Datafolha mostra que quase a metade dos entrevistados não confiam no Supremo, em resultado recorde que supera desconfiança em outras instituições
JC
Publicado em 20/09/2026 às 0:00
Notícia
É o fato ou acontecimento de interesse jornalístico. Pode ser uma informação nova ou recente. Também
diz respeito a uma novidade de uma situação já conhecida.
Artigo
Texto predominantemente opinativo. Expressa a visão do autor, mas não necessariamente a opinião do
jornal. Pode ser escrito por jornalistas ou especialistas de áreas diversas.
Investigativa
Reportagem que traz à tona fatos ou episódios desconhecidos, com forte teor de denúncia. Exige
técnicas e recursos específicos.
Content Commerce
Conteúdo editorial que oferece ao leitor ambiente de compras.
Análise
É a interpretação da notícia, levando em consideração informações que vão além dos fatos narrados.
Faz uso de dados, traz desdobramentos e projeções de cenário, assim como contextos passados.
Editorial
Texto analítico que traduz a posição oficial do veículo em relação aos fatos abordados.
Patrocinada
É a matéria institucional, que aborda assunto de interesse da empresa que patrocina a reportagem.
Checagem de fatos
Conteúdo que faz a verificação da veracidade e da autencidade de uma informação ou fato divulgado.
Contexto
É a matéria que traz subsídios, dados históricos e informações relevantes para ajudar a entender um
fato ou notícia.
Especial
Reportagem de fôlego, que aborda, de forma aprofundada, vários aspectos e desdobramentos de um
determinado assunto. Traz dados, estatísticas, contexto histórico, além de histórias de personagens
que são afetados ou têm relação direta com o tema abordado.
Entrevista
Abordagem sobre determinado assunto, em que o tema é apresentado em formato de perguntas e
respostas. Outra forma de publicar a entrevista é por meio de tópicos, com a resposta do
entrevistado reproduzida entre aspas.
Crítica
Texto com análise detalhada e de caráter opinativo a respeito de produtos, serviços e produções
artísticas, nas mais diversas áreas, como literatura, música, cinema e artes visuais.
Clique aqui e escute a matéria
Das diversas análises que vêm sendo feitas a respeito do ineditismo da crise que perturba as entranhas da cúpula do poder Judiciário no Brasil, é precisamente o fato de vir das entranhas que dimensiona a sua gravidade. Situações suspeitas criadas por seus próprios componentes e suas relações mal explicadas ou silenciadas com alguém que parece despontar como o mais bem-sucedido golpista na história nacional recente, o banqueiro Daniel Vorcaro, são situações tão fora de propósito para integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), que os excelentíssimos juízes não dão conta de se manter na sombra, aparecendo no foco da atenção da opinião pública em poses de guerra contra os fatos e contra seus pares. A Constituição virou contraditório escudo para os guardiães, e os consensos e decisões colegiadas se transformaram em trocas mútuas de acusações e numa indecisão lançada longe – para, quem sabe, um futuro próximo no qual os brasileiros esqueçam das incômodas ligações dos ministros do STF.
No trajeto até a degradação em que uma sessão do Supremo se assemelha a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso, com mais bate-boca do que discussão das dúvidas levantadas, também virou lugar-comum a metamorfose da corte máxima do Judiciário em arena política. A polarização observada atualmente não foi forjada por Vorcaro, e sim, construída tijolo a tijolo por indicações partidarizadas para a composição do Supremo, por nomes da confiança dos presidentes da República da vez, desvirtuando o distanciamento ideal entre os poderes.
Tal confiança pessoal unindo presidentes e ministros do STF é uma das fontes para a desconfiança crescente da população em relação à Suprema Corte brasileira, que culmina em resultados desastrosos inéditos acerca do olhar da população. De acordo com o Datafolha, 48% dos entrevistados não confiam no Supremo, pela primeira vez em preferência maior que em relação à presidência da República (42%), Congresso e partidos (45% cada). Apenas 14% afirmam confiar muito no STF. A politização se exprime num recorte: para os que avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo, a desconfiança com o STF chega a 75%, ou nada menos que três quartos dos entrevistados.
Como em todo levantamento do tipo, os dados revelam uma espécie de fotografia do instante – em um momento péssimo, jamais assim tão percebido para o STF e o Judiciário no país. Em consonância com a noção genérica do nível elevadíssimo – e vexatório – de corrupção na Justiça, expresso pelos próprios integrantes do Supremo, caberia menos soberba, menos jogo de cena, e mais compromisso com a responsabilidade de cada um e de todos os ministros ali designados para servir ao povo brasileiro. Antes de uma reforma no Judiciário, é preciso que os juízes do STF assumam a tarefa de uma faxina ética em suas dependências, reconhecendo erros e excessos, e sobretudo, não eximindo de culpa, de partida, um ou mais membros envolvidos em suspeitas que mancham a credibilidade da instituição, comprometendo um dos alicerces da democracia.












