A avaliação quadrienal é o principal sistema de avaliação dos programas de mestrado e doutorado no Brasil. Ela é conduzida pela Capes
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É inegável o crescimento qualitativo da pós-graduação stricto sensu (cursos de mestrado e doutorado) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Os resultados das avaliações quadrienais de 2017, 2021 e 2025 evidenciam o desempenho positivo da UFPE, fruto do planejamento e da implementação de políticas e ações institucionais pela gestão iniciada em outubro de 2019.
A avaliação quadrienal é o principal sistema de avaliação dos programas de mestrado e doutorado no Brasil. Ela é conduzida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e tem como objetivo geral aferir a qualidade dos programas de pós-graduação do país. Essas avaliações, que ocorrem a cada quatro anos, servem para garantir a qualidade da pós-graduação brasileira e impulsionar o sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação, conectando a pós-graduação ao desenvolvimento nacional. Os programas avaliados recebem conceitos de 1 a 7, sendo os conceitos 1 e 2 classificados como insuficientes, o que pode levar ao descredenciamento; o conceito 3 indica o padrão mínimo de qualidade; o conceito 4 representa boa qualidade; o conceito 5 representa nível muito bom no cenário nacional; e os conceitos 6 e 7 correspondem a programas de excelência acadêmica de nível internacional.
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Atualmente, a UFPE conta com 96 Programas de Pós-Graduação stricto sensu, distribuídos em oito grandes áreas do conhecimento: Ciências Biológicas; Ciências Exatas e da Natureza; Ciências Humanas; Ciências Sociais Aplicadas; Ciências da Saúde; Engenharias; Linguística, Letras e Artes; e Multidisciplinar, totalizando 156 cursos: 75 mestrados acadêmicos, 17 mestrados profissionais, 59 doutorados acadêmicos e 5 doutorados profissionais.
O Gráfico 1 demonstra, de forma objetiva, que a UFPE avança consideravelmente e se consolida como instituição de excelência acadêmica nas avaliações quadrienais de 2021 e 2025, em comparação com a avaliação de 2017. Hoje, 54% dos programas possuem conceitos 5, 6 e 7, em comparação com os 35,6% registrados em 2017. A análise comparativa dos dados revela três movimentos coordenados:
(1)Redução do contingente de programas de menor desempenho: observa-se diminuição expressiva dos programas com conceito 3, que passam de 24, em 2017, para 14, em 2021, e 10, em 2025. De igual modo, os programas classificados como ‘não avaliados’ reduzem-se de 7 para 4 e, posteriormente, para 1. Tal movimento evidencia a retração consistente da base mais frágil do sistema, sinalizando processos de reestruturação, qualificação e descredenciamento de programas com desempenho insuficiente.
(2)Consolidação da base intermediária: os programas com conceito 4 passam de 32, em 2017, para 35, em 2025, enquanto os programas com conceito 5 se ampliam de 22, em 2017, para 33, em 2021, mantendo esse patamar em 2025. Esse quadro revela o fortalecimento da base intermediária da pós-graduação da UFPE, com crescimento significativo dos programas com conceito 5 e consolidação dos programas com conceito 4 ao longo dos quadriênios. Trata-se de uma massa crítica robusta, formada por programas em processo de amadurecimento e com elevado potencial de progressão para níveis superiores de excelência.
(3)Expansão da excelência acadêmica: verifica-se a ampliação do número de programas com conceitos 6 e 7 nas avaliações quadrienais de 2021 e 2025, em comparação com 2017. Nesse sentido, constata-se crescimento contínuo dos programas de alto desempenho, especialmente no topo da escala avaliativa, que passa de 9, em 2017, para 15, em 2025. Esse resultado constitui um dos mais relevantes indicadores do avanço qualitativo da pós-graduação da UFPE, em articulação com a expansão dos programas com conceito 5.
Essa inflexão positiva em direção à excelência teve início em um contexto político nacional particularmente adverso para as universidades federais. Em 2019, a UFPE começou a implementar essa trajetória de fortalecimento acadêmico no início do governo Bolsonaro (2019-2022), que sucedeu ao governo Temer (2016-2018), ambos marcados por congelamento salarial, cortes e severas restrições orçamentárias, especialmente no que se refere aos recursos discricionários das universidades federais. A esse cenário se somaram ataques recorrentes ao sistema nacional de ciência, tecnologia e inovação, com impactos diretos sobre a capacidade de planejamento, manutenção e expansão das instituições públicas de ensino superior. Já no governo Lula (2023-2026), observa-se melhora significativa no quadro financeiro das universidades federais e da UFPE. Ainda assim, o subfinanciamento permanece como realidade estrutural que precisa ser enfrentada e superada, de modo a assegurar condições estáveis e adequadas para a consolidação da excelência acadêmica, científica e institucional.
O avanço da UFPE evidencia a centralidade das políticas e ações institucionais adotadas, cujos resultados positivos se vinculam diretamente à gestão iniciada em 2019, com a elaboração do Plano Institucional de Pós-Graduação (PIPG). Esse instrumento inaugurou, no âmbito da instituição, uma cultura sistemática de planejamento estratégico e autoavaliação nos Programas de Pós-Graduação, orientando-os à definição de metas, indicadores e prioridades alinhados aos critérios da CAPES e às agendas institucionais, regionais, nacionais e internacionais.
Destaca-se, ainda, a adoção de um modelo de gestão orientado por dados e alicerçado em princípios de governança participativa, materializado na realização de fóruns periódicos com a participação de coordenadores(as), docentes, técnicos(as) e estudantes. Concomitantemente, instituiu-se um processo contínuo de acompanhamento e monitoramento, com base nos critérios da CAPES e em mecanismos internos de indução da qualidade e do desempenho. Soma-se a esse conjunto de iniciativas a implantação, em 2023, da primeira edição do Programa de Ações Estratégicas Transversais da Pós-Graduação (PAET-PG), com aporte de R$ 2,1 milhões, destinado ao apoio a projetos interdisciplinares entre PPGs de diferentes áreas do conhecimento, ao estímulo à internacionalização e ao fortalecimento da inserção social das pesquisas desenvolvidas. Como desdobramento, observou-se expressiva ampliação da articulação entre programas de distintas áreas e em diferentes níveis de consolidação, favorecendo a constituição de redes colaborativas, o desenvolvimento de pesquisas de caráter transversal, o fortalecimento da produção científica e o avanço conjunto da pós-graduação da UFPE.
Para os próximos anos, projeta-se a continuidade dos ganhos qualitativos desse ciclo virtuoso, mediante a intensificação de estratégias institucionais voltadas ao fortalecimento e à qualificação da pós-graduação da UFPE.
Entre essas estratégias, destacam-se:
•a redução das assimetrias internas, por meio do Programa PRO-INTERIOR, que prevê apoio específico aos PPGs sediados nos campi do interior;
•a ampliação da internacionalização, especialmente a partir da participação da UFPE em iniciativas estruturantes, como a Rede BRICS-NU e o Programa CAPES-GLOBAL, conquista que representa investimento de aproximadamente R$ 73 milhões ao longo dos próximos quatro anos;
•o fortalecimento das políticas de inclusão e de apoio à permanência dos estudantes de pós-graduação, com base em ações afirmativas que contribuam para ampliar as condições de acesso, permanência e êxito acadêmico;
•a promoção da inovação e da inserção social, mediante a integração da pesquisa desenvolvida na UFPE com o setor produtivo e a articulação direta entre a universidade e as demandas da sociedade; e
•consolidação do Programa de Ações Estratégicas Transversais da Pós-Graduação (PAET-PG), em sua segunda edição, lançada em fevereiro do corrente ano, com recursos da ordem de R$ 3 milhões de reais destinados a projetos transversais multidisciplinares.
O êxito aqui evidenciado resultou do esforço múltiplo, diário e coletivo de gestores, coordenadores, docentes, técnicos e estudantes da pós-graduação da UFPE, espaço no qual excelência e inclusão se articulam e se fortalecem mutuamente. A implantação, em 2021, da política de cotas em todos os cursos de mestrado e doutorado reafirma que diversidade e pluralidade constituem condições necessárias à qualidade e à excelência.
Alfredo Macedo Gomes – Reitor da UFPE
Moacyr Cunha de Araújo Filho – Vice-Reitor
Carol Virginia Gois Leandro – Pró-Reitora de Pós-Graduação

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