“Passamos muito tempo mostrando um padrão de comportamento masculino que refletia e alimentava a dramaturgia e agora vivemos um momento em que precisamos desconstruir isso”, analisa o roteirista Daniel Berlinsky sobre a criação de protagonistas masculinos nas novelas brasileiras, no sexto episódio da série O Menor Encontro de Homens do Brasil, com a escritora e colunista Tati Bernardi.
Berlinsky é autor da novela “Dona Beja“, que a HBO Max lançou em 2025, uma releitura da primeira versão de 1986.
Ao longo da conversa, ele expõe as dificuldades que existem na atualidade para se criar um protagonista masculino, em especial um mocinho: “Hoje, está cada vez mais difícil fazer um protagonista masculino porque a protagonista feminina foi mudando ao longo dos anos”, destaca. “Aquela mocinha que não reagia, era apática, ficava esperando pelo homem mudou, assim como a sociedade evoluiu com as mulheres”, diz.
Como exemplo, Berlinsky cita o processo criativo de “Dona Beja“: “Na novela, enfrentamos esse problema de como manter o mocinho”, traz. “O Antônio, par romântico da Dona Beja, que é o mocinho da história na primeira versão da novela, hoje já não é mais. Quando fomos analisar o personagem, vimos que ele não era um par romântico, mas sim alguém tentando ter um romance com a protagonista, mas que não conseguia acompanhar o empoderamento dela”, explica.
“O final trágico dessa versão de 2025 dá um outro contexto. Debatemos o tempo inteiro: ‘estamos perdendo o mocinho?’ Quando você empodera uma mulher, o que você faz com o par dela? “, questiona o autor.
Junto com a colunista, os dois refletem sobre o que é ser um mocinho nas novelas brasileiras em 2026: “Ainda estamos procurando esse conceito de mocinho. Isso porque, antes de criar um novo conceito, precisamos desconstruir aquele mocinho já criado”, explica o roteirista.











