Transporte sobre trilhos: Concessão de trens em SP começa com incêndio e caos, gerando alerta para o País e o futuro do Metrô do Recife

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Transporte sobre trilhos: Concessão de trens em SP começa com incêndio e caos, gerando alerta para o País e o futuro do Metrô do Recife


Estreia da concessionária Trivia Trens nas linhas 11, 12 e 13 é marcada por falhas graves, falta de comunicação e passageiros caminhando sobre trilhos

Por

Roberta Soares


Publicado em 23/07/2026 às 11:00
| Atualizado em 23/07/2026 às 11:13


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A transição da operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) para a iniciativa privada em São Paulo, sob o comando da concessionária Trivia Trens, foi marcada por um cenário de desordem técnica e operacional. O processo, que havia sido apresentado pelo governo de Tarcísio de Freitas como uma solução definitiva para a modernização do sistema, entregou, em seus primeiros dias, plataformas superlotadas, atrasos severos e uma pane no sistema de energia que paralisou a circulação em pontos cruciais da capital.

O ponto crítico do caos aconteceu nas primeiras horas desta quinta-feira (23/7) no terceiro dia de operação, quando uma falha no fornecimento de energia na região da Estação Brás interrompeu o serviço e forçou passageiros a caminharem perigosamente pelos trilhos. A gravidade da situação foi acentuada por um incêndio em uma composição, que deixou os passageiros em pânico e precisou da intervenção do Corpo de Bombeiros.

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Além das falhas mecânicas e elétricas, a postura da nova operadora foi duramente criticada pela ausência de transparência. Durante as crises operacionais, a Trivia Trens teria falhado em emitir comunicados oficiais em seus canais de comunicação, deixando milhares de usuários sem orientação sobre a previsão de normalização dos serviços. Informações básicas sobre as causas dos atrasos só foram divulgadas após questionamentos da imprensa, evidenciando um déficit crítico na gestão de crises.

ALERTA NACIONAL E, ESPECIALMENTE, PARA O METRÔ DO RECIFE, EM PROCESSO DE SER CONCEDIDO

Fábio Vieira/FotoRua

Linhas eram operadas pela CPTM até o dia 21/7, quando estreia da operação privada começou marcada por problemas – Fábio Vieira/FotoRua

Fábio Vieira/FotoRua

Passageiros andam pela linha do trem na Estação Tatuapé, nesta manhã de quinta-feira, 23 de julho de 2026. A Trivia Trens informou que a circulação de trens nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade apresentam problemas, devido a uma ocorrência que provocou a interrupção do fornecimento de energia no trecho entre as estações Brás e Engenheiro Goulart – Fábio Vieira/FotoRua

O cenário de instabilidade em São Paulo tem sido visto como um alerta para o restante do País, que observa com cautela os modelos de concessão pública de transportes sobre trilhos. A situação preocupa especialmente Pernambuco, onde o Metrô do Recife está em processo de concessão pública. O temor é que as falhas estruturais e a precariedade na comunicação vistas no maior sistema ferroviário brasileiro se repitam em Pernambuco, caso a transição não seja rigorosamente fiscalizada.

A experiência paulista da concessão das linhas que eram da CPTM demonstra que a simples transferência da gestão para o setor privado, mesmo com contratos que prevêem investimentos de R$ 14,3 bilhões ao longo de 25 anos, não garante eficiência imediata. Para o Recife, o espelho de São Paulo serve como um indicativo de que a mudança para a gestão privada pode vir acompanhada de problemas e experiências ruins para os passageiros, caso a manutenção e os investimentos da iniciativa privada não aconteçam.

Vale lembrar que o projeto de concessão do Metrô do Recife prevê um investimento inicial superior a R$ 4 bilhões do governo federal para reestruturar o sistema, num contrato de recuperação e manutenção de 30 anos. Atualmente, a receita do metrô cobre apenas 20% de seus custos operacionais. Para mitigar riscos, o Estado propõe um modelo de segurança financeira que utilizaria até 3% de recursos de tributos federais (Fundo de Participação dos Estados – FPE) a que o Estado tem direito para garantir os pagamentos à futura concessionária.

Além do aporte bilionário para a concessão, há uma urgência imediata de R$ 250 milhões para ações emergenciais em material rodante, via permanente e estações, que já estão em andamento desde o ano passado. Desse total, R$ 136 milhões são para a troca de trilhos e dormentes; R$ 60 milhões para a aquisição de seis trens usados do Metrô de Belo Horizonte; e R$ 57 milhões para melhorias das edificações do sistema.

A transição operacional para a nova concessionária deve ter início no primeiro trimestre de 2027, seguindo com uma operação conjunta entre a futura operadora e a CBTU por 12 meses.






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