Tempos de João e Raquel para tomar decisões atrapalham processo eleitoral de 2026

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Tempos de João e Raquel para tomar decisões atrapalham processo eleitoral de 2026


Na pressa para definir com rapidez sua chapa, João Campos, que teve votos do centro e da direita em 2024 para se reeleger na capital, fechou as portas


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“Nem tanto ao mar, nem tanto à terra”- diz o ditado popular, ensinando que tomar uma decisão cedo demais não é prudente da mesma forma que não é aconselhável demorar demais e depois arcar com as consequências. Na política, administrar o tempo é fundamental do começo ao fim de uma disputa política. Mas, este ano, se a ansiedade exagerada do pré-candidato a governador João Campos até agora lhe causa prejuízo, da mesma forma, a morosidade excessiva da governadora Raquel Lyra não vai deixar sem sequelas a montagem de sua chapa a menos de um mês antes da Convenção.

Na pressa para definir com rapidez sua chapa, João Campos, que teve votos do centro e da direita em 2024 para se reeleger na capital, fechou as portas para o eleitorado desse campo compondo as vagas do senado com Humberto Costa e Marília Arraes, dois expoentes da esquerda pernambucana e reservou a vice para o advogado Carlos Costa, do partido Republicanos do ex-ministro Silvio Costa Filho, que, embora composto com Lula no estado, está prestes a indicar a vice do pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro, o que pode inviabilizar a presença do mesmo na chapa majoritária.

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Sem tempo para pular a cerca

João Campos também corre o risco de, mantendo Carlos Costa na vice, por alguma brecha na legislação, não poder acusar sua adversária Raquel Lyra de aceitar votos da direita durante a troca de farpas que dominará a campanha no tempo devido. “João se apressou para se mostrar lulista além da conta e até hoje não conseguiu o apoio completo do PT, com uma parte expressiva da legenda apoiando Raquel. Além disso, acompanhado por dois esquerdistas no Senado, causa desconfiança aos conservadores, sobretudo os evangélicos que respondem por 30% dos votos estaduais”- disse esta semana um deputado estadual, observador sagaz da história política pernambucana”.

A governadora Raquel Lyra não fica atrás no tempo político. Faltam 20 dias para sua convenção e só agora ela começa a definir sua chapa, correndo o risco de deixar pelo caminho pelo menos dois pretendes ao Senado que foram incentivados a entrar na disputa e vão se retirar após um enorme tempo gasto com o comparecimento a eventos, além das despesas feitas nos deslocamentos e que agora não terão mais tempo para mudar de rota e se viabilizar por outros caminhos.

Qualquer um que for preterido carregará insatisfação, como lembrava esta semana um prefeito da base do Governo, preocupado com essas dificuldades. “Não creio que nenhum dos quatro vá deixar de torcer e trabalhar pela governadora mas os que ficarem de fora não o farão com a mesma forma mas vamos para a frente. Há sempre uma forma de minimizar os efeitos ao longo da campanha”. Uma coisa é certa: ninguém acredita mais em pulada de cerca até porque não haverá tempo para isso.

Fogo amigo

A cientista política Priscila Lapa tem uma leitura particular da situação. Na sua opinião, tanto João Campos quanto Raquel Lyra fizeram uma leitura adequada da “complexidade do xadrez da montagem de suas chapas”. No seu entendimento os dois “se encontram em posições estratégicas distintas mas igualmente norteados pelo tempo certo que a política requer”, embora correndo certos riscos.

E adianta: “João Campos, na condição de opositor, precisava firmar espaços dentro do campo político e encontrou o gancho estratégico da nacionalização do pleito. Com isso definido ele pôde seguir na busca de aliados sem espaço para barganhar presença na chapa, assim ninguém se sentiria preterido. Já do lado governista era de se esperar um tempo mais longo para essa definição, tendo em vista que o arranjo desejado era o de minimizar perdas com saídas do palanque de forma precipitada”.

E conclui: “ao esticar demais esse prazo, ela corre o risco de ampliar o desgaste de aliados que, por ventura, fiquem insatisfeitos com a escolha e pode ser tarde para compensar essas insatisfações. Quanto mais próximo do início da campanha, maior o risco de plantar a semente para o fogo amigo, que são aqueles que permanecem mas não trabalham verdadeiramente em prol da vitória”. A ver.






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