Moraes nega mensagens com Vorcaro, contesta investigação de Mendonça e afirma que relatório da PF foi produzido com direcionamento político-eleitoral
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Após 15 dias de silêncio, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes se defendeu ontem das suspeitas que recaem sobre seu relacionamento com o banqueiro Daniel Vorcaro, evidenciado após o Estadão revelar 51 mensagens entre o magistrado e o dono do liquidado Banco Master.
Em uma petição de 44 páginas, Moraes afirmou ser alvo de uma “farsa montada”, negou a troca de mensagens com o banqueiro e disse que todos sabem a “motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras”. “Vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e foram condenados”, declarou, em alusão às condenações do núcleo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.
A entrega da peça de defesa ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, ocorreu pouco antes do julgamento no plenário do STF.
“Nenhuma ilação foi mais falsa, criminosa e mentirosa do que a questão dos supostos diálogos por mensagens entre mim e Daniel Vorcaro, supostamente relacionadas à ‘Operação Compliance’”, afirmou Moraes. “O MAIS GRAVE. As ilações absurdas (…) SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRAM. NÃO EXISTE DIÁLOGO, que pressupõe a existência de dois interlocutores, pois não há UMA ÚNICA MENSAGEM OU BLOCO DE NOTAS COM O TEXTO DE MENSAGENS DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES”, disse o magistrado, enfatizando trechos do texto com letras maiúsculas.
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A Polícia Federal (PF) identificou o contato de Moraes no celular de Vorcaro a partir do cruzamento de metadados, arquivos temporários e registros da agenda do celular do banqueiro apreendido em 17 de novembro. Segundo a investigação, Vorcaro escrevia textos no aplicativo bloco de notas, fazia capturas de tela, o que automaticamente gerava arquivos em PDF e, segundos depois, abria o WhatsApp para enviar o conteúdo. Após essas capturas, a primeira interação registrada no WhatsApp era o envio para o número salvo na agenda do aparelho de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
O ministro alegou que “as informações apresentadas demonstram que a ilegal investigação realizada contra ministro do STF, sem pedido da Procuradoria-Geral da República e autorização do plenário do Tribunal, não apontou a existência de nenhum indício de infração penal”.
“A investigação ilegalmente produzida pela Polícia Federal por determinação do Ministro André Mendonça não apresentou nenhum indício de que o Ministro Alexandre de Moraes tinha prévio conhecimento da decisão da Justiça Federal de 1.ª instância que determinou a ‘Operação Compliance’ ou que tenha entrado em contato com qualquer autoridade sobre esse assunto ou, ainda, que tenha vazado alguma informação, que nem ao menos tinha ciência”, alegou o ministro. Segundo relatório da PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria sair do País um dia antes de ser preso, em 17 de novembro.
‘DUPLAMENTE NULO’
Das 44 páginas da peça de defesa, Moraes dedicou cerca de 10 para rebater o conteúdo das mensagens e seu teor comprometedor. No restante do documento, concentrou a argumentação em questionar a suposta “ilegalidade” e o “direcionamento enviesado” do relatório da PF produzido sob a relatoria de Mendonça.
Para Moraes, o relatório é “duplamente nulo”: primeiramente, por ter sido produzido a partir de uma determinação judicial que considera “incompetente e ilegal”, ponto que, segundo o ministro, já teria sido ressaltado em parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet; em segundo lugar, pelo próprio conteúdo, que Moraes alegou ter como base “ilações sem qualquer comprovação”, com “flagrante desvio de finalidade” e uso de “recortes de fragmentos”.
“NÃO É LÓGICO, RAZOÁVEL E PLAUSÍVEL concluir que houve eventual vazamento de informações e favorecimentos, pois houve o total êxito da ‘Operação Compliance’. Novamente é importante repetir, que a prisão foi normalmente realizada, inclusive com a apreensão do instrumento mais importante para a investigação – o celular do investigado. E a prisão não foi realizada em um aeroporto clandestino, em uma pista de pouso no interior do Brasil. Como dito em item anterior, a prisão foi realizada no momento do embarque na alfândega do maior aeroporto do País (André Franco Montoro/Cumbica-SP), com passaporte verdadeiro e o investigado portando seu próprio celular, facilitando, dessa maneira, a apreensão e as investigações e demonstrando que não tinha nenhum conhecimento da existência de mandado de prisão contra si”, acrescentou Moraes.
SEM REGISTRO
“O mais grave, porém, é que não há NENHUMA, ABSOLUTAMENTE NENHUMA MENSAGEM de autoria do Ministro Alexandre de Moraes que indique qualquer consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de qualquer operação policial. Isso também foi ignorado pelas ilações do relatório encomendado”, afirmou o ministro.
Para se defender, Moraes recorreu ao caso do perito criminal João Cláudio Nabas. A PF informou em maio a Mendonça ter identificado que Nabas produziu dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” a partir de citações aos dois ministros encontradas no celular do banqueiro Vorcaro. O perito também teria sugerido a colegas da própria corporação o vazamento do material.
As informações integram a investigação aberta pela PF por ordem de Mendonça para apurar vazamentos de dados extraídos do celular de Vorcaro. A apuração resultou no cumprimento de mandado de busca e apreensão contra Nabas, por suspeita de violação de sigilo funcional. Após a operação, o perito foi afastado de suas funções.
7/9.
Moraes alega que, desde a operação contra Nabas, Mendonça já tinha “conhecimento formal” de que seu nome aparecia na documentação apreendida. “O ministro André Mendonça tinha conhecimento formal da citação do nome do ministro Alexandre de Moraes na documentação apreendida e não tomou nenhuma providência de encaminhamento ao Plenário, porque pretendia, exatamente, realizar uma ilegal investigação no momento político-eleitoral que entendesse mais oportuno”, afirmou Moraes “Preferiu aguardar o momento político-eleitoral mais visível – véspera do comício de 7/9 – para produzir sua farsa”, acrescentou.
“Por motivos político-eleitorais, houve direcionamento do magistrado relator para incriminar colega do STF, bem como o Presidente do Senado Federal (Davi Alcolumbre, União Brasil-AP) e favorecer determinado grupo político nas eleições de outubro de 2026, inclusive com o vazamento pelo próprio relator (como todos vocês da imprensa sabem) na semana antecedente ao 7/9, como uma tentativa de impulsionar os comícios de determinado grupo político, reforçado pela gravação de um vídeo nas redes sociais pelo próprio Ministro relator, na véspera dos comícios de 7/9, fato inédito na história do STF”, afirmou Moraes em sua defesa.













