Sem vacina, sarampo avança

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Sem vacina, sarampo avança



Organização Mundial da Saúde (OMS) reacende o alerta para a importância da vacinação, que não voltou à cobertura de antes da pandemia de Covid

Por

JC


Publicado em 26/08/2026 às 0:00

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Surtos em vários países fazem do sarampo uma ameaça real para a população mundial em 2026. Com casos notificados em alta nos Estados Unidos, e o ressurgimento que fez as autoridades lançarem campanha de imunização emergencial em São Paulo, o sarampo deve incidir sobre 11 milhões de pessoas no planeta este ano, a maioria na Ásia e na África, de acordo com estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS). A causa do retorno tão intenso da doença é a baixa cobertura vacinal, fenômeno que já vinha de antes, mas se agravou depois da pandemia de Covid, entre 2020 e 2022. Agora, é preciso resgatar o hábito da vacinação para prevenir e impedir que o surto atual piore, e que outros aconteçam nos próximos anos.
A enfermidade cuja prevenção é simples e segura com a barreira da vacina, pode gerar efeitos complicados nos indivíduos infectados, que podem ficar surdos, cegos e até morrer em decorrência do sarampo. E quanto mais vulneráveis e frágeis, maiores os riscos que os contaminados correm, sobretudo em locais de assistência médica inadequada. Nos países pobres, a falta de substâncias imunizantes provoca uma baixa na cobertura vacinal, que pode elevar o número de casos. Mas nos últimos anos, muitos pais e responsáveis deixaram de levar crianças e adolescentes para o cumprimento da agenda de vacinas, de maneira premeditada, numa escolha que pode ter consequências sérias para a saúde coletiva.
Devido ao alto grau de contágio, a cobertura contra o sarampo deve ser alta, acima de 95%, para a conquista da chamada imunidade de rebanho. Com duas doses, de preferência. Nos países pobres, a cobertura de duas doses para crianças de até 2 anos de idade pode estar abaixo de 70%. Trata-se de um nível muito baixo de proteção, que abre a porta para a doença. “A maioria das crianças pequenas em países de alta renda conseguiu recuperar as doses perdidas antes de atingir a idade escolar. Mas, em países de baixa renda, milhões de crianças que perderam as vacinações de rotina durante a pandemia ainda são classificadas como “crianças com zero doses”, que não receberam nenhuma das vacinas recomendadas em seus países”, explica a pesquisadora Kathryn Jacobsen, da Universidade de Richmond, nos Estados Unidos, em artigo publicado na Folha de S. Paulo.
Ela ainda ressalta que a notificação de casos nos países pobres dificilmente é realizada devidamente para as autoridades de saúde, podendo haver surtos muito maiores do que oficialmente registrado. Para piorar o quadro, “a redução do financiamento para a saúde global diminui o orçamento destinado ao subsídio das compras de vacinas” nesses países, aumentando o risco para os surtos.
Mais de 50 mil casos já foram notificados nas Américas em 2026, mais que o triplo de todo o ano passado. O Brasil pode não escapar da rota do sarampo, e por isso a campanha de vacinação gratuita está em curso em São Paulo, onde apareceram casos. Cada pessoa infectada pode transmitir a doença para outras dezoito, segundo os epidemiologistas. Ou seja, sem vacina, o sarampo avança, pressionando bastante os sistemas de atendimento à saúde.



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