Estados Unidos e Irã desistem do acordo de paz, e o Estreito de Ormuz pode ser fechado novamente, com repercussões na economia global
JC
Publicado em 09/07/2026 às 0:00
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Menos de um mês depois do acordo de paz que levou à esperança de um cessar-fogo duradouro na região, e à expectativa de mínima estabilidade na economia global dependente do petróleo, os líderes do Irã e dos Estados Unidos retomaram a troca de bombas e palavras duras. O presidente Donald Trump, dos EUA, religou o modo ameaça, ao afirmar que planejava um grande ataque contra o Irã, com a possibilidade de corte de energia e das estações de tratamento de água do país. O Irã, por sua vez, lançou mísseis contra navios comerciais no Estreito de Ormuz, e logo após sofrer retaliações, diz ter atacado bases norte-americanas do Kuwait e no Bahrein.
Na guerra da economia, os iranianos viram o retorno das sanções contra exportações de petróleo, que haviam sido suspensas com o acordo de paz assinado em junho. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Irã mencionou a “falta de confiabilidade” da Casa Branca, e afirmou que pretende “proteger os interesses nacionais e a segurança nacional”. Enquanto a tensão é reinstalada nas narrativas, o mundo vira o foco, mais uma vez, para o Estreito de Ormuz e a vizinhança no Oriente Médio, no aguardo das notícias sobre o desenrolar dos fatos e da concretização – ou não – das hostilidades de parte a parte.
O sul do Irã, nas proximidades de Ormuz, foi alvo de bombardeios confirmados pelos Estados Unidos. “Esta é uma represália pelo bombardeio de navios realizado ontem pelo Irã. Se isso voltar a acontecer, será muito pior”, escreveu Trump nas redes sociais. O comunicado oficial das Forças Armadas dos EUA justificou as ações defendendo a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. Quem retrucou foi o conselheiro militar do líder supremo do Irã, Mohsen Rezarei, utilizando um versículo do Alcorão: “O inimigo agressor e seus cúmplices serão severamente punidos”. O presidente estadunidense está sendo chamado de criminoso e vulgar pelos iranianos, depois de chamar as lideranças do Irã de escória.
Em tom de minimização do problema, Trump disse em entrevista no encontro de cúpula da OTAN que “o que quer que aconteça, terminará muito rápido e tornará tudo mais seguro, inclusive para o petróleo. Não estamos buscando uma situação de longo prazo”, prometeu. No entanto, cidadãos norte-americanos e a população do resto do mundo sabem que os ditos de Trump têm sido frequentemente contraditos por ele mesmo, desde que assumiu a Casa Branca, no ano passado. Em abril deste ano, o magnata falou que era “uma honra ter este problema de longa data perto de ser resolvido”. Em maio, garantiu que “vamos acabar com essa guerra muito rapidamente”.
As falas do presidente dos EUA oscilam entre o que ele se gaba de fazer e o que ele não sabe quando vai ser feito. Nesse pêndulo de incertezas, a mercado global adota a cautela das instabilidades, embora no sobe e desce das bolsas de valores, alguns percam ou ganham mais do que outros. A tensão global, durante o segundo mandato de Trump, também vem sendo aproveitada como meio de especulação.














