade entre os 9 e 14 anos é considerada “de ouro” pelos oncologistas.
Uma doença silenciosa e de evolução cruel
O grande perigo do câncer relacionado ao HPV é o tempo de latência. O contágio geralmente ocorre no início da vida sexual, mas o tumor pode levar de 10 a 15 anos para se manifestar. Esse intervalo permite que a pessoa infectada transmita o vírus sem saber que carrega uma linhagem oncogênica.
Quando a doença se manifesta no colo do útero e é descoberta em estágios avançados, o impacto é devastador.
“É uma doença desproporcionalmente grave. Em casos avançados, o paciente pode apresentar insuficiência renal, necessidade de diálise, sangramentos intensos e até fístulas: comunicações anormais entre órgãos, como a vagina e o reto ou áreas da garganta”, descreve Telles.
A especialista enfatiza que o sofrimento causado pelo tratamento de um câncer avançado poderia ser evitado com uma simples medida preventiva:
“É um câncer cruel, que exige dez vezes mais cuidados paliativos e suporte de internação do que outros tipos. É inaceitável que uma doença que pode ser evitada com uma vacina e um preventivo continue causando esse nível de sofrimento”.
Além da garganta: os riscos para o público masculino
Embora o câncer de orofaringe seja o que apresenta o crescimento mais alarmante entre homens, o HPV está diretamente ligado a outras patologias graves que afetam a população masculina. O vírus também é o agente causal de:
- Câncer de pênis: uma doença que, em estados como o Maranhão e Pernambuco, ainda registra altos índices de amputação do órgão genital devido ao diagnóstico tardio e à falta de imunização.
- Câncer anal: com incidência crescente, o tumor anal tem forte ligação com subtipos de alto risco do HPV (como o 16 e 18).
- Verrugas genitais: causadas por subtipos de baixo risco, as verrugas não são cancerígenas, mas possuem altíssima taxa de transmissão e causam impacto psicológico e físico considerável.
Como garantir a proteção
A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no sistema único de saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Além deste grupo, pessoas vivendo com HIV, transplantados e pacientes oncológicos na faixa de 9 a 45 anos também têm direito ao imunizante.
Até junho de 2026, jovens de 15 a 19 anos também podem se vacinar na rede pública.
Em Pernambuco, os índices de cobertura vacinal refletem um avanço consistente na conscientização sobre a importância da imunização. Entre as meninas, os dados mostram um crescimento moderado e contínuo, passando de 75,6% em 2022 para 79,4% em 2025.
O destaque, no entanto, reside na adesão do público masculino: no mesmo período, a cobertura entre os meninos saltou de 38,7% para 66,4%. Esse aumento sinaliza que a prevenção contra o HPV está, enfim, sendo integrada à rotina de cuidados com a saúde dos garotos no Estado, rompendo o estigma de ser uma “vacina feminina”.

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