Ala “governista do STF” mostrou a que veio: tumultuar o regimento do STF, falar grosso em tom ameaçador e ganhar tempo na tentativa de virar o jogo
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– Alejandro Zambrana/STF
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SE CONCURSO FOSSE REQUISITO…
…boa parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não seria aprovada, mas, como o critério é o tamanho da amizade que se tem com quem preside o país, o tribunal mostrou que coerência e ética estão dissociadas daquilo que se pode esperar de uma corte de Justiça.
HORA DE A ONÇA BEBER ÁGUA
E já foi possível identificar qual o papel que cada um dos integrantes da Corte iria desempenhar: tentar virar o jogo e colocar no mesmo bornal o investigado, Alexandre de Moraes, e o investigador, André Mendonça. E, antes mesmo do início das preliminares, Flávio Dino pediu vista e agora vai ter de sair arrastando um problema para cima e para baixo, como quem carrega um zumbi insepulto.
COISA DE MAFIOSOS
O decano da Corte, Gilmar Mendes, acusou o colega André Mendonça de conduzir processos sobre o Banco Master com “inequívoco viés político-eleitoral” e de maneira “digna de máfia, covarde, vil”. E disparou: “Até a máfia tem ética”.
— É preciso ter decência, não se comportar desta forma. Um tribunal que isso admite já não delibera com liberdade. Já disse isso em outro momento: até a máfia tem ética, advertiu.
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POR QUE, MESMO, NUNES SE ABSTEVE?
Na abertura dos debates, Nunes Marques anunciou que não se sentia “confortável” em participar do julgamento para evitar “qualquer impacto nas eleições” de outubro. O real motivo é que a Polícia Federal identificou que o advogado Kevin Marques, filho do ministro, estaria por trás de um repasse do Banco Master ao escritório de advocacia, em valores que totalizam R$ 500 mil.
— Então, na condição de presidente do TSE [Tribunal Superior Eleitoral], eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento, disse e se retirou da sessão.
COMO SE NÃO FOSSE COM ELA…
…a ministra Cármen Lúcia se disse “envergonhada” com o momento pelo qual passa o tribunal. Para ela, os integrantes da Corte não podem se expor ao “clamor popular nem à pressão das multidões”.
— Eu me sinto um pouco até envergonhada, presidente, de, no momento em que o Brasil está a menos de 20 dias da eleição, estarmos todos voltados a questões do Supremo, que são questões processuais, em parte com muita expressão e com questões graves mesmo, sustentou.
DEIXOU A MARCA
No PT e no Planalto, havia uma especulação de que o presidente Lula precisava se descolar de Alexandre de Moraes. Mas os votos de Flávio Dino e Cristiano Zanin — o primeiro, ex-ministro da Justiça em seu governo, e o segundo, seu ex-advogado — mostram que a estratégia falhou.
PANTOMIMA
Integrantes da Comissão de Direitos Humanos do Senado se revezaram numa sala vazia para “acompanhar” o julgamento no STF e “discutir os desdobramentos da sessão”. A presidente da comissão, senadora Damares Alves (Republicanos-DF) disse à Rádio Jornal que a expectativa no Congresso Nacional era de uma rápida solução da crise. Não deu certo.
– Nosso grande desejo é de que às 18h de hoje [ontem] tudo isso se resolva com a renúncia dele [Alexandre de Moraes]. Só assim acaba com tudo, o Brasil volta a caminhar, disse a presidente da comissão.
À PROCURA DA CPI DO MASTER
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) entrou no STF com uma ação para forçar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a dar início às investigações do caso Master, instalando a CPI do banco.
— Essa Casa não pode se omitir da sua responsabilidade — disse à coluna.
NOVA AVALANCHE
O PRTB pediu ao TSE que substitua o ínfluencer” Pablo Marçal por Leonardo Avalanche na disputa à Presidência da República. Presidente nacional do partido, Avalanche não é tão bom de voto como o nome sugere. Em 2018, ele foi candidato pelo Podemos a deputado federal por Goiás. Obteve 173 votos.
PENSE NISSO!
Se havia alguma dúvida de que há no Supremo Tribunal Federal um grupo de ministros que não está nem aí para o respeito à ética, para a instituição secular, para a Justiça, o início do julgamento da ação que pode investigar Alexandre de Moraes apresentou todos os indícios.
Dedo em riste, frases de efeito, ameaças, chicana. Um desavisado que aterrissasse no plenário da Corte poderia, tranquilamente, concluir que se tratava de uma oficina de atores em fim de carreira, falando de suas memórias e se preparando para encenar uma peça de teatro sobre a máfia no Poder Judiciário em um país distante, que tem predominância para a língua portuguesa, mas com citações em latim e alemão.
Antes, quando se falava que havia uma briga no STF, logo a expressão era de que “nos bastidores” soube-se que fulano divergiu de forma rude do colega. Ciclano ameaçou colocar açúcar no café do outro. Hoje, não. Hoje [ou ontem] ficou latente que não há mais vergonha de dizer que, se você investigar meu amigo, eu abro uma investigação contra você.
E se cuide!
Pense nisso!












